Melatonina
A melatonina é um hormônio que regula o ciclo sono-vigília. Como suplemento, é utilizada para auxiliar no tratamento de distúrbios do sono, como a insônia de início e o jet lag, ajudando a sincronizar o relógio biológico.
A melatonina, frequentemente chamada de “hormônio do sono”, é uma substância produzida naturalmente pela glândula pineal no cérebro, principalmente durante a escuridão. Sua função primordial é regular o ritmo circadiano, o nosso relógio biológico interno de 24 horas, que controla os ciclos de sono e vigília. Recentemente, a melatonina tornou-se disponível como suplemento alimentar no Brasil, gerando grande interesse e muitas dúvidas sobre seu uso, eficácia e segurança.
Este verbete tem como objetivo esclarecer o que é a melatonina, como ela funciona no organismo, para que serve a suplementação, as doses recomendadas, os cuidados necessários e o que a ciência diz sobre seus benefícios e riscos.
O que é a melatonina
A melatonina é um hormônio derivado do aminoácido triptofano. Sua produção é controlada pela luz: a exposição à luz (especialmente a luz azul de telas de celulares, computadores e televisores) inibe sua produção, enquanto a escuridão a estimula. O pico de produção de melatonina ocorre no meio da noite, sinalizando para o corpo que é hora de dormir.
É importante entender que a melatonina não é um sedativo ou um sonífero como os medicamentos tarjados para dormir. Ela não “desliga” o cérebro. Sua ação é a de um cronobiótico, ou seja, um regulador do tempo biológico. Ela informa ao cérebro que está escuro e que as condições são propícias para o sono, ajudando a sincronizar o relógio interno com o ciclo dia-noite do ambiente.
Para que serve a suplementação
A suplementação de melatonina visa fornecer ao corpo uma dose exógena do hormônio para ajudar a regular o sono em situações específicas. Seus usos mais bem estabelecidos são:
Jet lag
Ao viajar por múltiplos fusos horários, o relógio biológico fica dessincronizado com o horário local, causando sintomas como fadiga, insônia e irritabilidade. A melatonina, tomada no horário de dormir do novo local, pode ajudar a acelerar o reajuste do ritmo circadiano, sendo este um de seus usos com maior nível de evidência.
Insônia de início do sono
Pessoas que têm dificuldade em “pegar no sono” (aumento da latência do sono) podem se beneficiar da melatonina. Tomada cerca de 30 a 60 minutos antes do horário desejado de dormir, ela pode ajudar a sinalizar o início do período de sono e reduzir o tempo necessário para adormecer.
Distúrbio da fase de sono atrasada
Nesta condição, comum em adolescentes e adultos jovens, a pessoa se sente naturalmente disposta a dormir e acordar muito mais tarde que o convencional (por exemplo, dormir às 3h da manhã e acordar ao meio-dia). A melatonina em doses baixas, tomada no início da noite, pode ajudar a adiantar gradualmente o ciclo de sono.
Trabalhadores noturnos
Para pessoas que trabalham em turnos e precisam dormir durante o dia, a melatonina pode ajudar a promover o sono em um horário em que o corpo normalmente estaria desperto, embora sua eficácia neste cenário seja mais variável.
Como tomar
O princípio com a melatonina é “menos é mais”. Ao contrário de muitos suplementos, doses maiores não são necessariamente mais eficazes e podem, inclusive, causar mais efeitos colaterais, como sonolência diurna.
No Brasil, a Anvisa autorizou a comercialização de melatonina como suplemento alimentar na dose máxima de 0,21 mg por dia, destinada a adultos. Em outros países, doses de 1 mg, 3 mg, 5 mg ou mais são comuns, mas devem ser usadas com orientação profissional.
O momento da ingestão é crucial. Para a maioria dos usos, a melatonina deve ser tomada de 30 a 90 minutos antes do horário de dormir. Tomá-la no meio do dia, por exemplo, pode desregular ainda mais o relógio biológico.
Quem deve evitar
Embora seja considerada segura para uso a curto prazo na maioria dos adultos saudáveis, algumas populações devem ter cautela ou evitar a melatonina:
- Gestantes e lactantes: Não há estudos de segurança suficientes para este grupo.
- Pessoas com doenças autoimunes: A melatonina pode estimular a resposta imune, o que poderia teoricamente agravar condições como artrite reumatoide ou lúpus.
- Pessoas com depressão: A melatonina pode, em alguns casos, piorar os sintomas depressivos.
- Crianças e adolescentes: O uso deve ser restrito a casos específicos e sempre sob supervisão médica, pois a melatonina é um hormônio que pode interferir no desenvolvimento puberal.
Sempre consulte um médico antes de iniciar a suplementação, especialmente se você tiver alguma condição de saúde ou tomar outros medicamentos.
Efeitos colaterais e interações
Os efeitos colaterais da melatonina são geralmente leves e pouco frequentes quando usada em doses baixas. Os mais comuns incluem:
- Sonolência diurna ou “ressaca” no dia seguinte, especialmente com doses mais altas.
- Tontura.
- Dor de cabeça.
- Náusea.
- Sonhos vívidos ou pesadelos.
A melatonina pode interagir com vários medicamentos:
- Anticoagulantes e antiplaquetários (ex: varfarina, aspirina): Pode aumentar o risco de sangramento.
- Anticonvulsivantes: Pode diminuir a eficácia de alguns medicamentos para convulsões.
