Ginkgo biloba
Ginkgo biloba é um medicamento fitoterápico usado para melhorar a memória, concentração e problemas de circulação. Derivado de um extrato padronizado de folhas, atua melhorando o fluxo sanguíneo e protegendo as células nervosas.
O Ginkgo biloba é um dos medicamentos fitoterápicos mais conhecidos e estudados no mundo. Extraído das folhas de uma árvore de origem chinesa considerada um fóssil vivo, seu uso medicinal é tradicionalmente associado à melhora da memória e da circulação sanguínea. No Brasil, produtos à base de extrato padronizado de Ginkgo biloba são registrados como medicamentos e utilizados principalmente para tratar sintomas de insuficiência cerebrovascular e distúrbios circulatórios periféricos.
O que é o Ginkgo biloba
Ginkgo biloba é o nome de uma árvore de grande porte, nativa da China, única espécie remanescente da divisão Ginkgophyta. Ela é frequentemente chamada de “fóssil vivo” por ser a única sobrevivente de um grupo de plantas antigas. Para fins medicinais, utiliza-se um extrato concentrado e padronizado, obtido a partir das folhas secas da árvore. Este extrato, conhecido cientificamente como EGb 761, é rico em compostos ativos, principalmente flavonoides (ginkgoflavonoides) e terpenoides (terpenolactonas, como ginkgolídeos e bilobalídeo), que são responsáveis por suas propriedades terapêuticas.
A padronização do extrato é um processo crucial que garante que cada dose do medicamento contenha uma quantidade consistente e eficaz desses componentes ativos, além de remover substâncias potencialmente tóxicas, como os ácidos ginkgólicos. Por isso, o uso de produtos registrados e com qualidade farmacêutica é fundamental para a segurança e eficácia do tratamento.
Para que serve
As indicações terapêuticas do Ginkgo biloba aprovadas em bula pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estão focadas em problemas relacionados à circulação sanguínea e à função cognitiva. As principais indicações incluem:
- Desordens e sintomas decorrentes da deficiência do fluxo sanguíneo cerebral: Isso inclui problemas de memória, dificuldade de concentração, vertigem (tontura), dor de cabeça e zumbido (tinido) no ouvido. Essas condições são comuns em idosos, mas podem afetar adultos de qualquer idade.
- Distúrbios circulatórios periféricos: É indicado para o tratamento da claudicação intermitente, uma condição caracterizada por dor nas pernas ao caminhar, causada pelo estreitamento das artérias que irrigam os membros inferiores. O Ginkgo biloba pode ajudar a melhorar a distância que uma pessoa consegue caminhar sem sentir dor.
- Vertigens e zumbidos de origem vascular e involutiva: Pode ser usado para aliviar tonturas e zumbidos que têm como causa problemas na circulação sanguínea do ouvido interno ou relacionados ao envelhecimento.
É importante notar que o Ginkgo biloba é indicado para o alívio dos sintomas e não para a cura das doenças subjacentes. O tratamento deve ser parte de uma abordagem médica completa, que pode incluir outras terapias e mudanças no estilo de vida.
Como funciona no organismo
O mecanismo de ação do extrato de Ginkgo biloba é multifatorial, ou seja, ele atua de várias maneiras no organismo para produzir seus efeitos terapêuticos. Os principais mecanismos são:
- Melhora do fluxo sanguíneo: O extrato promove a dilatação dos vasos sanguíneos (vasodilatação) e reduz a viscosidade do sangue, tornando-o mais fluido. Isso melhora a microcirculação, aumentando o fornecimento de oxigênio e nutrientes para os tecidos, especialmente no cérebro e nas extremidades do corpo.
- Ação antioxidante: Os flavonoides presentes no extrato são potentes antioxidantes. Eles ajudam a neutralizar os radicais livres, moléculas instáveis que causam danos às células (estresse oxidativo). Essa proteção é particularmente importante para as células nervosas (neurônios), que são muito sensíveis a esses danos.
- Neuroproteção: Além da ação antioxidante, o bilobalídeo, um dos terpenoides, parece ter um efeito protetor direto sobre os neurônios. Estudos sugerem que ele pode ajudar a proteger as células cerebrais contra danos causados pela falta de oxigênio (hipóxia) e outros tipos de estresse celular.
- Inibição do Fator de Ativação Plaquetária (PAF): Os ginkgolídeos, outro grupo de terpenoides, inibem o PAF, uma substância envolvida na agregação das plaquetas e na formação de coágulos. Ao modular a ação do PAF, o Ginkgo biloba ajuda a prevenir a formação de trombos e melhora a fluidez do sangue, mas também é a razão pela qual pode aumentar o risco de sangramentos, especialmente quando combinado com outros medicamentos que afetam a coagulação.
