A recente internação da influenciadora Virgínia Fonseca após uma sessão de soroterapia acendeu um alerta nacional sobre uma prática cada vez mais popular. O episódio, que gerou ampla discussão nas redes sociais, joga luz sobre os soroterapia riscos, uma tendência de bem-estar que promete benefícios rápidos, mas carece de comprovação científica e pode trazer sérias complicações à saúde.

Promovida intensamente no universo de saúde e celebridades, a soroterapia consiste na aplicação intravenosa de coquetéis de vitaminas, minerais, aminoácidos e antioxidantes. As promessas são muitas: aumento da imunidade, desintoxicação, melhora da aparência da pele e até cura para ressacas. Contudo, especialistas e entidades médicas veem a prática com grande preocupação quando realizada para fins estéticos ou de bem-estar.

O que diz a ciência sobre a soroterapia

Para a medicina, a administração intravenosa de nutrientes é um recurso valioso, mas restrito a situações clínicas específicas. Pacientes com doenças que dificultam a absorção de nutrientes pelo sistema digestivo, desidratação severa ou deficiências vitamínicas comprovadas por exames laboratoriais podem se beneficiar do tratamento, sempre sob prescrição e acompanhamento médico rigoroso em ambiente hospitalar.

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Fora desses cenários, a eficácia da soroterapia é questionável. O Conselho Federal de Medicina (CFM) não reconhece a prática para fins estéticos ou de performance. Segundo especialistas, um organismo saudável absorve as vitaminas e minerais necessários através de uma alimentação balanceada, e o excesso de nutrientes hidrossolúveis injetados na veia é simplesmente eliminado pela urina.

A popularização da soroterapia a coloca na categoria de tratamentos sem comprovação, que se apoiam mais em marketing do que em evidências. Essa busca por soluções rápidas se assemelha a outras tendências perigosas, como o uso indiscriminado de canetas para emagrecer sem prescrição ou a realização de procedimentos estéticos arriscados, como o lifting de bumbum com substâncias não autorizadas.

Os perigos por trás da agulha

Realizar um procedimento invasivo como a soroterapia fora de um ambiente controlado expõe o paciente a uma série de perigos. A aplicação de substâncias diretamente na corrente sanguínea exige cuidados de assepsia que muitas clínicas estéticas podem não seguir, elevando o risco de complicações graves.

Os principais riscos associados à soroterapia indiscriminada incluem:

  • Infecções: A falta de esterilização adequada pode levar a infecções locais ou sistêmicas, como a sepse, um quadro potencialmente fatal.
  • Reações alérgicas: O coquetel de substâncias pode desencadear reações alérgicas graves, incluindo o choque anafilático.
  • Sobrecarga de nutrientes: O excesso de certas vitaminas e minerais pode ser tóxico e sobrecarregar órgãos como rins e fígado.
  • Problemas cardiovasculares: A infusão rápida de fluidos e eletrólitos pode causar desequilíbrios perigosos para o coração, especialmente em pessoas com condições preexistentes.
  • Lesões vasculares: A punção da veia pode causar flebite (inflamação), hematomas e outros danos locais.

O caso da influenciadora, que relatou fortes dores de cabeça e mal-estar, ilustra como mesmo pessoas saudáveis estão sujeitas a reações adversas. A popularização de tendências de bem-estar nas redes sociais não deve substituir a orientação de um profissional de saúde qualificado.

Antes de aderir a qualquer procedimento que prometa resultados milagrosos, é essencial buscar a opinião de um médico. A saúde não deve ser guiada por modismos, mas por decisões informadas e baseadas em ciência, evitando práticas arriscadas como a aplicação do antigo Lipostabil, que também foi proibido no passado por seus perigos.