Um estudo clínico randomizado traz esperança para pacientes que sofrem um tipo específico de Acidente Vascular Cerebral. A pesquisa aponta um novo tratamento para AVC causado por oclusão de vasos médios (MeVO), mostrando que a trombectomia endovascular melhora significativamente a recuperação funcional dos pacientes. Os resultados, publicados no prestigiado New England Journal of Medicine, podem mudar as diretrizes de atendimento para essa condição.

Detalhes do estudo clínico

A pesquisa, realizada na China, envolveu 360 pacientes com AVC isquêmico agudo decorrente de uma oclusão de vasos médios na circulação anterior do cérebro. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um grupo recebeu a terapia endovascular, que consiste na remoção mecânica do coágulo, somada ao tratamento médico padrão. O outro grupo recebeu apenas o tratamento médico padrão.

O objetivo principal era avaliar a independência funcional dos pacientes 90 dias após o procedimento. A independência funcional foi definida como a capacidade de realizar atividades diárias com pouca ou nenhuma ajuda, medida por uma pontuação de 0 a 2 na escala de Rankin modificada.

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Resultados promissores e segurança do procedimento

Os dados revelaram uma diferença notável entre os grupos. No grupo que passou pela trombectomia, 60,6% dos pacientes alcançaram independência funcional em 90 dias. Em comparação, apenas 47,8% dos pacientes do grupo de controle, que recebeu somente tratamento médico, atingiram o mesmo resultado. Isso representa um avanço significativo no manejo do AVC isquêmico.

Além da eficácia, a segurança do procedimento também foi um ponto positivo. A incidência de hemorragia intracraniana sintomática, uma complicação temida, foi semelhante nos dois grupos, ocorrendo em 3,3% dos pacientes da trombectomia e 2,8% do grupo de controle. Isso sugere que a terapia endovascular não acarreta um risco adicional significativo de sangramento para esses pacientes.

O que muda para os pacientes com AVC?

Até agora, a trombectomia era o padrão-ouro para oclusões em grandes vasos sanguíneos do cérebro, mas sua eficácia para a oclusão de vasos médios era incerta. Este estudo fornece a primeira evidência robusta de que a técnica também beneficia esse grupo de pacientes. Esses achados representam um dos mais importantes avanços na neurologia recente.

A expansão da indicação dessa terapia pode beneficiar um número maior de pessoas afetadas pelo AVC. Para o contexto brasileiro, onde a trombectomia já é oferecida pelo SUS para casos selecionados, essa nova evidência pode embasar a ampliação do acesso ao procedimento. A atualização de protocolos clínicos pode incluir pacientes com oclusão de vasos médios, melhorando o prognóstico de condições neurológicas complexas, como o AVC e outras que afetam a qualidade de vida, como a distonia.

A confirmação de que a terapia endovascular é segura e eficaz para um novo perfil de pacientes abre portas para que mais vidas sejam salvas e sequelas graves sejam evitadas. A comunidade médica agora aguarda a incorporação desses resultados nas diretrizes globais de tratamento do AVC.