Como tomar
A posologia do Ginkgo biloba pode variar dependendo da concentração do extrato, da forma farmacêutica (comprimido, cápsula, solução oral) e da condição a ser tratada. É fundamental seguir a orientação de um médico ou farmacêutico para determinar a dose e a duração do tratamento adequadas para cada caso.
De forma geral, as doses usuais para adultos, baseadas no extrato padronizado EGb 761, são:
- Para problemas cognitivos e circulatórios cerebrais: A dose recomendada costuma ser de 120 mg a 240 mg por dia, dividida em duas ou três tomadas. Por exemplo, um comprimido de 80 mg três vezes ao dia ou um comprimido de 120 mg duas vezes ao dia.
- Para distúrbios circulatórios periféricos (claudicação intermitente): Doses na faixa de 120 mg a 160 mg por dia, divididas em duas ou três administrações, são frequentemente utilizadas.
Os comprimidos devem ser ingeridos com um pouco de líquido, sem mastigar, e podem ser tomados com ou sem alimentos. Para que os efeitos terapêuticos sejam observados, o uso do medicamento deve ser contínuo. Os primeiros sinais de melhora geralmente aparecem após algumas semanas de tratamento. A duração do tratamento é definida pelo médico, mas tratamentos por períodos de 3 a 6 meses são comuns.
Efeitos colaterais e cuidados
Embora seja um produto de origem natural, o Ginkgo biloba pode causar efeitos colaterais e requer cuidados. A maioria das reações adversas é leve e transitória. As mais comuns incluem:
- Distúrbios gastrointestinais: náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia.
- Dores de cabeça.
- Tonturas.
- Reações alérgicas na pele, como vermelhidão e coceira.
O efeito colateral mais sério, embora raro, é o aumento do risco de sangramento. Foram relatados casos de sangramento espontâneo (cerebral, ocular, gastrointestinal) em pacientes que utilizavam Ginkgo biloba, especialmente em combinação com medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários. Por essa razão, é crucial informar ao médico sobre o uso de Ginkgo biloba antes de qualquer procedimento cirúrgico ou odontológico. A recomendação geral é suspender o uso do produto pelo menos duas semanas antes de uma cirurgia programada.
Quem deve evitar
O uso de Ginkgo biloba é contraindicado em algumas situações específicas:
- Hipersensibilidade: Pessoas com alergia conhecida aos componentes do extrato de Ginkgo biloba ou a qualquer outro componente da fórmula.
- Gestantes e lactantes: Não há estudos suficientes que comprovem a segurança do uso durante a gravidez e a amamentação. Além disso, pelo seu efeito na coagulação, há um risco teórico de aumento de sangramento durante o parto.
- Crianças: O uso não é recomendado para crianças menores de 12 anos, devido à falta de dados de segurança para essa faixa etária.
- Pacientes com distúrbios de coagulação: Pessoas com hemofilia ou outras doenças hemorrágicas, ou que estejam em uso de medicamentos anticoagulantes, devem evitar o Ginkgo biloba ou usá-lo apenas sob estrita supervisão médica.
Interações com outros medicamentos
O Ginkgo biloba pode interagir com diversos medicamentos, alterando seus efeitos e aumentando o risco de reações adversas. As interações mais importantes são:
- Anticoagulantes e antiplaquetários: A combinação com medicamentos como varfarina, heparina, aspirina, clopidogrel e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs, como ibuprofeno e diclofenaco) aumenta significativamente o risco de sangramentos.
- Antidepressivos: Pode interagir com alguns tipos de antidepressivos, como os inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), podendo potencializar seus efeitos ou causar reações adversas.
- Anticonvulsivantes: Existem relatos de que o Ginkgo biloba pode reduzir a eficácia de medicamentos para epilepsia, como a carbamazepina e o ácido valproico, aumentando o risco de convulsões.
- Medicamentos metabolizados pelo fígado: O extrato pode influenciar a atividade de enzimas hepáticas (citocromo P450), alterando o metabolismo de vários outros fármacos, como omeprazol e alguns anti-hipertensivos.
Sempre informe seu médico e farmacêutico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você está utilizando antes de iniciar o tratamento com Ginkgo biloba.
O que fazer em caso de superdose
A ingestão de doses muito acima das recomendadas pode intensificar os efeitos colaterais, como distúrbios gastrointestinais, dor de cabeça, tontura e, potencialmente, aumentar o risco de sangramento. Não há um antídoto específico para a superdosagem de Ginkgo biloba. Em caso de ingestão acidental de uma grande quantidade, a pessoa deve ser levada a um serviço de emergência. O tratamento é sintomático e de suporte, focado em aliviar os sintomas e monitorar as funções vitais, especialmente a coagulação sanguínea.