- Medicamentos para pressão arterial: Pode afetar a pressão arterial.
- Imunossupressores: Pode interferir na eficácia desses medicamentos.
- Antidepressivos: Pode aumentar os efeitos sedativos de alguns antidepressivos.
O que diz a ciência
A ciência confirma a eficácia da melatonina para o jet lag e para reduzir o tempo de início do sono em pessoas com insônia primária. Uma meta-análise publicada no periódico PLOS One concluiu que a melatonina diminui a latência do sono, aumenta o tempo total de sono e melhora a qualidade geral do sono. No entanto, os efeitos são modestos. Para a insônia crônica, a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) ainda é considerada o tratamento de primeira linha. A regulamentação da melatonina como suplemento no Brasil pela Anvisa (RDC nº 586/2021) reconhece sua segurança na dose de 0,21 mg para adultos, mas reforça que ela não se destina a tratar doenças, e sim a complementar a dieta.
Identificação
- Categoria
- Hormônio e regulador do sono
- Forma química
- N-acetil-5-metoxitriptamina
- Forma farmacêutica
- Comprimido
Para que serve
A suplementação de melatonina serve para ajudar a regular o ciclo sono-vigília, sendo indicada principalmente para o tratamento do jet lag, para reduzir o tempo de início do sono (insônia inicial) e para distúrbios do ritmo circadiano.
Benefícios baseados em evidência
-
Redução dos sintomas de jet lag
Evidência Alta
A melatonina é altamente eficaz em ajudar o corpo a se reajustar a um novo fuso horário mais rapidamente.
-
Redução da latência do sono
Evidência Moderada
Estudos mostram que a melatonina pode diminuir o tempo que uma pessoa leva para adormecer, embora o efeito seja modesto.
-
Melhora da qualidade do sono em idosos
Evidência Moderada
Pode ser útil para idosos, cuja produção natural de melatonina está diminuída, ajudando a consolidar o sono.
Mecanismo de ação
A melatonina suplementar atua nos receptores MT1 e MT2 no núcleo supraquiasmático do cérebro, o 'relógio mestre'. Isso ajuda a sincronizar o ritmo circadiano com o ciclo de 24 horas, sinalizando ao corpo que a noite chegou e que é hora de se preparar para dormir.
Dose & uso
Dose recomendada
A dose autorizada pela Anvisa para suplementos é de 0,21 mg por dia para adultos. Doses maiores devem ser usadas apenas com prescrição e acompanhamento médico. O ideal é sempre começar com a menor dose eficaz.
- Dose máxima diária
- 0,21 mg/dia (como suplemento no Brasil)
- Quando tomar
- Antes de dormir
- Tempo até resultado
- 30-90 minutos para efeito agudo; dias para ajuste de ritmo
- Tempo de uso contínuo
- Uso a curto prazo (até 3 meses) é considerado seguro. Uso a longo prazo carece de mais estudos.
Quem deve evitar
Gestantes, lactantes, crianças, pessoas com doenças autoimunes ou depressão devem evitar ou usar apenas sob estrita supervisão médica. Consulte um profissional de saúde antes de usar.
Efeitos colaterais
-
Sonolência diurna
Pode ocorrer no dia seguinte, especialmente com doses mais altas ou se tomada fora do horário correto.
-
Tontura e dor de cabeça
Efeitos colaterais possíveis, mas geralmente leves e transitórios.
Interações com medicamentos
| Medicamento / classe | Severidade | Descrição |
|---|---|---|
| Anticoagulantes (ex: varfarina) | Moderada | A melatonina pode aumentar o risco de sangramento quando usada com esses medicamentos. |
| Imunossupressores | Moderada | Pode interferir na ação de medicamentos usados para suprimir o sistema imunológico, como em transplantados. |
Estudos científicos
Regulatório
- Categoria Anvisa
- Alimento
Perguntas frequentes
Melatonina vicia?
A melatonina não é considerada uma substância viciante e não causa dependência física como os soníferos tarjados. No entanto, o uso crônico pode levar a uma dependência psicológica para dormir.
Posso tomar melatonina toda noite?
O uso a curto prazo (até três meses) é considerado seguro para a maioria dos adultos. O uso a longo prazo ainda carece de mais estudos de segurança. É ideal usá-la para resolver um problema específico (como jet lag) e não como uma solução permanente para dormir.
Qual a dose correta de melatonina?
No Brasil, a dose autorizada para suplementos é de 0,21 mg. Em geral, doses baixas (0,3 mg a 1 mg) são eficazes para regular o relógio biológico. Doses maiores não são necessariamente melhores e aumentam o risco de efeitos colaterais.
Melatonina é um sonífero natural?
Não exatamente. Ela não induz o sono da mesma forma que um medicamento sonífero. A melatonina é um regulador do ritmo circadiano, sinalizando que é noite e facilitando o início do sono, mas não 'força' o cérebro a dormir.
Tomar melatonina pode me deixar sonolento no dia seguinte?
Sim, especialmente se a dose for muito alta ou se for tomada muito tarde da noite. Esse efeito de 'ressaca' é um dos efeitos colaterais mais comuns. Começar com a menor dose possível pode ajudar a evitar isso.
Posso beber álcool se tomar melatonina?
Não é recomendado. O álcool pode interferir na eficácia da melatonina e potencializar a sonolência e a tontura, além de piorar a qualidade do sono na segunda metade da noite.