Um estudo recente revela um cenário preocupante para a saúde mental jovem no Brasil. Cerca de 15,6 milhões de crianças, adolescentes e jovens adultos, com idades entre 5 e 25 anos, convivem com pelo menos um transtorno mental. O número representa 23% dessa faixa etária e acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes.

Radiografia dos transtornos mentais em jovens

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade de São Paulo (USP), foi publicada no prestigiado periódico científico The Lancet Regional Health – Americas. Os dados, baseados na análise do Global Burden of Disease (GBD) entre 1990 e 2019, mostram que muitos desses quadros começam antes dos 14 anos de idade.

Entre os diagnósticos mais comuns que afetam essa população, destacam-se:

  • Transtornos de ansiedade
  • Depressão
  • Transtornos de conduta
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

O estudo também identificou diferenças de gênero. Nos meninos mais novos, entre 5 e 9 anos, são mais prevalentes os transtornos de desenvolvimento e comportamento, como TDAH e autismo. A partir da adolescência, as meninas passam a apresentar taxas mais altas de ansiedade e depressão, condições que muitas vezes exigem tratamentos para depressão e ansiedade específicos.

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Impacto na saúde pública do Brasil

A dimensão do problema vai além dos números absolutos. Segundo a pesquisa, os transtornos mentais são a principal causa de “anos vividos com incapacidade” (YLDs, na sigla em inglês) entre os jovens brasileiros. Eles respondem por 25,5% do total de anos perdidos por problemas de saúde nessa faixa etária, superando outras condições médicas.

Guilherme Polanczyk, psiquiatra da infância e adolescência da USP e coordenador do estudo, aponta a urgência de ações. Ele destaca que a falta de diagnóstico e tratamento precoce pode comprometer o desenvolvimento educacional, social e profissional do indivíduo, com reflexos por toda a vida adulta. A situação expõe uma lacuna na saúde pública no Brasil para os jovens, que historicamente recebe menos investimentos e atenção.

Um chamado para ação

Os resultados da pesquisa Lancet sobre saúde mental servem como um forte argumento para a criação e ampliação de políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento de transtornos mentais na juventude. Os pesquisadores defendem a integração de cuidados de saúde mental nas escolas e na atenção primária, como postos de saúde, para facilitar o acesso e reduzir o estigma.

Enfrentar o desafio dos transtornos mentais em jovens é fundamental não apenas para o bem-estar dessa geração, mas para o futuro do país. Investir em saúde mental desde cedo é uma estratégia essencial para garantir adultos mais saudáveis e uma sociedade mais produtiva e equilibrada.