Um novo e importante estudo avaliou a eficácia do ensitrelvir para profilaxia de Covid-19 em pessoas expostas ao vírus, mas os resultados não foram os esperados. A pesquisa, publicada no The New England Journal of Medicine (NEJM), concluiu que o antiviral oral não foi eficaz em prevenir o desenvolvimento da doença sintomática em contatos domiciliares de pacientes infectados.

O ensaio clínico de fase 3, randomizado e controlado por placebo, foi interrompido precocemente por futilidade, ou seja, porque os dados iniciais mostraram ser improvável que o tratamento demonstrasse benefício.

Estudo do NEJM não encontra benefício na profilaxia

A pesquisa, conduzida no Japão, envolveu participantes que viviam com alguém recém-diagnosticado com Covid-19. Eles foram divididos em dois grupos: um recebeu ensitrelvir e o outro, um placebo, por cinco dias. O objetivo principal era verificar se o medicamento poderia impedir que esses contatos próximos desenvolvessem Covid-19 com sintomas.

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De acordo com os dados publicados no The New England Journal of Medicine, a proporção de participantes que desenvolveram a doença foi praticamente idêntica nos dois grupos. No grupo que tomou ensitrelvir, 17,5% desenvolveram Covid-19 sintomática, em comparação com 17,7% no grupo placebo. A diferença não foi estatisticamente significativa.

O estudo sobre o ensitrelvir Covid-19 também avaliou outros desfechos, como a carga viral e a duração dos sintomas, mas não encontrou vantagens significativas para o grupo que utilizou o medicamento na profilaxia pós-exposição.

Detalhes e implicações da pesquisa

O ensitrelvir é um inibidor da protease 3CL, um tipo de tratamento antiviral Covid que age bloqueando uma enzima essencial para a replicação do SARS-CoV-2. O medicamento já possui aprovação no Japão para o tratamento de casos leves a moderados da doença, mas seu uso como profilaxia ainda não havia sido comprovado.

O resultado negativo deste estudo NEJM é um lembrete da complexidade no desenvolvimento de novas terapias. Ele reforça a importância de ensaios clínicos rigorosos para validar a eficácia de qualquer intervenção médica. A busca por ferramentas eficazes é um processo contínuo, que envolve desde a pesquisa básica até a produção de medicamentos e vacinas em larga escala.

Apesar de não ter se mostrado eficaz para a prevenção, o estudo observou que o ensitrelvir foi bem tolerado, com eventos adversos semelhantes aos do grupo placebo e, em sua maioria, de natureza leve.

Contexto e o futuro dos antivirais

No Brasil, o ensitrelvir não possui registro na Anvisa e, portanto, não é utilizado. O principal antiviral oral disponível no SUS para grupos de risco é o nirmatrelvir/ritonavir (Paxlovid). A notícia sobre o ensitrelvir não altera as atuais diretrizes de tratamento ou prevenção da Covid-19 no país.

A busca por antivirais eficazes, tanto para tratamento quanto para profilaxia, é parte de uma estratégia global maior de preparação para futuras pandemias de vírus respiratórios. Enquanto a ciência avança em frentes como o desenvolvimento de novos tratamentos para AVC, a pesquisa na área de infectologia permanece uma prioridade.

Embora os resultados para a profilaxia pós-exposição tenham sido desanimadores, a pesquisa científica continua. Cada estudo, mesmo com conclusões negativas, fornece informações valiosas que guiam os próximos passos da comunidade médica e científica na luta contra a Covid-19 e outras doenças.