Uma nova pesquisa brasileira acende um alerta para a perigosa combinação de dengue doença renal crônica. De acordo com o estudo, pacientes com a condição nos rins têm um risco significativamente maior de hospitalização e morte pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A análise, conduzida por pesquisadores da Fiocruz Minas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), reforça a necessidade de atenção especial a esse grupo de pacientes.

Risco de morte é até 39 vezes maior

Os resultados do estudo, publicado no Clinical Kidney Journal, são alarmantes. Ao analisar mais de 6,7 milhões de casos de dengue no Brasil entre 2010 e 2021, os cientistas descobriram que pacientes com doença renal crônica (DRC) apresentaram uma chance seis vezes maior de serem hospitalizados por dengue.

O risco de morte foi ainda mais expressivo. A mortalidade por dengue foi 39 vezes maior entre os pacientes com DRC em comparação com aqueles sem a comorbidade. Para os pacientes que já realizavam diálise, o cenário é ainda mais grave, com um risco de óbito 46 vezes superior.

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Implicações para a saúde pública no Brasil

Os achados chegam em um momento crítico para a saúde pública, com o aumento expressivo de casos de dengue no Brasil. A pesquisa classifica a doença renal crônica como um importante fator de risco para a dengue grave, algo que, segundo os autores, não era amplamente reconhecido na prática clínica até então.

Fabiana Simões, pesquisadora da Fiocruz Minas e uma das autoras do estudo, destacou que a descoberta deve orientar o manejo clínico dos pacientes e as estratégias de saúde pública. A identificação de grupos de alto risco é fundamental para reduzir a mortalidade por dengue. A recomendação é que pessoas com doença renal crônica sejam consideradas prioritárias para a vacinação contra a dengue e recebam monitoramento intensivo ao apresentarem sintomas da infecção.

A doença renal crônica afeta uma parcela considerável da população, e a combinação com a dengue representa um desafio adicional para o sistema de saúde. Dados sobre a prevalência da DRC no país, como os disponíveis em publicações científicas, reforçam a importância de proteger essa população vulnerável, segundo dados sobre a prevalência no país.

Por que a dengue afeta tanto os rins?

A relação entre doença renal crônica e dengue se explica por mecanismos fisiológicos. O vírus da dengue pode causar um quadro de desidratação e extravasamento de plasma, que é a saída de líquido dos vasos sanguíneos. Isso diminui o volume de sangue circulante e, consequentemente, o fluxo sanguíneo para os rins.

Em um indivíduo com a função renal já comprometida, essa sobrecarga pode levar a uma lesão renal aguda, agravando a condição crônica. Além disso, o próprio vírus pode agredir diretamente as células renais, piorando o quadro. A vulnerabilidade é similar à observada em outras arboviroses, como a febre amarela, onde a resposta sistêmica do organismo ao vírus pode desencadear falência de múltiplos órgãos.

Diante do elevado risco de dengue, a orientação para pacientes com doença renal crônica é redobrar os cuidados de prevenção, como eliminar focos do mosquito e usar repelente. Ao apresentar sintomas como febre, dor de cabeça e dores no corpo, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, informando sobre a condição renal preexistente.