Quando procurar um médico
É importante procurar um médico antes de iniciar o uso de Ginkgo biloba para obter um diagnóstico correto e garantir que o produto é adequado para você. Além disso, procure atendimento médico se:
- Os sintomas não melhorarem ou piorarem após algumas semanas de tratamento.
- Você apresentar sinais de reação alérgica, como erupções cutâneas, inchaço ou dificuldade para respirar.
- Surgirem sinais de sangramento, como hematomas que aparecem com facilidade, sangramento nasal ou gengival, sangue na urina ou nas fezes, ou fezes com aparência de borra de café.
- Você precisar passar por qualquer procedimento cirúrgico ou odontológico.
Identificação botânica
- Planta de origem
- Ginkgo biloba L.
- Padronização do extrato
- Extrato padronizado contendo 22-27% de ginkgoflavonoides e 5-7% de terpenolactonas (ginkgolídeos e bilobalídeo).
- Tempo máximo de uso contínuo
- O tempo de uso deve ser determinado pelo médico, mas tratamentos de 3 a 6 meses são comuns, podendo ser estendidos conforme avaliação clínica.
Apresentações
| Forma farmacêutica | Concentração | Via |
|---|---|---|
| Comprimido | 80 mg | Oral |
| Comprimido | 120 mg | Oral |
| Solução oral | 80 mg/mL | Oral |
Uso clínico
Indicações
Indicado para o tratamento de desordens e sintomas decorrentes da deficiência do fluxo sanguíneo cerebral, como problemas de memória, função cognitiva, tonturas, dor de cabeça, zumbido e distúrbios da concentração. Também é utilizado para o tratamento de distúrbios circulatórios periféricos (claudicação intermitente) e vertigens e zumbidos de origem vascular.
Posologia
A posologia deve ser definida por um médico. De modo geral, para adultos, a dose recomendada do extrato padronizado varia de 120 mg a 240 mg por dia, dividida em 2 ou 3 tomadas. Por exemplo, 1 comprimido de 80 mg, 2 a 3 vezes ao dia, ou 1 comprimido de 120 mg, 2 vezes ao dia. O tratamento deve ser contínuo por várias semanas para se observar o efeito. Não interrompa o tratamento sem consultar seu médico.
- Tempo até início do efeito
- 4 a 6 semanas
- Duração do efeito
- Varia conforme o uso contínuo, o efeito se mantém com a administração regular.
Contraindicações
O uso é contraindicado para pacientes com hipersensibilidade a qualquer componente da fórmula, crianças menores de 12 anos, gestantes e lactantes. Também é contraindicado para pacientes com histórico de distúrbios de coagulação ou que estejam em uso de medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários, devido ao risco aumentado de sangramento.
Superdosagem
Em caso de ingestão de uma dose muito superior à recomendada, os sintomas esperados são uma intensificação dos efeitos colaterais, como dor de cabeça, tontura, náuseas e diarreia. O risco de sangramento também pode aumentar. Procure imediatamente um serviço médico de emergência, levando a embalagem ou bula do medicamento, se possível.
Mecanismo de ação
O extrato de Ginkgo biloba atua melhorando a circulação sanguínea através da dilatação dos vasos e redução da viscosidade do sangue. Possui também ação antioxidante, que protege as células contra danos dos radicais livres, e inibe o fator de ativação plaquetária (PAF), o que contribui para a fluidez do sangue, mas também aumenta o risco de sangramento.
Efeitos colaterais
Comuns
-
Dor de cabeça
Pode ocorrer no início do tratamento e geralmente é transitória.
-
Tontura
Sensação de vertigem ou instabilidade.
-
Distúrbios gastrointestinais
Inclui náuseas, dor abdominal e diarreia.
Raros / graves
-
Sangramento
Casos de sangramento espontâneo (cerebral, ocular, gastrointestinal) foram relatados, especialmente em associação com outros medicamentos que afetam a coagulação.
-
Reações alérgicas
Pode incluir erupções cutâneas, coceira e, em casos muito raros, choque anafilático.
