A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um novo alerta sobre a presença de acrilamida em alimentos de consumo diário, como pães, biscoitos, batatas fritas e café. A substância, formada durante o preparo em altas temperaturas, é classificada como “provavelmente cancerígena” e acende um sinal de atenção para a segurança alimentar no Brasil.
O posicionamento da agência, divulgado em um documento de perguntas e respostas, visa esclarecer os riscos e orientar tanto os consumidores quanto a indústria alimentícia. A medida não proíbe a venda dos produtos, mas reforça a necessidade de controle e moderação.
O que é a acrilamida e onde ela está presente?
A acrilamida não é um aditivo colocado intencionalmente nos produtos. Segundo o documento da Anvisa, ela surge naturalmente como resultado da Reação de Maillard, um processo químico que ocorre quando alimentos ricos em amido e no aminoácido asparagina são aquecidos a temperaturas acima de 120 °C.
Esse processo é o que dá a cor dourada e o sabor característico a muitos alimentos fritos, assados ou torrados. Os principais exemplos citados pela agência incluem:
- Batatas fritas (especialmente as pré-fritas congeladas)
- Pães de forma e outros produtos de panificação
- Biscoitos doces e salgados
- Café torrado e café solúvel
Qual o risco real para a saúde?
A principal preocupação com a acrilamida é seu potencial carcinogênico. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica a substância no Grupo 2A, como “provavelmente carcinogênica para humanos”. Essa classificação se baseia em evidências robustas em estudos com animais, embora as evidências em humanos ainda sejam limitadas.
O risco de câncer está associado ao consumo elevado e contínuo da substância ao longo da vida. A Anvisa esclarece que o consumo esporádico de alimentos com acrilamida não representa um perigo iminente, mas a exposição crônica é o foco da preocupação. A prevenção de diferentes tipos de câncer, como o câncer de colo de útero, envolve uma combinação de fatores, incluindo hábitos de vida saudáveis e acompanhamento médico.
O que a Anvisa recomenda?
A iniciativa da Anvisa não é proibir o consumo, mas sim promover a conscientização e a redução da exposição à acrilamida. O órgão publicou um documento técnico para orientar consumidores e a indústria sobre o tema, alinhando o Brasil a discussões internacionais sobre segurança alimentar.
Para o consumidor, as principais dicas são:
- Evite o superaquecimento: Ao fritar, assar ou tostar, prefira uma coloração dourada clara em vez de marrom escura ou queimada.
- Varie a alimentação: Manter uma dieta diversificada ajuda a reduzir a exposição a qualquer substância potencialmente nociva.
- Siga as instruções: Respeite o tempo e a temperatura de preparo indicados nas embalagens de produtos pré-prontos.
Para a indústria de alimentos, a recomendação é a adoção de boas práticas de fabricação que minimizem a formação da substância. A Anvisa continuará monitorando os níveis de acrilamida nos produtos comercializados no país.
A discussão sobre a acrilamida em alimentos não é nova, mas o posicionamento recente da agência brasileira reforça a importância de escolhas conscientes na cozinha e no supermercado. A mensagem central não é de alarme, mas de moderação e atenção ao modo de preparo dos alimentos, um passo simples que contribui para uma dieta mais segura a longo prazo.