A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu um passo fundamental para a autonomia farmacêutica do Brasil ao iniciar a produção de imunossupressor SUS de forma 100% nacional. O medicamento, chamado tacrolimo, é essencial para pacientes que passaram por transplantes de órgãos, pois atua na prevenção da rejeição. A iniciativa garante o abastecimento e fortalece o sistema público de saúde.

Essa produção integralmente brasileira, realizada pela unidade Farmanguinhos/Fiocruz, significa que tanto o medicamento final quanto sua matéria-prima principal, o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), são fabricados no país. Até então, o Brasil importava o IFA, o que deixava o fornecimento vulnerável a flutuações cambiais e crises logísticas internacionais.

A importância do tacrolimo para pacientes transplantados

O tacrolimo é um medicamento de uso contínuo para pessoas que receberam um novo órgão, como rim, fígado ou coração. Sua função é modular o sistema imunológico para que as células de defesa do corpo não ataquem e rejeitem o órgão transplantado. A falha no tratamento pode levar à perda do enxerto e a graves complicações de saúde.

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Com a produção local, o programa de Fiocruz transplantes e o SUS como um todo ganham mais segurança no fornecimento do fármaco. A demanda estimada para 2024, segundo a fundação, é de cerca de 30 milhões de unidades farmacêuticas, entre cápsulas de 0,5 mg e 1 mg.

Um marco para a saúde pública no Brasil

A nacionalização da produção do tacrolimo é um avanço estratégico para a saúde pública Brasil. A medida fortalece o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), um programa do governo que visa reduzir a dependência externa do país em produtos e tecnologias de saúde. Além de garantir a soberania produtiva, a fabricação local tende a gerar economia para os cofres públicos a médio e longo prazo.

Conforme anunciado pelo Ministério da Saúde, a iniciativa coloca o Brasil em um seleto grupo de nações capazes de dominar toda a cadeia produtiva de um medicamento de alta complexidade. A capacidade de produzir fármacos estratégicos internamente é um pilar para a oferta de tratamentos de alto custo no SUS, assegurando o acesso da população.

Detalhes da produção nacional

O desenvolvimento do IFA nacional do tacrolimo foi concluído pela Fiocruz e recebeu o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023. A produção ocorre no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) de Farmanguinhos, localizado em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Este projeto é resultado de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o laboratório público e uma empresa privada. Esse modelo de cooperação tem sido essencial para viabilizar a transferência de tecnologia e ampliar a capacidade nacional de produção de medicamentos SUS, um desafio constante para a gestão do sistema, assim como a disponibilização de medicamentos no SUS para outras condições.

A fabricação deste imunossupressor nacional não apenas atende a uma necessidade imediata dos pacientes transplantados, mas também abre portas para o desenvolvimento de outros fármacos essenciais. O domínio dessa tecnologia reforça o papel da Fiocruz como instituição estratégica para a saúde dos brasileiros e para a autonomia do país no cenário global.