Interações medicamentosas
| Medicamento / classe | Severidade | Descrição |
|---|---|---|
| Anticoagulantes (ex: varfarina, heparina) | Grave | Aumenta o risco de sangramentos graves. A combinação é geralmente contraindicada. |
| Antiplaquetários (ex: aspirina, clopidogrel) | Grave | Aumenta o risco de hemorragias. O uso concomitante deve ser evitado. |
| Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) | Moderada | Aumenta o risco de sangramento gastrointestinal quando usados em conjunto. |
| Anticonvulsivantes (ex: carbamazepina, fenitoína) | Moderada | Pode reduzir a eficácia dos anticonvulsivantes, aumentando o risco de convulsões. |
Populações especiais
Gestação
O uso de Ginkgo biloba é contraindicado durante a gestação. Não existem estudos adequados que garantam sua segurança para a mãe ou o feto. Devido ao seu efeito sobre a coagulação sanguínea, há um risco teórico de aumento de sangramento durante a gravidez ou o parto.
Lactação
O uso de Ginkgo biloba é contraindicado durante a amamentação. Não se sabe se os componentes ativos do extrato são excretados no leite materno e quais seriam os efeitos para o lactente.
Uso pediátrico
O uso de Ginkgo biloba não é recomendado para crianças com menos de 12 anos de idade, pois não há dados suficientes sobre sua segurança e eficácia nesta população.
Uso geriátrico
O Ginkgo biloba é frequentemente utilizado por idosos para tratar sintomas de declínio cognitivo e problemas circulatórios. No entanto, o uso deve ser cauteloso, pois essa população costuma ter mais comorbidades e utilizar múltiplos medicamentos (polifarmácia), o que aumenta o risco de interações medicamentosas, especialmente com anticoagulantes.
Insuficiência renal / hepática
Pacientes com insuficiência renal ou hepática devem usar Ginkgo biloba com cautela e sob orientação médica. Embora não haja contraindicação absoluta, o médico deve avaliar a relação risco-benefício, pois o metabolismo e a excreção do medicamento podem estar alterados.
Regulatório
- Fabricante
- Abbott Laboratórios do Brasil Ltda (para Tanakan)
- Registro Anvisa
1.0553.0293 (exemplo para Tanakan 80mg)- Versão genérica
- ✓ Disponível no Brasil
- Bula oficial Anvisa
- Acessar bula completa →
Categoria regulatória
- Categoria Anvisa
- Fitoterápico registrado (RDC 26/2014)
- Lista RENISUS
- ✓ Espécie incluída no RENISUS (SUS)
Perguntas frequentes
Ginkgo biloba realmente melhora a memória?
Estudos sugerem que o Ginkgo biloba pode auxiliar na melhora de funções cognitivas como memória e concentração, especialmente em casos de declínio leve a moderado associado à idade ou insuficiência circulatória cerebral. Os resultados podem variar entre indivíduos e o benefício costuma ser modesto.
Quanto tempo leva para o Ginkgo biloba fazer efeito?
Os efeitos do Ginkgo biloba não são imediatos. Geralmente, são necessárias de 4 a 6 semanas de uso contínuo para que os primeiros benefícios terapêuticos, como melhora na disposição e concentração, comecem a ser percebidos. O tratamento completo costuma durar vários meses.
Quem não pode tomar Ginkgo biloba?
O Ginkgo biloba é contraindicado para gestantes, lactantes, crianças menores de 12 anos e pessoas com alergia aos seus componentes. Também deve ser evitado por pacientes com distúrbios de coagulação ou que farão cirurgias, devido ao risco aumentado de sangramento.
Posso tomar Ginkgo biloba junto com aspirina?
Não. A combinação de Ginkgo biloba com aspirina, ou outros medicamentos anticoagulantes e antiplaquetários, é perigosa e deve ser evitada. Essa associação aumenta significativamente o risco de hemorragias graves. Sempre consulte um médico antes de combinar medicamentos.
Ginkgo biloba causa sangramento?
Sim, um dos riscos associados ao uso de Ginkgo biloba é o aumento da tendência a sangramentos. Ele interfere na coagulação do sangue e, embora o risco seja baixo em pessoas saudáveis, ele se torna significativo quando combinado com outros medicamentos que afetam a coagulação ou em pessoas com predisposição a hemorragias.
Qual o melhor horário para tomar Ginkgo biloba?
Não há um horário estritamente definido como o melhor, mas recomenda-se tomar as doses junto com as refeições (como café da manhã e almoço) para minimizar possíveis desconfortos gastrointestinais. O importante é manter a regularidade e seguir a posologia indicada pelo médico.
É preciso receita médica para comprar Ginkgo biloba?
No Brasil, a maioria dos medicamentos à base de Ginkgo biloba é classificada como Medicamento Isento de Prescrição (MIP), podendo ser adquirido sem receita. No entanto, devido aos seus riscos e interações, é altamente recomendável que o uso seja feito sob orientação de um médico ou farmacêutico.