Milhões de mulheres podem futuramente evitar o tratamento de câncer de mama com quimioterapia, segundo um estudo internacional de grande impacto. A pesquisa, publicada na revista científica Nature e reportada pela rede de notícias BBC, demonstra que para um grupo específico de pacientes com o tipo mais comum da doença, a quimioterapia pode não ser necessária. Isso pode poupá-las dos severos efeitos colaterais sem comprometer a taxa de sobrevivência.
A descoberta representa um avanço significativo na personalização do tratamento oncológico, oferecendo uma alternativa mais segura para um número expressivo de pacientes em todo o mundo.
Um novo teste genético como divisor de águas
A base da descoberta é um novo teste genético que analisa a atividade de 70 genes em uma amostra do tumor. Este teste, conhecido como MammaPrint, consegue classificar o tumor como de “alto risco” ou “baixo risco” de recorrência, ou seja, de o câncer voltar após o tratamento inicial.
O estudo, chamado MINDACT, acompanhou quase 6.700 mulheres por um período de oito anos. Os resultados foram claros: as mulheres que o teste genético classificou como de baixo risco e que não fizeram quimioterapia tiveram uma taxa de sobrevivência superior a 95%. Esse número é praticamente idêntico ao do grupo que passou pelo tratamento quimioterápico.
Esses dados fornecem, segundo os autores, a mais alta qualidade de evidência científica para de fato evitar a quimioterapia em pacientes com esse perfil de baixo risco, mudando um paradigma no tratamento do câncer de mama.
Quem pode se beneficiar com a mudança?
A pesquisa se concentra no tipo mais comum de câncer de mama: o receptor de estrogênio positivo (ER+), HER2-negativo e que ainda não se espalhou para os gânglios linfáticos. Estima-se que este perfil corresponda a cerca de metade de todos os diagnósticos da doença.
Para essas mulheres, a decisão sobre fazer ou não quimioterapia após a cirurgia sempre foi um dilema. Agora, o novo teste genético oferece uma ferramenta mais precisa para guiar essa escolha. O objetivo é mover-se de uma abordagem de “tamanho único” para uma medicina de precisão, onde cada paciente recebe o tratamento mais adequado para seu caso específico.
Essa personalização é uma tendência crescente na oncologia, buscando otimizar os resultados e a qualidade de vida, assim como visto em outras áreas, como na terapia celular para diferentes tipos de câncer.
O impacto na qualidade de vida das pacientes
A possibilidade de evitar a quimioterapia é uma notícia transformadora. O tratamento é conhecido por seus efeitos colaterais agressivos, que incluem náuseas, fadiga extrema, queda de cabelo e um risco aumentado de infecções. Além disso, pode haver consequências de longo prazo, como danos ao coração e nervos.
Ao dispensar a quimioterapia para quem não precisa, a medicina não apenas melhora a qualidade de vida durante e após o tratamento, mas também reduz custos e recursos do sistema de saúde. É fundamental que a mulher esteja atenta aos sinais do seu corpo, procurando um médico ao notar qualquer alteração, como o surgimento de um caroço na mama ou em outra região.
Este estudo reforça a importância de uma abordagem menos agressiva quando possível. A validação de um novo teste para o câncer de mama é um passo fundamental para garantir que apenas as pacientes que realmente se beneficiarão da quimioterapia sejam submetidas a ela.