A síndrome nefrótica não é uma doença única, mas sim um conjunto de sinais e sintomas que surgem quando os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue corretamente. Essa condição indica um problema subjacente nos glomérulos, as unidades de filtração dos rins, levando a consequências que afetam todo o corpo. Entender seus sinais é o primeiro passo para buscar um diagnóstico preciso e o tratamento adequado.

Trata-se de uma condição renal caracterizada por danos nos glomérulos, os pequenos filtros dos rins. Esse dano leva a uma perda excessiva de proteína na urina (proteinúria), baixos níveis de proteína no sangue, inchaço severo (edema) e níveis elevados de colesterol, demandando atenção médica especializada para identificar a causa e iniciar o manejo clínico.

O que define a síndrome nefrótica?

Para entender a síndrome nefrótica, é preciso primeiro conhecer o trabalho dos glomérulos. Essas estruturas microscópicas dentro dos rins são responsáveis por filtrar o sangue, removendo resíduos e excesso de líquido (que se tornarão urina) e mantendo substâncias essenciais, como as proteínas, na corrente sanguínea. A principal proteína retida é a albumina, que ajuda a manter o líquido dentro dos vasos sanguíneos.

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Na síndrome nefrótica, os glomérulos ficam danificados e se tornam excessivamente permeáveis. Com isso, grandes quantidades de proteína, especialmente a albumina, “escapam” do sangue para a urina. Essa perda maciça de proteína é chamada de proteinúria. A baixa concentração de albumina no sangue (hipoalbuminemia) reduz a pressão oncótica, fazendo com que o líquido extravase dos vasos para os tecidos circundantes, causando o inchaço característico (edema).

O fígado tenta compensar a perda de albumina produzindo mais proteínas, mas também acaba aumentando a produção de lipídios, como colesterol e triglicerídeos, resultando em hiperlipidemia.

Principais causas da síndrome nefrótica

As causas da síndrome nefrótica são divididas em duas categorias: primárias, quando o problema se origina diretamente nos rins, e secundárias, quando a síndrome é uma consequência de outra doença sistêmica ou condição. A identificação da causa é crucial, pois determina a abordagem do tratamento.

Causas primárias

Nesses casos, a doença está confinada aos rins. As mais comuns são:

  • Doença de lesões mínimas (DLM): É a causa mais frequente em crianças. Sob o microscópio, o tecido renal parece quase normal, mas os glomérulos estão funcionalmente alterados. Geralmente responde bem ao tratamento com corticoides.
  • Glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF): Caracteriza-se pela cicatrização (esclerose) em partes de alguns glomérulos. Pode ser idiopática (sem causa conhecida) ou secundária a outras condições.
  • Nefropatia membranosa: Ocorre um espessamento das membranas dos glomérulos devido ao acúmulo de depósitos de imunocomplexos. É a causa mais comum de síndrome nefrótica primária em adultos.

Causas secundárias

Aqui, a síndrome nefrótica é um sintoma de uma doença que afeta todo o corpo. Fontes de saúde como o MedlinePlus detalham como diversas condições podem levar a esse quadro. As principais incluem:

  • Diabetes mellitus: A nefropatia diabética é a causa secundária mais comum de síndrome nefrótica no mundo. O excesso de glicose no sangue danifica progressivamente os glomérulos ao longo dos anos.
  • Lúpus eritematoso sistêmico (LES): Uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo, incluindo os rins (nefrite lúpica).
  • Infecções: Hepatite B, hepatite C, HIV e malária podem desencadear danos glomerulares.
  • Amiloidose: Uma condição rara em que uma proteína anormal (amiloide) se deposita nos órgãos, incluindo os rins.
  • Medicamentos: O uso de certos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e outros fármacos pode, em alguns casos, induzir a síndrome.

