A hipoacusia, termo técnico para a perda auditiva, é uma condição que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo, impactando significativamente a comunicação e a qualidade de vida. Trata-se da diminuição da capacidade de ouvir e compreender os sons, podendo variar de um grau leve, quase imperceptível, até a perda total da audição. Entender o que é, suas causas e como identificar os primeiros sinais é o primeiro passo para buscar um diagnóstico e tratamento adequados.
O que é hipoacusia?
Hipoacusia é a redução da acuidade auditiva. Uma pessoa com audição normal consegue perceber sons a partir de 0 a 25 decibéis (dB). Quando há necessidade de uma intensidade sonora maior para que o som seja percebido, configura-se um quadro de perda auditiva. Essa condição pode ser classificada de diferentes formas, como unilateral (afetando um ouvido) ou bilateral (afetando ambos), e súbita ou progressiva.
Os graus da perda auditiva são medidos em decibéis e geralmente classificados da seguinte forma:
- Leve (26-40 dB): Dificuldade em ouvir sussurros ou conversas em ambientes ruidosos.
- Moderada (41-70 dB): Dificuldade em acompanhar conversas normais sem o uso de um aparelho auditivo.
- Severa (71-90 dB): A pessoa só consegue ouvir sons muito altos, como gritos ou ruídos intensos. A comunicação verbal se torna muito difícil.
- Profunda (acima de 91 dB): A audição é praticamente inexistente, e a pessoa depende majoritariamente da leitura labial ou da língua de sinais.
Tipos de hipoacusia
A perda auditiva não é toda igual. Ela é classificada em diferentes tipos, dependendo da parte do sistema auditivo que foi afetada. Conhecer o tipo é fundamental para definir a melhor abordagem de tratamento.
Hipoacusia neurossensorial (ou sensorioneural)
Este é o tipo mais comum de perda auditiva permanente. Ocorre quando há danos nas células ciliadas da cóclea (o órgão sensorial da audição no ouvido interno) ou no nervo auditivo. Como essas estruturas não se regeneram, a perda é geralmente irreversível. As principais causas incluem o envelhecimento natural (presbiacusia), exposição a ruídos excessivos e fatores genéticos.
Hipoacusia condutiva
A hipoacusia condutiva acontece quando há um bloqueio ou problema na transmissão do som através do ouvido externo ou médio. Isso impede que o som chegue de forma eficaz ao ouvido interno. Diferente da neurossensorial, muitas de suas causas são tratáveis e reversíveis. Exemplos incluem acúmulo de cera, infecções de ouvido (otites), perfuração do tímpano ou problemas nos ossículos do ouvido médio (martelo, bigorna e estribo).
Hipoacusia mista
Como o nome sugere, a hipoacusia mista é uma combinação dos dois tipos anteriores. Ocorre quando há um problema tanto na condução do som (ouvido externo/médio) quanto na sua transdução neurossensorial (ouvido interno). Por exemplo, uma pessoa com presbiacusia (neurossensorial) pode desenvolver uma otite com acúmulo de secreção (condutiva).
Principais causas da perda auditiva
As causas da hipoacusia são variadas e podem estar presentes desde o nascimento ou se desenvolver ao longo da vida. De acordo com fontes confiáveis como a MedlinePlus, algumas das causas mais comuns incluem:
- Envelhecimento (Presbiacusia): O desgaste natural do sistema auditivo é a causa mais comum de perda auditiva em idosos.
- Exposição a ruído: A exposição prolongada ou súbita a sons de alta intensidade (acima de 85 dB) pode danificar permanentemente as células do ouvido interno.
- Fatores genéticos: A predisposição para a perda auditiva pode ser herdada.
- Infecções: Otites de repetição, meningite, caxumba e sarampo podem levar à perda auditiva.
- Traumatismos: Lesões na cabeça ou no ouvido podem causar danos às estruturas auditivas.
- Uso de medicamentos ototóxicos: Certos antibióticos, diuréticos e medicamentos quimioterápicos podem ser tóxicos para o sistema auditivo.
- Causas congênitas: Problemas durante a gestação ou parto, como infecções maternas (rubéola, toxoplasmose) ou prematuridade.
