Pacientes que desenvolveram quadros graves de covid-19 podem ter um risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão no futuro, aponta um novo estudo. A pesquisa, que investiga a complexa relação entre covid-19 e câncer, sugere que a inflamação pulmonar severa causada pelo coronavírus pode criar um ambiente propício para o surgimento de tumores. A boa notícia é que a vacinação, ao prevenir a doença grave, surge como uma importante ferramenta de mitigação desse risco.
A descoberta, publicada em uma revista científica de renome, analisou dados de milhares de pacientes e identificou uma correlação estatisticamente significativa. Aqueles que precisaram de internação em UTI e ventilação mecânica devido à covid-19 apresentaram uma incidência maior de diagnósticos de câncer de pulmão nos anos seguintes à infecção, em comparação com a população geral ou com quem teve formas leves da doença.
A conexão entre a inflamação e o câncer de pulmão
O mecanismo por trás dessa associação parece estar na resposta inflamatória exacerbada que caracteriza a covid-19 grave. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a “tempestade de citocinas” e os danos extensos ao tecido pulmonar podem levar à formação de cicatrizes e a um estado de inflamação crônica. Esse ambiente, conhecido como fibrose pulmonar, é um fator de risco já estabelecido para o desenvolvimento de câncer de pulmão.
As células pulmonares, em um esforço contínuo para reparar os danos, podem sofrer mutações que dão origem a células cancerígenas. O estudo reforça que o risco não está associado à presença do vírus em si, mas às consequências da batalha do corpo contra a infecção severa, o que se enquadra no crescente entendimento sobre as sequelas covid.
O papel protetor da vacinação
Diante desse cenário, os especialistas destacam que a prevenção da covid-19 grave é a principal medida para reduzir esse risco a longo prazo. A vacinação covid demonstrou alta eficácia em prevenir hospitalizações e mortes, protegendo os pulmões dos danos mais severos que poderiam, anos depois, levar a complicações como o câncer.
Portanto, além de proteger contra a doença aguda, a imunização funciona como uma camada de proteção contra possíveis consequências futuras, reforçando sua importância para a saúde respiratória em geral. Manter o calendário vacinal atualizado é fundamental, mesmo com a diminuição da percepção de risco da doença no dia a dia.
Implicações para o acompanhamento de pacientes
Para o Brasil, que registrou um número elevado de casos graves e hospitalizações durante os picos da pandemia, a descoberta acende um alerta. Especialistas em saúde pública sugerem a necessidade de programas de monitoramento para pacientes que sobreviveram a formas graves da covid-19. Esse acompanhamento pode incluir exames de imagem periódicos para detecção precoce de possíveis lesões suspeitas nos pulmões.
A identificação precoce é um dos fatores mais importantes para o sucesso no tratamento de câncer. Saber que existe um risco aumentado permite que médicos e pacientes fiquem mais atentos a sintomas como tosse persistente, falta de ar ou dor no peito, que não devem ser ignorados.
A pesquisa adiciona uma nova e importante peça ao quebra-cabeça dos efeitos de longo prazo da covid-19. Ela sublinha que as consequências da pandemia ainda serão sentidas por muitos anos e reforça a mensagem central de que a prevenção, principalmente através da vacinação, é a melhor estratégia para a saúde individual e coletiva.