Um novo consenso internacional oferece, pela primeira vez, orientações claras para médicos sobre o uso e a descontinuação de Ozempic e Mounjaro no tratamento da obesidade. O documento, elaborado por um painel de especialistas, detalha como ajustar as doses dos populares medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, incluindo quando é possível reduzir a medicação com segurança.

A diretriz chega em um momento crucial, dada a popularidade crescente desses tratamentos e a falta de um protocolo unificado para seu manejo a longo prazo. O objetivo é padronizar a conduta clínica para maximizar os benefícios e minimizar os riscos.

O que diz o novo consenso?

O documento, publicado em um artigo disponível no National Institutes of Health (NIH), estabelece um roteiro para os médicos. A recomendação inicial, já amplamente praticada, é começar com doses baixas e aumentá-las gradualmente. Essa abordagem ajuda o corpo a se adaptar e reduz a incidência de efeitos colaterais comuns, como náuseas e desconforto gastrointestinal.

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Após atingir a dose máxima tolerada ou a meta de perda de peso, o paciente entra na fase de manutenção. A grande novidade do consenso é a orientação sobre o que fazer a seguir, a chamada fase de “descalonamento” da dose, algo que até agora era feito sem um guia baseado em evidências.

Quando é hora de reduzir ou interromper o tratamento?

Segundo o consenso, a redução da dose dos medicamentos para obesidade pode ser considerada após o paciente ter se mantido em tratamento por pelo menos um ano e estabilizado a perda de peso por cerca de seis meses. A ideia não é parar o tratamento abruptamente, mas sim encontrar a menor dose eficaz para cada indivíduo.

O processo deve ser gradual. O médico pode reduzir a dose e observar a resposta do paciente. Se o peso se mantiver estável, uma nova redução pode ser tentada. Contudo, se o paciente recuperar uma pequena porcentagem do peso perdido (entre 2,5% e 5%), a orientação é retornar à dose anterior, que se mostrou eficaz.

A orientação reforça a visão da obesidade como uma doença crônica, que exige tratamento contínuo, semelhante à hipertensão ou ao diabetes. A interrupção total não é o objetivo principal para a maioria dos pacientes.

Essa estratégia de manejo ativo com a semaglutida e a tirzepatida visa um controle de longo prazo, ajustando o tratamento conforme a necessidade individual, o que também pode ajudar a diminuir os custos e os efeitos adversos a longo prazo.

A realidade do tratamento no Brasil

No Brasil, o acesso a esses medicamentos ainda é um desafio devido ao alto custo. O Ozempic é aprovado pela Anvisa para o tratamento de diabetes tipo 2, mas seu uso off-label para obesidade se popularizou. Já o Wegovy, com o mesmo princípio ativo (semaglutida) em doses maiores, e o Mounjaro (tirzepatida) são aprovados especificamente para obesidade, mas a disponibilidade e o preço limitam o acesso.

O novo consenso ozempic pode auxiliar os médicos brasileiros a otimizar o uso desses recursos, buscando a dose mínima eficaz para seus pacientes. A regulação e a fiscalização de medicamentos pela Anvisa são fundamentais para garantir o uso seguro. A chegada dessas terapias representa uma revolução no tratamento de doenças crônicas, assim como ocorreu com os novos tratamentos para o colesterol ruim.

A nova diretriz representa um avanço para a segurança e eficácia do tratamento da obesidade. A decisão sobre ajustar ou manter a dose deve ser sempre individualizada e acompanhada por um profissional de saúde, considerando a resposta de cada paciente e seu histórico clínico.