Sintomas de hipoacusia: como reconhecer os sinais
Muitas vezes, a perda auditiva se instala de forma gradual e a pessoa vai se adaptando sem perceber a real dimensão do problema. Ficar atento aos sinais é crucial para uma intervenção precoce. Os sintomas de hipoacusia mais comuns são:
- Pedir frequentemente para que as pessoas repitam o que disseram.
- Aumentar o volume da televisão ou do rádio a um nível considerado alto por outros.
- Dificuldade para entender conversas, especialmente em locais com muito barulho de fundo.
- Ter a sensação de que as pessoas estão “murmurando”.
- Ouvir zumbido nos ouvidos (tinnitus).
- Isolamento social, evitando encontros por causa da dificuldade de comunicação.
- Sentir tontura ou problemas de equilíbrio, que podem estar associados a problemas no ouvido interno.
Como é feito o diagnóstico de hipoacusia
O diagnóstico da perda auditiva é feito por um médico otorrinolaringologista em conjunto com um fonoaudiólogo. O processo começa com uma entrevista detalhada (anamnese) para entender o histórico do paciente e seus sintomas. Em seguida, é realizado um exame físico, incluindo a otoscopia, para inspecionar o canal auditivo e o tímpano.
A confirmação e a quantificação da perda auditiva são feitas através de exames audiológicos. O principal deles é a audiometria tonal e vocal, que mede a capacidade do paciente de ouvir sons em diferentes frequências e intensidades. Em casos específicos, como na avaliação de bebês ou quando há suspeita de problemas no nervo auditivo, outros exames podem ser solicitados, como o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE), popularmente conhecido como exame BERA. A importância do diagnóstico precoce é reforçada por pesquisas, como as divulgadas pelo National Institutes of Health (NIH), que correlacionam a perda auditiva não tratada a um declínio cognitivo mais rápido.
Perguntas frequentes sobre hipoacusia
O que causa a hipoacusia?
A hipoacusia pode ser causada por múltiplos fatores, incluindo o envelhecimento natural do sistema auditivo (presbiacusia), exposição contínua a ruídos altos, predisposição genética, infecções de ouvido, uso de certos medicamentos (ototóxicos) e traumas na região da cabeça ou ouvido.
Quais são os tipos de hipoacusia?
Existem principalmente três tipos: a hipoacusia neurossensorial, que afeta o ouvido interno ou o nervo auditivo e é geralmente permanente; a hipoacusia condutiva, que ocorre por um bloqueio no ouvido externo ou médio e muitas vezes é tratável; e a hipoacusia mista, que é uma combinação dos dois tipos anteriores.
Quais os sintomas da hipoacusia?
Os principais sintomas incluem dificuldade para entender conversas, especialmente em ambientes ruidosos, necessidade de aumentar o volume da TV, pedir para que repitam o que foi dito com frequência, e a presença de zumbido no ouvido (tinnitus). O isolamento social também pode ser um sinal indireto.
Como é feito o diagnóstico da hipoacusia?
O diagnóstico é realizado por um otorrinolaringologista, que avalia o histórico do paciente e examina os ouvidos. A confirmação é feita com exames audiológicos, como a audiometria, que mede a capacidade de ouvir em diferentes frequências e volumes, determinando o tipo e o grau da perda auditiva.
A hipoacusia tem cura?
Depende da causa e do tipo. A hipoacusia condutiva, causada por cera, infecções ou problemas nos ossículos, muitas vezes pode ser revertida com tratamento médico ou cirúrgico. Já a hipoacusia neurossensorial, a mais comum, geralmente não tem cura, mas pode ser efetivamente gerenciada com o uso de aparelhos auditivos, implantes cocleares e outras tecnologias de assistência.
Identificar a hipoacusia precocemente é fundamental para minimizar seu impacto na vida diária. Ao notar qualquer um dos sintomas mencionados, não hesite em procurar um especialista. A tecnologia e os tratamentos atuais oferecem excelentes soluções para recuperar a capacidade de comunicação e garantir uma melhor qualidade de vida.