O zinco é um micronutriente essencial, o que significa que o corpo precisa dele em pequenas quantidades para manter a saúde, mas não consegue produzi-lo ou armazená-lo. Portanto, uma ingestão diária constante através da dieta ou de suplementos é necessária para o funcionamento de centenas de processos importantes. Ele é o segundo mineral traço mais abundante no corpo, depois do ferro, e desempenha um papel crítico na função imunológica, na cicatrização de feridas, na síntese de proteínas e DNA, na divisão celular e até mesmo nos sentidos do olfato e paladar. Sua importância para o sistema de defesa do corpo o tornou um suplemento popular, especialmente para a prevenção e o tratamento de infecções como o resfriado comum.

O que é o zinco

O zinco é um mineral que atua como um catalisador ou componente estrutural para mais de 300 enzimas diferentes no corpo. Essas enzimas estão envolvidas em praticamente todos os aspectos do metabolismo. Ele é encontrado em células por todo o corpo, mas está em maior concentração nos músculos, ossos, pele, rins, fígado, pâncreas e, nos homens, na próstata.

Assim como o magnésio, os suplementos de zinco vêm em várias formas, ligadas a diferentes compostos para melhorar a estabilidade e a absorção. As formas mais comuns incluem:

  • Gluconato de Zinco: Uma das formas mais comuns e acessíveis, frequentemente encontrada em pastilhas para resfriado e outros suplementos.
  • Picolinato de Zinco: Zinco quelado com ácido picolínico. Alguns estudos sugerem que esta forma pode ser mais bem absorvida pelo corpo do que outras, como o gluconato ou o citrato.
  • Sulfato de Zinco: Usado historicamente para tratar a deficiência de zinco, mas pode ser mais propenso a causar desconforto estomacal.
  • Citrato de Zinco: Demonstrou ser tão bem absorvido quanto o gluconato, mas com um sabor mais agradável, sendo uma boa opção para formas líquidas ou mastigáveis.

A escolha da forma pode influenciar a absorção e a tolerância, mas o mais importante é garantir uma ingestão adequada de zinco elementar.

Benefícios baseados em evidência

A suplementação de zinco é mais benéfica para indivíduos com deficiência ou com risco aumentado para tal, mas também oferece benefícios terapêuticos em outras situações.

Fortalecimento do sistema imunológico

Este é o benefício mais conhecido do zinco. O mineral é crucial para o desenvolvimento e a função das células imunes, incluindo neutrófilos, macrófagos e linfócitos T. Mesmo uma deficiência leve de zinco pode prejudicar a função imune e aumentar a suscetibilidade a infecções. A suplementação, especialmente em idosos e pessoas com baixos níveis de zinco, pode restaurar a função imune. Além disso, estudos (meta-análises da Cochrane) mostram que tomar pastilhas de zinco (gluconato ou acetato) logo no início de um resfriado comum pode reduzir sua duração em cerca de um dia e diminuir a gravidade dos sintomas.

Cicatrização de feridas e saúde da pele

O zinco desempenha um papel vital na manutenção da integridade e estrutura da pele. Ele é necessário para a síntese de colágeno e para a resposta inflamatória adequada, ambos essenciais para a cicatrização. Pacientes com úlceras crônicas ou feridas que não cicatrizam muitas vezes apresentam deficiência de zinco, e a suplementação pode acelerar o processo de recuperação. Além disso, o zinco tem sido estudado e utilizado no tratamento da acne, possivelmente devido às suas propriedades anti-inflamatórias e sua capacidade de regular a produção de sebo.

Crescimento e desenvolvimento

O zinco é fundamental para a divisão celular e a síntese de DNA, tornando-o absolutamente essencial para o crescimento rápido durante a gravidez, infância e adolescência. A deficiência de zinco em crianças pode levar a atrasos no crescimento, desenvolvimento sexual retardado e maior risco de infecções.

Como tomar

A suplementação de zinco deve ser feita com conhecimento e cautela para evitar toxicidade.

Dosagem: A Ingestão Diária Recomendada (IDR) para adultos é de 8 mg para mulheres e 11 mg para homens. As doses de suplementação para tratar deficiências ou para fins terapêuticos (como no resfriado) são geralmente mais altas, variando de 15 mg a 50 mg de zinco elementar por dia. É crucial não exceder o Limite Superior Tolerável (UL) de 40 mg por dia de forma crônica sem supervisão médica.

Horário e Administração: O zinco pode causar náuseas e desconforto estomacal, especialmente se tomado com o estômago vazio. Tomá-lo junto com uma refeição pode ajudar a minimizar esse efeito colateral. No entanto, a absorção do zinco pode ser reduzida por fitatos (encontrados em grãos integrais, legumes e nozes) e por altas doses de cálcio e ferro. Portanto, pode ser melhor tomá-lo com uma refeição pobre nesses componentes ou com algumas horas de intervalo de outros suplementos minerais.

Quem deve evitar e efeitos colaterais

O uso excessivo de zinco pode ser tóxico e levar a sérios problemas de saúde.

Toxicidade aguda: A ingestão de altas doses de zinco (acima de 200 mg) de uma só vez pode causar vômitos, cólicas abdominais, diarreia e dores de cabeça.

Toxicidade crônica e deficiência de cobre: Este é o risco mais significativo do uso prolongado de suplementos de zinco em doses elevadas (acima de 50 mg/dia). O excesso de zinco no corpo interfere na absorção e no metabolismo do cobre, outro mineral essencial. A deficiência de cobre induzida pelo zinco pode levar a problemas neurológicos graves (como dormência e fraqueza nos membros), anemia e neutropenia (baixa contagem de glóbulos brancos), aumentando o risco de infecções. Por isso, a suplementação crônica de zinco deve ser sempre monitorada por um profissional de saúde, que pode recomendar a co-suplementação com cobre.

Sprays nasais de zinco: Devem ser evitados, pois foram associados à perda permanente ou temporária do olfato (anosmia).

Interações com outros medicamentos e nutrientes

O zinco pode interagir com vários medicamentos e nutrientes, afetando sua absorção e eficácia.

  • Antibióticos (Quinolonas e Tetraciclinas): Assim como o magnésio, o zinco pode se ligar a esses antibióticos no intestino, diminuindo a absorção de ambos. É recomendado um intervalo de 2 a 6 horas entre a administração do zinco e do antibiótico.
  • Penicilamina: Um medicamento usado para tratar a artrite reumatoide e a doença de Wilson. O zinco pode reduzir a absorção e a ação da penicilamina.
  • Diuréticos tiazídicos: Medicamentos como a hidroclorotiazida podem aumentar a perda de zinco pela urina.
  • Ferro e Cálcio: Altas doses de suplementos de ferro e cálcio podem diminuir a absorção de zinco se tomados ao mesmo tempo. É melhor espaçar a ingestão desses minerais ao longo do dia.

A comunicação aberta com seu médico ou farmacêutico sobre o uso de suplementos de zinco é fundamental para garantir um uso seguro e eficaz.