O cancro mole é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que, apesar de menos conhecida que outras, exige atenção e tratamento adequado. Caracterizada por feridas dolorosas na região genital, essa condição é causada por uma bactéria e pode levar a complicações se não for diagnosticada e tratada corretamente, além de aumentar o risco de transmissão de outras ISTs, como o HIV.
A doença cancro mole é uma infecção bacteriana causada pelo Haemophilus ducreyi, transmitida exclusivamente por contato sexual. Ela se manifesta através de úlceras (feridas) múltiplas e muito dolorosas nos órgãos genitais, de base mole e fundo purulento, podendo ser acompanhada de inchaço doloroso na virilha, conhecido como “bubão”.
O que é o cancro mole?
O cancro mole, também conhecido como cancroide, é uma infecção bacteriana aguda que afeta principalmente a pele e as mucosas da região genital. É considerada uma IST ulcerativa, ou seja, que provoca feridas. A principal característica que a diferencia de outras lesões genitais, como as da sífilis, é a dor intensa. As úlceras do cancro mole são tipicamente moles ao toque, o que origina o nome da doença.
A infecção é mais prevalente em países tropicais e subtropicais, incluindo o Brasil, e está frequentemente associada a populações com menor acesso a serviços de saúde e em condições de vulnerabilidade social. A presença de uma úlcera de cancro mole aumenta significativamente a chance de contrair e transmitir o vírus do HIV, pois a ferida serve como uma porta de entrada para o vírus.
Causas e formas de transmissão
A única causa do cancro mole é a infecção pela bactéria Haemophilus ducreyi. A transmissão ocorre quase exclusivamente por via sexual, seja ela vaginal, anal ou oral, através do contato direto com as secreções das úlceras de uma pessoa infectada. A bactéria é altamente infecciosa e penetra no organismo através de pequenas lesões ou abrasões na pele ou mucosas que podem ocorrer durante a relação sexual.
Após a exposição à bactéria, o período de incubação, ou seja, o tempo até o aparecimento dos primeiros sintomas, é geralmente curto, variando de 3 a 7 dias. É importante destacar que a transmissão pode ocorrer mesmo que as lesões não sejam facilmente visíveis, e pessoas infectadas podem transmitir a bactéria sem saber que estão com a doença.
Sintomas do cancro mole
Os sintomas do cancro mole são bastante característicos e evoluem em estágios. O conhecimento desses sinais é fundamental para a busca rápida por atendimento médico.
- Lesão inicial: O primeiro sinal é o surgimento de uma ou mais pequenas elevações avermelhadas na pele (pápulas) no local da infecção, que rapidamente se transformam em bolhas com pus (pústulas).
- Formação da úlcera: Em 24 a 48 horas, a pústula se rompe, dando origem a uma úlcera (ferida) dolorosa. As características da úlcera são marcantes:
- Dor intensa: É o sintoma mais proeminente e um diferenciador importante.
- Base mole: A ferida não é endurecida, como na sífilis.
- Fundo irregular e purulento: O interior da ferida é coberto por uma secreção amarelo-acinzentada e sangra com facilidade.
- Bordas irregulares: As bordas da úlcera são bem definidas, mas não são lisas.
- Localização: Nos homens, as lesões aparecem com mais frequência no pênis (prepúcio e glande). Nas mulheres, são mais comuns nos grandes e pequenos lábios, na entrada da vagina e no colo do útero, podendo passar despercebidas. Lesões no ânus e na boca também podem ocorrer, dependendo da prática sexual.
- Bubão ou bulbo: Em cerca de 50% dos casos não tratados, ocorre o linfonodo inguinal inflamatório, conhecido popularmente como “bubão”. Trata-se de um inchaço doloroso de um gânglio linfático na virilha, que pode crescer, ficar avermelhado e, eventualmente, romper-se, drenando uma grande quantidade de pus.