Sintomas e sinais de alerta

Os sintomas da síndrome nefrótica são consequência direta da perda de proteína e da retenção de líquidos. Os mais importantes são:

  • Edema (inchaço) severo: É o sinal mais proeminente. Geralmente começa nos tornozelos, pés e ao redor dos olhos (edema periorbital, especialmente pela manhã), mas pode se generalizar, causando inchaço abdominal (ascite) e até pulmonar (derrame pleural).
  • Urina espumosa: A presença de grande quantidade de proteína na urina a torna com aspecto espumoso, semelhante a cerveja ou sabão. Outras alterações na urina, como a presença de hemácias na urina, também podem ocorrer e devem ser investigadas.
  • Ganho de peso rápido: Ocorre devido à acentuada retenção de líquidos, e não por ganho de gordura.
  • Fadiga e fraqueza: A perda de proteínas e o desequilíbrio geral do organismo podem levar a um cansaço extremo.
  • Perda de apetite: Sensação de mal-estar geral e náuseas podem diminuir a vontade de comer.

Como é feito o diagnóstico da síndrome nefrótica

O diagnóstico da síndrome nefrótica envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e, em muitos casos, uma biópsia renal para determinar a causa exata do dano glomerular.

  1. Avaliação clínica e histórico: O médico, geralmente um nefrologista, irá coletar informações sobre os sintomas, o histórico de saúde do paciente, doenças pré-existentes (como diabetes) e uso de medicamentos.
  2. Exames de urina: O exame de urina tipo 1 (EAS) pode mostrar a presença de proteinúria. Para confirmar e quantificar a perda, solicita-se a coleta de urina de 24 horas ou a relação proteína/creatinina em uma amostra de urina. Uma perda superior a 3,5 gramas de proteína por dia em um adulto é o critério clássico para a síndrome.
  3. Exames de sangue: Análises sanguíneas são fundamentais para verificar os níveis de albumina (que estarão baixos), colesterol e triglicerídeos (que estarão altos), além de avaliar a função renal geral (creatinina e ureia).
  4. Biópsia renal: Este é o exame padrão-ouro para identificar a causa específica da síndrome nefrótica, especialmente em adultos e em casos primários. Um pequeno fragmento do tecido renal é removido com uma agulha especial e analisado sob microscópio. Isso permite ao médico ver o tipo de lesão nos glomérulos e guiar o tratamento.

Exames de imagem, como o ultrassom renal, podem ser solicitados para avaliar a estrutura dos rins e descartar outras condições, como obstruções ou a hidronefrose.

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Perguntas frequentes

O que causa a síndrome nefrótica?

A síndrome nefrótica é causada por danos nos glomérulos, os filtros dos rins. As causas podem ser primárias, originando-se no próprio rim (como a doença de lesões mínimas), ou secundárias a outras doenças, como diabetes, lúpus, infecções (hepatite B/C, HIV) ou uso de certos medicamentos.

Quais são os principais sintomas da síndrome nefrótica?

Os sintomas mais característicos são o inchaço severo (edema), principalmente nos tornozelos, pés e rosto; urina com aparência espumosa devido à alta concentração de proteína; ganho de peso rápido por retenção de líquidos; e fadiga intensa.

Como é feito o diagnóstico da síndrome nefrótica?

O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e confirmado por exames laboratoriais. Exames de urina quantificam a perda de proteína, e exames de sangue medem os níveis de albumina e colesterol. Uma biópsia renal é frequentemente necessária para identificar a causa exata do dano renal.

A síndrome nefrótica tem cura?

A possibilidade de cura depende da causa subjacente. Em crianças com a doença de lesões mínimas, a remissão completa é comum. Em adultos e em casos secundários, o objetivo do tratamento é controlar a doença de base, manejar os sintomas e preservar a função renal, podendo levar à remissão ou ao controle crônico da condição.

A síndrome nefrótica é uma condição complexa que exige investigação e acompanhamento médico especializado. A identificação precoce dos sinais e a busca por um nefrologista são fundamentais para determinar a causa, iniciar o tratamento adequado e minimizar o risco de complicações a longo prazo.