Apesar de serem um direito e uma abordagem essencial para a saúde, os cuidados paliativos ainda são uma realidade distante para a maioria dos brasileiros que deles necessitam. Focada em garantir a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças graves, essa modalidade de assistência médica esbarra em um profundo problema de acesso desigual no Brasil, concentrando-se em poucas regiões e, majoritariamente, na rede privada.
O que são, afinal, os cuidados paliativos?
Diferente do que muitos pensam, os cuidados paliativos não se tratam de apressar a morte ou de desistir do paciente. Pelo contrário, seu objetivo é prevenir e aliviar o sofrimento por meio da identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e de outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual. A abordagem busca oferecer mais dignidade e bem-estar durante todo o processo da doença.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa assistência é indicada para uma vasta gama de enfermidades, como câncer, doenças cardiovasculares, Aids, doenças renais crônicas, esclerose múltipla e outras condições que ameaçam a vida. O foco está no alívio de sintomas como dor, falta de ar e fadiga, além de oferecer suporte psicológico e social tanto para o paciente quanto para seus familiares.
O cenário de desigualdade na saúde no Brasil
O principal desafio dos cuidados paliativos no país é o acesso à saúde. A maior parte das equipes e serviços especializados está concentrada nos grandes centros urbanos da região Sudeste e, em sua maioria, no setor privado. Isso cria um abismo para pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) ou que vivem em outras regiões do Brasil, deixando-os sem o suporte adequado.
Estudos indicam que o número de equipes de cuidados paliativos no país é insuficiente para atender à demanda crescente. A falta de profissionais capacitados e de políticas públicas que integrem essa abordagem de forma mais ampla no sistema de saúde agrava a situação. Pacientes com câncer, por exemplo, que poderiam se beneficiar enormemente do tratamento de câncer no SUS, muitas vezes não recebem esse tipo de suporte ao paciente.
A importância de um suporte integrado
A assistência paliativa é realizada por uma equipe multidisciplinar, que pode incluir médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e líderes espirituais. Esse time trabalha em conjunto para criar um plano de cuidados individualizado, que atenda às necessidades específicas de cada pessoa, respeitando seus valores e desejos.
Os benefícios vão além do controle dos sintomas físicos. O suporte emocional e psicológico ajuda o paciente e sua família a lidar com o diagnóstico, o tratamento e as incertezas do futuro. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reforça que esses cuidados melhoram a qualidade de vida e podem influenciar positivamente o curso da doença. Entender como funciona o tratamento do câncer no SUS e exigir a integração do cuidado paliativo é um passo fundamental.
Ampliar o acesso aos cuidados paliativos é uma necessidade urgente na saúde no Brasil. É preciso investir na formação de profissionais, na criação de mais serviços no SUS e na conscientização da população sobre a importância dessa abordagem, que visa garantir dignidade e conforto em um dos momentos mais vulneráveis da vida.