A dislipidemia é uma condição de saúde caracterizada pela alteração nos níveis de gorduras (lipídios) no sangue, como o colesterol e os triglicerídeos. Frequentemente silenciosa, essa condição é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Entender o que ela é, suas causas e como tratá-la é fundamental para proteger o coração e garantir uma vida mais longa e saudável.

O que é dislipidemia?

Dislipidemia é o termo médico para indicar a presença de níveis anormais de lipídios na corrente sanguínea. Nosso corpo precisa de gorduras para funcionar corretamente, mas o desequilíbrio delas pode ser perigoso. As principais gorduras envolvidas são:

  • Colesterol LDL (Low-Density Lipoprotein): Conhecido como “colesterol ruim”. Quando em excesso, ele se deposita nas paredes das artérias, formando placas de gordura (aterosclerose) que podem obstruir o fluxo sanguíneo.
  • Colesterol HDL (High-Density Lipoprotein): Conhecido como “colesterol bom”. Ele atua como um “faxineiro”, removendo o excesso de colesterol das artérias e levando-o de volta para o fígado, onde é eliminado.
  • Triglicerídeos: São a forma mais comum de gordura no corpo, servindo como uma reserva de energia. Níveis elevados, geralmente associados a uma dieta rica em carboidratos e gorduras, também aumentam o risco cardiovascular.

O diagnóstico ocorre quando os exames de sangue mostram uma ou mais dessas alterações, seja o aumento do LDL e dos triglicerídeos ou a redução do HDL.

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Tipos de dislipidemia e seus riscos

A dislipidemia pode se manifestar de diferentes formas, cada uma com seus próprios riscos associados. A classificação ajuda os médicos a definir a melhor abordagem de tratamento.

Hipercolesterolemia isolada

Este tipo é caracterizado pelo aumento exclusivo dos níveis de colesterol LDL. É um dos principais vilões para a saúde do coração, pois o excesso de LDL acelera a formação de placas de ateroma nas artérias. Para entender os níveis ideais, veja nosso guia sobre o valor normal do colesterol LDL.

Hipertrigliceridemia isolada

Aqui, o problema é o aumento isolado dos triglicerídeos. Níveis muito altos (acima de 500 mg/dL) estão associados a um risco aumentado de pancreatite aguda, uma inflamação grave do pâncreas. Além disso, a hipertrigliceridemia também contribui para o risco de doenças cardiovasculares.

Hiperlipidemia mista

Esta é a forma combinada, onde tanto o colesterol LDL quanto os triglicerídeos estão elevados. A presença dos dois fatores potencializa o risco de eventos cardiovasculares, tornando o controle ainda mais urgente.

Nível baixo de HDL

A redução do colesterol HDL, o “colesterol bom”, também é uma forma de dislipidemia. Mesmo que os outros níveis estejam normais, um HDL baixo significa que o corpo tem menos capacidade de “limpar” as artérias, o que por si só é um fator de risco. Você pode aprender mais sobre a importância deste marcador em nosso artigo sobre o valor normal do colesterol HDL.

Principais causas da dislipidemia

As causas da dislipidemia são divididas em duas categorias principais: primárias e secundárias.

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Causas primárias têm origem genética. A pessoa herda uma predisposição para produzir ou remover lipídios de forma inadequada. A hipercolesterolemia familiar é um exemplo clássico, onde os níveis de LDL são extremamente altos desde a infância.

Causas secundárias são as mais comuns e estão relacionadas ao estilo de vida e a outras condições de saúde. Os principais fatores incluem:

  • Dieta inadequada: Consumo excessivo de gorduras saturadas, gorduras trans e carboidratos simples.
  • Sedentarismo: A falta de atividade física regular contribui para o aumento do LDL e dos triglicerídeos, além de reduzir o HDL.
  • Obesidade: O excesso de peso, especialmente a gordura abdominal, está diretamente ligado à alteração dos lipídios.
  • Tabagismo: O cigarro danifica os vasos sanguíneos e reduz os níveis de HDL.
  • Consumo excessivo de álcool: Principalmente associado ao aumento dos triglicerídeos.
  • Doenças associadas: Diabetes mellitus, hipotireoidismo, doenças renais e hepáticas podem causar dislipidemia secundária.

Sintomas: a doença silenciosa

Um dos maiores perigos da dislipidemia é que ela geralmente não causa sintomas. A maioria das pessoas com colesterol ou triglicerídeos altos não sente absolutamente nada. Os sinais costumam aparecer apenas quando a condição já causou complicações, como a aterosclerose avançada.

