O Ministério da Saúde anunciou uma mudança significativa na prevenção ao câncer no Brasil. A nova portaria oficializa o rastreamento de câncer de intestino no SUS por meio de um novo método de exame, que permite a detecção da doença antes mesmo do surgimento de sintomas. A medida tem como objetivo principal reduzir a mortalidade pelo câncer colorretal, um dos mais incidentes no país.
A estratégia de rastreamento será focada em homens e mulheres na faixa etária de 50 a 75 anos, considerados o grupo de maior risco. A incorporação representa um avanço para o diagnóstico precoce da doença.
Como vai funcionar o novo rastreamento
O novo protocolo de rastreamento utilizará o teste imunofecal (FIT), um exame de fezes moderno, prático e não invasivo. O paciente poderá coletar a amostra em casa e entregá-la na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para análise.
O teste FIT é mais específico que o método anterior (pesquisa de sangue oculto com guaiaco), o que diminui a chance de resultados falso-positivos. Caso o resultado do teste seja positivo, indicando a presença de sangue não visível nas fezes, o paciente será encaminhado para a realização de uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico e, se necessário, remover lesões pré-cancerígenas.
A importância do diagnóstico precoce no câncer colorretal
O câncer colorretal abrange tumores que atingem o intestino grosso (cólon) e o reto. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil. Quando o diagnóstico é feito em estágio inicial, as chances de cura são superiores a 90%.
Muitas vezes, a doença não apresenta sintomas em suas fases iniciais. Quando sinais como dor abdominal, mudança no hábito intestinal e emagrecimento sem causa aparente surgem, o tumor já pode estar em um estágio avançado. Por isso, o rastreamento em pessoas assintomáticas é a ferramenta mais eficaz para salvar vidas.
Impacto da nova política de saúde pública
A implementação deste programa representa um avanço na política de saúde do país. A medida, detalhada em portaria ministerial, visa reduzir a mortalidade pela doença, segundo reportagem do G1. A iniciativa se alinha a outras estratégias do SUS para ampliar o acesso a diagnósticos, como a oferta de testes genéticos para câncer de mama em casos específicos.
O tratamento do câncer em estágio avançado gera um custo muito maior para o sistema de saúde e um sofrimento imenso para o paciente e sua família. Ao investir no rastreamento e no diagnóstico precoce, o SUS pode otimizar recursos e, principalmente, aumentar a sobrevida da população. A colonoscopia, exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, também investiga outras condições, como a diverticulite. Embora outros exames de imagem, como a ultrassonografia, sejam importantes no SUS, o caminho para o câncer de intestino será o teste FIT seguido de colonoscopia.
A expectativa é que a implementação do novo exame de rastreamento de câncer de intestino no SUS comece nos próximos meses, com a distribuição dos kits e o treinamento das equipes de saúde. A adesão da população ao programa será fundamental para o sucesso da iniciativa.