O câncer colorretal SUS ganha um novo e poderoso aliado. O Ministério da Saúde anunciou a incorporação do Teste Imunofecal (FIT) para o rastreamento da doença na rede pública. A medida representa um avanço significativo na detecção precoce e na prevenção de um dos tumores mais incidentes no Brasil.
A nova tecnologia, mais moderna e precisa, substitui o antigo teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes (com base em guaiaco) e promete aumentar a adesão da população ao programa de rastreamento. O objetivo é diagnosticar o câncer em estágios iniciais ou até mesmo identificar lesões pré-cancerígenas, os pólipos, antes que evoluam.
O que é o novo teste e como ele funciona?
O Teste Imunofecal, conhecido pela sigla FIT (do inglês, Fecal Immunochemical Test), é um método de rastreamento não invasivo. Ele funciona detectando a presença de hemoglobina humana nas fezes, um possível indicativo de sangramentos no intestino grosso que podem ser causados por tumores ou pólipos.
Uma das principais vantagens do teste FIT SUS em relação ao método anterior é sua alta especificidade. Por detectar apenas sangue humano, ele não exige nenhuma restrição alimentar do paciente antes da coleta, o que facilita o processo e diminui as chances de resultados falso-positivos. A coleta da amostra é simples e pode ser feita pelo próprio paciente em casa.
Impacto para a saúde pública e a prevenção
A inclusão do FIT no sistema público é uma estratégia fundamental para a prevenção do câncer de intestino. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum entre homens e o segundo entre mulheres no país, excluindo os tumores de pele não melanoma.
De acordo com o Ministério da Saúde, a implementação do rastreamento organizado com o teste FIT tem o potencial de reduzir a mortalidade pela doença em até 30%. Ao identificar a doença precocemente, os tratamentos são menos invasivos e as chances de cura ultrapassam os 90%. A medida também otimiza o uso de recursos, direcionando o exame de colonoscopia, mais complexo e invasivo, apenas para os pacientes com resultado positivo no teste FIT.
Quem deve fazer o rastreamento e próximos passos
A recomendação para o rastreamento de câncer colorretal com o teste FIT no SUS é direcionada a homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos. Pessoas com histórico familiar da doença ou com condições que aumentam o risco, como a colite ulcerativa, devem seguir uma orientação médica individualizada, que pode incluir o início do rastreamento em idade mais jovem.
O fluxo para o paciente será simples: o kit para a coleta será retirado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a coleta em casa, a amostra é devolvida ao posto de saúde para análise. Em caso de resultado positivo, o paciente será encaminhado para a realização de uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico e, se necessário, remover os pólipos encontrados.
A incorporação do teste FIT representa um avanço significativo na saúde pública brasileira, alinhando o país às melhores práticas internacionais de prevenção do câncer. A expectativa é que a medida, ao ser implementada em todo o território nacional, salve milhares de vidas nos próximos anos.