Diagnóstico e quando procurar um médico
Ao notar qualquer ferida, bolha, caroço ou dor na região genital, anal ou oral, é imprescindível procurar um médico, preferencialmente um ginecologista, urologista ou infectologista. O diagnóstico do cancro mole é feito principalmente com base no exame clínico, pois a aparência das úlceras é bastante sugestiva.
O médico irá avaliar as características da lesão, questionar sobre o início dos sintomas e histórico de contato sexual. Para confirmar o diagnóstico e descartar outras infecções, podem ser solicitados exames laboratoriais. Isso é feito coletando-se uma amostra da secreção da úlcera para análise em laboratório, buscando identificar a bactéria Haemophilus ducreyi por meio de cultura ou testes moleculares (PCR).
Além disso, é essencial diferenciar o quadro de outras ISTs que também causam úlceras, como a sífilis (cuja ferida é tipicamente única e indolor) e o herpes genital (caracterizado por múltiplas vesículas dolorosas). Outras condições, como a candidíase vaginal, embora de natureza fúngica, também podem gerar dúvidas e reforçam a necessidade de um diagnóstico médico preciso. Exames para outras ISTs, como HIV e sífilis, são rotineiramente solicitados.
Tratamento para o cancro mole
O tratamento do cancro mole é relativamente simples e eficaz, sendo realizado com o uso de antibióticos por via oral ou, em alguns casos, injetável. Os esquemas de tratamento são definidos pelo Ministério da Saúde e geralmente envolvem medicamentos como Azitromicina (em dose única), Ceftriaxona (injetável em dose única) ou Eritromicina.
É crucial seguir o tratamento prescrito pelo médico até o fim, mesmo que os sintomas desapareçam antes. A melhora da dor costuma ser rápida, ocorrendo nos primeiros dias após o início do antibiótico. A cicatrização completa das feridas pode levar até duas semanas.
Outros pontos importantes do tratamento incluem:
- Tratamento de parceiros(as): Todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias devem ser comunicados, avaliados e tratados, mesmo que não apresentem sintomas, para evitar a reinfecção e a disseminação da doença.
- Manejo do bubão: Se houver formação do bubão, o médico pode optar por realizar uma drenagem por punção para aliviar a dor e acelerar a recuperação. A drenagem cirúrgica (incisão) deve ser evitada.
- Abstinência sexual: Recomenda-se não ter relações sexuais até a cura completa das lesões, tanto do paciente quanto de seus parceiros.
- Acompanhamento médico: O retorno ao médico após o tratamento é importante para confirmar a cura da infecção.
Perguntas frequentes sobre o cancro mole
O que causa o cancro mole?
O cancro mole é causado pela bactéria Haemophilus ducreyi. A infecção ocorre exclusivamente através do contato sexual desprotegido (vaginal, anal ou oral) com as secreções das feridas de uma pessoa infectada.
Quais os sintomas do cancro mole?
Os principais sintomas são o aparecimento de uma ou mais úlceras (feridas) muito dolorosas na região genital, com base mole, fundo purulento e que sangram facilmente. Em muitos casos, pode ocorrer um inchaço doloroso na virilha, chamado de “bubão”.
Cancro mole tem cura?
Sim, o cancro mole tem cura. O tratamento é feito com antibióticos específicos prescritos por um médico. Quando tratado corretamente, a infecção é eliminada e as feridas cicatrizam completamente, geralmente sem deixar sequelas.
Como prevenir o cancro mole?
A principal forma de prevenção é o uso consistente e correto de preservativos (camisinha masculina ou feminina) em todas as relações sexuais. Evitar o contato sexual com pessoas que apresentem feridas ou lesões na região genital também é uma medida preventiva fundamental.
O surgimento de qualquer lesão na área genital é um sinal de alerta que não deve ser ignorado. O diagnóstico correto do cancro mole permite um tratamento eficaz com antibióticos, levando à cura completa e prevenindo a transmissão. A prevenção, através do uso de preservativos, continua sendo a ferramenta mais importante contra esta e outras infecções sexualmente transmissíveis.