A relação entre mudanças climáticas, doenças respiratórias e o SUS está cada vez mais evidente, sobrecarregando o sistema de saúde brasileiro. Eventos climáticos extremos, como ondas de calor, frentes frias intensas e longos períodos de estiagem, estão diretamente ligados ao aumento de crises de asma, bronquite e infecções respiratórias, pressionando o atendimento em todo o país.

De acordo com especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, o cenário atual já demonstra os efeitos concretos do impacto climático na saúde. A instabilidade do tempo não apenas agrava condições preexistentes, mas também cria um ambiente propício para a maior circulação de vírus.

O impacto direto do clima na saúde respiratória

As alterações no clima afetam o sistema respiratório de múltiplas formas. O ar mais seco e quente, característico de ondas de calor, irrita as vias aéreas, resseca as mucosas e diminui a proteção natural do corpo contra patógenos. Isso facilita a entrada de vírus e bactérias, aumentando o risco de infecções.

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Além disso, a poluição atmosférica, frequentemente intensificada por períodos sem chuva e por queimadas, atua como um forte gatilho para crises de asma, rinite alérgica e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). As partículas finas presentes na fumaça e no ar poluído penetram profundamente nos pulmões, causando inflamação e dificultando a respiração.

A pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS)

Essa nova dinâmica climática se traduz em uma pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde. Unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais registram picos de internações por problemas respiratórios que não se limitam mais aos meses de inverno. A sazonalidade das doenças respiratórias está se tornando menos previsível, dificultando o planejamento de recursos do SUS.

A maior circulação de vírus respiratórios, como os responsáveis por casos de Influenza A e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), ocorre durante todo o ano. Isso exige uma vigilância epidemiológica constante e reforça a importância da vacinação contra a gripe como ferramenta de prevenção para reduzir casos graves e hospitalizações.

Desafios e estratégias para a saúde ambiental

Enfrentar este cenário complexo exige uma abordagem integrada de saúde ambiental. Especialistas defendem a criação de políticas públicas que conectem as agendas de saúde e meio ambiente. Uma das principais estratégias é o desenvolvimento de sistemas de alerta para a população sobre a qualidade do ar e a ocorrência de eventos climáticos extremos.

O fortalecimento da atenção primária é outro ponto fundamental para orientar a população sobre medidas preventivas, como hidratação, uso de umidificadores e cuidados redobrados para grupos vulneráveis, como crianças e idosos. Ações de monitoramento de ondas de calor e seus efeitos na saúde já são discutidas como parte da solução. Um estudo publicado no portal SciELO destaca a vulnerabilidade do sistema de saúde brasileiro aos impactos climáticos e a necessidade de adaptação.

A adaptação do sistema de saúde e a implementação de políticas ambientais eficazes são, portanto, cruciais. Cuidar do clima é, cada vez mais, uma forma direta de proteger a saúde da população e garantir a sustentabilidade do SUS para as futuras gerações.