O Ministério da Saúde aprovou a incorporação de uma nova tecnologia crucial para a luta contra o câncer. O teste genético para câncer de mama no SUS agora é uma realidade para um grupo específico de pacientes e seus familiares, representando um avanço significativo no diagnóstico e prevenção da doença no país. A medida visa identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas a um risco elevado de desenvolver tumores de mama e ovário.

A decisão, oficializada após recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), foca em mulheres já diagnosticadas com a doença para guiar o tratamento e em seus parentes saudáveis para avaliar o risco hereditário. A partir da publicação da portaria, o ministério tem 180 dias para disponibilizar o exame na rede pública.

Como funciona o novo teste genético?

O exame incorporado ao SUS é um painel de sequenciamento de nova geração (NGS) que analisa especificamente os genes BRCA1 e BRCA2. Mutações hereditárias nesses genes são responsáveis por cerca de 5% a 10% de todos os casos de câncer de mama e por aproximadamente 15% dos casos de câncer de ovário.

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Identificar uma mutação em uma pessoa já diagnosticada com câncer pode direcionar a equipe médica para terapias-alvo mais eficazes, como os inibidores de PARP. Para os familiares saudáveis que também herdam a mutação, o resultado do teste permite a adoção de estratégias intensivas de `rastreamento genético` e redução de risco, como exames de imagem mais frequentes ou cirurgias preventivas.

Quem pode fazer o teste pelo SUS?

A oferta do teste não será universal. A Conitec estabeleceu critérios claros para garantir que o recurso seja utilizado pela população de maior risco, otimizando as `políticas públicas de saúde`. Terão direito ao exame pelo SUS:

  • Mulheres com diagnóstico de câncer de mama antes dos 45 anos.
  • Mulheres com câncer de mama do tipo triplo-negativo diagnosticado antes dos 60 anos.
  • Mulheres com diagnóstico de câncer de ovário.
  • Homens com diagnóstico de câncer de mama.
  • Pacientes com câncer que já possuem um familiar com mutação conhecida em BRCA1 ou BRCA2.

Caso um paciente se encaixe nesses critérios e o teste confirme a presença de uma mutação, seus familiares consanguíneos de primeiro grau (pais, irmãos e filhos) também terão direito a realizar o teste para fins de prevenção e `diagnóstico precoce câncer`.

Qual o impacto para pacientes e famílias?

A inclusão do teste genético no SUS tem um duplo impacto. Para quem já enfrenta a doença, abre a porta para um tratamento personalizado e potencialmente mais eficaz. Para os familiares, o conhecimento do risco genético é uma ferramenta poderosa para a prevenção, alinhada com as melhores práticas de cuidado com a saúde da mulher.

A medida permite que indivíduos de alto risco sejam monitorados de perto, aumentando as chances de detectar um possível tumor em estágio inicial, quando o tratamento é mais simples e as taxas de cura são maiores. A importância do rastreamento em famílias de risco é amplamente documentada em estudos sobre câncer de mama hereditário. A incorporação de novas tecnologias ao sistema público, como esta, envolve análises complexas sobre custo e efetividade, um tema recorrente em debates sobre o preço de medicamentos no SUS.

A chegada deste teste genético à rede pública é um marco para a oncologia no Brasil. A medida alinha o SUS às diretrizes internacionais de tratamento e prevenção do câncer hereditário, promovendo mais equidade no acesso à medicina de precisão e oferecendo novas esperanças para milhares de famílias em todo o país.