Nesses casos, os sintomas estão relacionados à doença cardiovascular instalada, como dor no peito (angina), falta de ar, dor nas pernas ao caminhar ou, nos casos mais graves, os sintomas de um infarto ou AVC.

Em casos raros de dislipidemias genéticas graves, podem surgir sinais visíveis, como os xantomas (depósitos de gordura amarelados na pele, especialmente nos tendões) e os xantelasmas (pequenas bolsas de gordura nas pálpebras).

Diagnóstico e tratamento da dislipidemia

Como a condição é assintomática, o diagnóstico depende exclusivamente de exames de sangue. O médico solicita um exame chamado perfil lipídico, que mede as concentrações de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. A recomendação, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, é que todos os adultos façam essa avaliação periodicamente.

O tratamento tem como objetivo principal reduzir o risco de doenças cardiovasculares, e se baseia em dois pilares fundamentais.

Mudanças no estilo de vida

Esta é a primeira e mais importante linha de tratamento. Para muitas pessoas, apenas ajustar os hábitos diários já é suficiente para normalizar os níveis de lipídios.

  • Alimentação saudável: Reduzir o consumo de gorduras saturadas e trans, açúcar e farinhas refinadas. Aumentar o consumo de fibras solúveis é uma estratégia eficaz, e alimentos como o farelo de aveia são excelentes aliados. Priorize gorduras boas (azeite, abacate, castanhas), peixes, frutas e vegetais. Incluir frutas ricas em fibras, como a manga, também contribui, além de seus outros muitos benefícios para a saúde.
  • Atividade física: Praticar pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana (como caminhada rápida, ciclismo ou natação).
  • Controle de peso: Perder peso, mesmo que modestamente, tem um impacto significativo na melhora do perfil lipídico.
  • Cessar o tabagismo e moderar o álcool.

Tratamento medicamentoso

Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes ou quando o risco cardiovascular é muito alto, o médico pode prescrever medicamentos. As classes de remédios mais utilizadas são as estatinas (para reduzir o LDL), os fibratos (para reduzir os triglicerídeos) e outros medicamentos que podem auxiliar no controle do colesterol. A escolha do fármaco e a dose dependem do tipo de dislipidemia e do risco individual de cada paciente. O tratamento medicamentoso deve ser sempre acompanhado por um profissional de saúde.

Perguntas frequentes

O que causa a dislipidemia?

A dislipidemia pode ser causada por fatores genéticos (causas primárias), onde a pessoa herda uma dificuldade em metabolizar gorduras, ou por fatores secundários, que são os mais comuns. Estes incluem uma dieta rica em gorduras e carboidratos, sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo de álcool e outras doenças como diabetes e hipotireoidismo.

Quais são os principais sintomas da dislipidemia?

Na grande maioria dos casos, a dislipidemia não apresenta sintomas. É uma condição silenciosa, e os sinais só costumam aparecer quando surgem complicações, como doenças cardíacas. Por isso, a única forma de detectá-la é através de exames de sangue de rotina.

Como é feito o diagnóstico da dislipidemia?

O diagnóstico é feito por meio de um exame de sangue chamado perfil lipídico. Este exame mede os níveis de colesterol total, colesterol LDL (“ruim”), colesterol HDL (“bom”) e triglicerídeos. O médico avalia os resultados para determinar se há alguma alteração que necessite de tratamento.

Qual o tratamento para dislipidemia?

O tratamento se baseia em mudanças no estilo de vida, como adotar uma dieta balanceada, praticar atividade física regularmente e controlar o peso. Se essas medidas não forem suficientes para atingir as metas, o médico pode indicar o uso de medicamentos, como as estatinas, para ajudar a controlar os níveis de gordura no sangue.

A dislipidemia tem cura?

A dislipidemia é considerada uma condição crônica que pode ser controlada. Para as dislipidemias causadas pelo estilo de vida, a adoção de hábitos saudáveis pode normalizar os níveis de lipídios, funcionando como uma “cura” funcional. Já nas formas genéticas, o controle geralmente exige tratamento contínuo ao longo da vida, mas é perfeitamente possível manter a condição sob controle e viver de forma saudável.

Controlar a dislipidemia é um passo essencial para a prevenção de doenças graves e um investimento direto na sua qualidade de vida. Converse com seu médico, faça exames regulares e adote um estilo de vida que proteja seu coração e suas artérias.