Dipirona sódica
Dipirona (metamizol) é um potente analgésico e antitérmico para dor e febre intensas. Seu uso é limitado em alguns países pelo risco raro de agranulocitose, uma condição sanguínea grave. Requer atenção aos sinais de alerta.
A dipirona, também conhecida pelo seu nome químico metamizol, é um dos analgésicos e antitérmicos mais prescritos e utilizados no Brasil. Famosa por sua eficácia no combate a dores de intensidade moderada a grave e febres altas que não respondem a outros medicamentos, a dipirona é um item comum em muitas farmácias domésticas. Apesar de sua popularidade e disponibilidade, inclusive em apresentações sem receita médica, a dipirona é objeto de um debate internacional. Seu uso é proibido ou restrito em vários países, como Estados Unidos e Reino Unido, devido a uma associação com um efeito colateral raro, mas potencialmente fatal, chamado agranulocitose.
O que é a dipirona sódica
A dipirona sódica é um medicamento que pertence a um grupo de fármacos conhecidos como pirazolonas. Ela possui fortes propriedades analgésicas (alívio da dor) e antipiréticas (redução da febre), além de uma leve atividade espasmolítica (alivia cólicas e espasmos). Diferente dos AINEs clássicos como o ibuprofeno, sua ação anti-inflamatória é considerada fraca. A dipirona foi sintetizada na Alemanha em 1920 e se tornou um medicamento popular em todo o mundo até que, a partir da década de 1970, surgiram os primeiros relatos consistentes sobre o risco de agranulocitose, levando à sua retirada de vários mercados.
Para que serve
No Brasil e em outros países onde é aprovada, a dipirona é indicada principalmente para o tratamento de curto prazo de condições dolorosas e febris. Suas principais indicações incluem:
- Dores agudas: É frequentemente usada para dores de cabeça intensas, dores de dente, dores pós-operatórias e pós-traumáticas.
- Febre alta: É uma opção eficaz quando outros antitérmicos, como o paracetamol ou o ibuprofeno, não são suficientes para controlar a temperatura.
- Dores tipo cólica: Sua ação espasmolítica a torna útil para o alívio de cólicas renais, biliares e intestinais.
- Dor oncológica: Pode ser utilizada como parte do manejo da dor em pacientes com câncer.
A dipirona está disponível em várias formas, incluindo comprimidos, solução oral (gotas), supositórios e solução injetável para uso hospitalar, permitindo uma ampla gama de aplicações.
Como funciona no organismo
O mecanismo de ação da dipirona não é totalmente elucidado, mas acredita-se que ela atue de maneira complexa e em múltiplos níveis. Assim como outros analgésicos, ela parece inibir a síntese de prostaglandinas no sistema nervoso central, o que explica seus efeitos analgésico e antitérmico. No entanto, estudos sugerem que ela também pode atuar em outras vias da dor, incluindo o sistema canabinoide endógeno e a ativação de vias que bloqueiam a transmissão do sinal de dor da periferia para o cérebro. Essa ação multifatorial pode explicar por que a dipirona é frequentemente percebida como mais potente do que outros analgésicos de venda livre.
Como tomar
A dose de dipirona deve ser sempre a menor possível para controlar os sintomas e deve ser administrada conforme a orientação de um profissional de saúde ou as instruções da bula. A posologia varia com a idade, peso e apresentação.
Para adultos e adolescentes acima de 15 anos, a dose usual é de 500 mg a 1000 mg (1 a 2 comprimidos de 500 mg ou 20 a 40 gotas da solução oral) por dose, podendo ser repetida até 4 vezes ao dia (a cada 6 horas). A dose diária máxima não deve exceder 4000 mg.
Para crianças, a dose é calculada com base no peso corporal. A apresentação em gotas é a mais comum para uso pediátrico, e a dosagem deve ser calculada cuidadosamente para evitar superdosagem. O uso em bebês com menos de 3 meses ou pesando menos de 5 kg é contraindicado.
Efeitos colaterais e cuidados
O efeito colateral mais discutido e temido da dipirona é a agranulocitose. Trata-se de uma redução drástica e súbita de um tipo de glóbulo branco chamado neutrófilo, que é essencial para combater infecções. Embora seja uma reação extremamente rara (a incidência estimada varia muito entre os estudos, mas é geralmente considerada na ordem de 1 caso por milhão de usuários), ela é grave e pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada rapidamente. Os sinais de alerta incluem febre alta, calafrios, dor de garganta, feridas na boca e mal-estar geral que aparecem subitamente durante o tratamento.
Outros efeitos colaterais possíveis, embora menos comuns, incluem:
- Hipotensão: Queda da pressão arterial, especialmente com a administração intravenosa rápida.
- Reações alérgicas e de pele: Podem variar de urticária a reações graves como a Síndrome de Stevens-Johnson.
- Reações anafiláticas: Raras, mas podem ser graves.
Quem deve evitar
A dipirona é contraindicada para:
- Pessoas com alergia conhecida à dipirona ou a outras pirazolonas.
- Pacientes com função da medula óssea prejudicada ou doenças do sistema hematopoiético.
- Indivíduos com histórico de agranulocitose induzida por medicamentos.
- Pacientes com certas condições genéticas, como deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD).
- Gestantes (especialmente no primeiro e terceiro trimestres) e lactantes.
- Bebês com menos de 3 meses de idade ou com peso inferior a 5 kg.
Interações com outros medicamentos
A dipirona pode interagir com alguns medicamentos, alterando seus efeitos:
- Ciclosporina: A dipirona pode reduzir os níveis sanguíneos da ciclosporina, um medicamento usado para prevenir a rejeição de transplantes.
- Álcool: O efeito do álcool pode ser potencializado pela dipirona.
- Metotrexato: A combinação pode aumentar a toxicidade do metotrexato na medula óssea.
- Ácido acetilsalicílico: A dipirona pode reduzir o efeito do AAS na agregação plaquetária.
O que fazer em caso de superdose
Os sintomas de superdosagem de dipirona podem incluir náuseas, vômitos, dor abdominal, tontura, sonolência e, em casos graves, convulsões e comprometimento da função renal. Em caso de ingestão de uma dose muito elevada, é crucial procurar atendimento médico de emergência. O tratamento é de suporte, com medidas como lavagem gástrica e monitoramento das funções vitais.
Quando procurar um médico
É fundamental procurar um médico imediatamente se, durante o uso de dipirona, você apresentar qualquer um dos seguintes sinais, que podem indicar agranulocitose:
- Febre alta e persistente.
- Calafrios.
- Dor de garganta intensa ou dificuldade para engolir.
- Aftas ou feridas na boca, gengiva ou garganta.
- Cansaço extremo e mal-estar súbito.
Também procure um médico se desenvolver reações de pele, queda de pressão ou se a dor e a febre não melhorarem.
Apresentações
| Forma farmacêutica | Concentração | Via |
|---|---|---|
| Comprimido | 500 mg | Oral |
| Comprimido | 1 g | Oral |
| Solução oral | 500 mg/mL | Oral |
| Solução injetável | 500 mg/mL | Intramuscular |
| Supositório | 300 mg | Retal |
Uso clínico
Indicações
Indicado como analgésico (para dores) e antitérmico (para febre). É utilizado no tratamento de dores de cabeça, dores musculares, dores articulares, dores pós-operatórias, cólicas e febre alta.
Posologia
A dosagem deve ser determinada por um profissional de saúde. Siga sempre a orientação médica.
Adultos e adolescentes ≥ 15 anos: 500 mg a 1000 mg por dose, até 4 vezes ao dia. Dose máxima diária de 4000 mg.
Crianças: A dose é baseada no peso corporal, utilizando-se preferencialmente as formulações líquidas. Consulte a bula para a dosagem correta em gotas por kg.
Não exceda a dose recomendada.
- Tempo até início do efeito
- 30 a 60 minutos
- Duração do efeito
- Aproximadamente 4 a 6 horas
Contraindicações
A dipirona é contraindicada em casos de: alergia à dipirona ou a outras pirazolonas; função da medula óssea prejudicada; histórico de reações anafiláticas a analgésicos; porfiria hepática aguda intermitente; deficiência congênita da G6PD; gravidez (primeiro e terceiro trimestres) e amamentação; crianças menores de 3 meses ou com menos de 5 kg.
Superdosagem
Em caso de superdosagem, os sintomas podem incluir náuseas, vômito, dor abdominal, tontura, sonolência, queda da pressão arterial e, em casos graves, convulsões e insuficiência renal. Procure atendimento médico de emergência imediatamente. O tratamento é de suporte e visa eliminar o medicamento do organismo.
Mecanismo de ação
A dipirona possui um mecanismo de ação complexo, que inclui a inibição da síntese de prostaglandinas no sistema nervoso central e possivelmente a modulação de outras vias de dor, como o sistema canabinoide. Também possui efeito espasmolítico sobre a musculatura lisa.
Efeitos colaterais
Comuns
-
Reações hipotensivas
Pode ocorrer queda da pressão arterial, especialmente com a administração injetável. Geralmente é transitória e não requer tratamento.
-
Reações cutâneas
Erupções na pele podem ocorrer.
Raros / graves
-
Agranulocitose
Redução grave de glóbulos brancos, aumentando o risco de infecções graves. Sinais de alerta incluem febre, calafrios e feridas na boca. É uma emergência médica.
-
Reações anafiláticas/anafilactoides
Reações alérgicas graves que podem ser fatais. Requerem atenção médica imediata.
-
Síndrome de Stevens-Johnson / Necrólise Epidérmica Tóxica
Reações de pele extremamente graves que causam bolhas e descamação. Exigem hospitalização imediata.
Interações medicamentosas
| Medicamento / classe | Severidade | Descrição |
|---|---|---|
| Ciclosporina | Moderada | A dipirona pode diminuir os níveis de ciclosporina no sangue, exigindo monitoramento. |
| Álcool | Moderada | Os efeitos do álcool e da dipirona podem ser potencializados mutuamente. |
| Metotrexato | Grave | A combinação pode aumentar a toxicidade hematológica do metotrexato, especialmente em idosos. |
Populações especiais
Gestação
C C — risco não pode ser descartado
O uso de dipirona é contraindicado no primeiro e no terceiro trimestre da gravidez. No segundo trimestre, só deve ser usada se estritamente necessário e sob orientação médica. Há risco de complicações para o feto.
Lactação
Os metabólitos da dipirona são excretados no leite materno. A amamentação deve ser evitada durante o uso e por até 48 horas após a última dose. O uso é contraindicado durante a lactação.
Uso pediátrico
A dipirona é usada em crianças, mas é contraindicada para bebês com menos de 3 meses ou com menos de 5 kg. A dose deve ser calculada com precisão com base no peso para evitar erros de dosagem.
Uso geriátrico
Idosos podem usar dipirona, mas podem ter maior sensibilidade a efeitos como a queda de pressão. A função renal e hepática deve ser considerada, e a menor dose eficaz deve ser utilizada.
Insuficiência renal / hepática
Em pacientes com insuficiência renal ou hepática, a eliminação da dipirona pode ser retardada. Doses altas devem ser evitadas. O uso em casos de insuficiência grave requer avaliação médica cuidadosa.
Regulatório
- Fabricante
- Sanofi
- Registro Anvisa
1.8326.0351- Versão genérica
- ✓ Disponível no Brasil
- Bula oficial Anvisa
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Perguntas frequentes
Por que a dipirona é proibida em alguns países?
A dipirona é proibida ou restrita em países como EUA, Reino Unido e Suécia devido ao risco, embora raro, de causar agranulocitose, uma condição sanguínea grave. No Brasil e em outros países, considera-se que o benefício do medicamento supera esse risco raro.
O que é agranulocitose?
Agranulocitose é uma queda severa dos neutrófilos, um tipo de glóbulo branco essencial para combater infecções. Isso deixa o corpo vulnerável a infecções bacterianas graves. Os sintomas incluem febre alta, calafrios e feridas na boca.
Dipirona é mais forte que paracetamol e ibuprofeno?
A dipirona é geralmente considerada um analgésico e antitérmico mais potente que o paracetamol e o ibuprofeno, sendo frequentemente reservada para dores e febres mais intensas que não respondem a esses outros medicamentos.
Posso tomar dipirona para cólica menstrual?
Sim, a dipirona pode ser eficaz para cólicas menstruais devido às suas propriedades analgésicas e levemente espasmolíticas, que ajudam a relaxar a musculatura do útero.
Dipirona baixa a pressão?
Sim, a dipirona pode causar uma queda na pressão arterial (hipotensão), especialmente quando administrada de forma injetável e rápida. Pessoas com pressão já baixa ou instável devem usar com cautela.
Grávida pode tomar dipirona?
Não. O uso de dipirona é contraindicado durante o primeiro e o terceiro trimestre da gravidez. No segundo trimestre, o uso só é permitido em casos excepcionais e com estrita indicação médica.
Qual a diferença entre dipirona sódica e monoidratada?
Ambos os termos se referem ao mesmo princípio ativo, a dipirona. A dipirona monoidratada é a forma química mais precisa da molécula quando ela contém uma molécula de água em sua estrutura cristalina. Na prática, para o paciente, não há diferença no efeito.
Fontes & referências
- Bula do Paciente - Novalgina (Dipirona) Bula Anvisa
- RENAME 2022 - Dipirona Sódica RENAME