Guaco (Mikania glomerata)
Guaco (Mikania glomerata) é um fitoterápico com ação broncodilatadora e expectorante, indicado para tosse com catarro. Age relaxando os brônquios e fluidificando secreções. Contraindicado para quem usa anticoagulantes.
O guaco, de nome científico Mikania glomerata, é uma trepadeira lenhosa nativa do Brasil, popularmente conhecida como a planta ‘inimiga da tosse’. Seu uso na medicina tradicional para tratar afecções respiratórias é secular e amplamente reconhecido, o que garantiu sua presença na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS) e o registro de inúmeros medicamentos fitoterápicos pela Anvisa, principalmente na forma de xaropes.
Este artigo completo explora todos os aspectos do guaco, desde sua composição química e mecanismo de ação até as formas corretas de uso, seus benefícios comprovados, precauções e contraindicações, fornecendo um guia seguro e baseado em evidências sobre este importante fitoterápico.
O que é o guaco?
O guaco pertence à família Asteraceae, a mesma da margarida e do girassol. É uma planta que cresce se enrolando em suportes, como árvores e cercas, e possui folhas em formato de coração, lisas e brilhantes, que exalam um cheiro característico quando amassadas. São as folhas a parte da planta utilizada para fins medicinais, pois é nelas que se concentram os princípios ativos.
O principal composto bioativo responsável pela ação terapêutica do guaco é a cumarina. Além dela, a planta contém outras substâncias como ácidos resinosos, taninos, saponinas e flavonoides, que atuam em sinergia, potencializando seus efeitos no sistema respiratório.
Para que serve o guaco?
O guaco é primariamente indicado para o tratamento de quadros respiratórios que envolvem tosse e produção de muco (catarro). Suas principais ações são:
- Expectorante: Ajuda a fluidificar o catarro, tornando-o menos espesso e mais fácil de ser eliminado das vias aéreas.
- Broncodilatadora: Promove o relaxamento da musculatura dos brônquios, o que aumenta a passagem de ar e alivia a sensação de falta de ar e o ‘chiado’ no peito, comuns em quadros de bronquite e asma leve.
Devido a essas propriedades, o guaco é amplamente utilizado para aliviar os sintomas de:
- Gripes e resfriados com tosse produtiva.
- Bronquite aguda e crônica.
- Tosse persistente e irritativa.
- Crises leves de asma (como coadjuvante, nunca como tratamento principal de uma crise aguda).
Como funciona no organismo?
O mecanismo de ação do guaco está diretamente ligado à sua composição química, especialmente à cumarina. A ação broncodilatadora ocorre porque a cumarina e outros compostos relaxam os músculos lisos que revestem os brônquios. Quando esses músculos estão contraídos (broncoespasmo), como em uma crise de tosse ou de asma, o fluxo de ar é dificultado. Ao relaxá-los, o guaco ‘abre’ as vias aéreas, facilitando a respiração.
A ação expectorante, por sua vez, parece ser resultado de um estímulo sobre as glândulas da mucosa brônquica, que passam a produzir uma secreção mais fluida. Isso umedece o muco já existente, que se torna menos viscoso e pode ser mais facilmente expelido pela tosse. Essa ‘limpeza’ das vias aéreas é fundamental para a recuperação de infecções respiratórias e para prevenir complicações como a pneumonia.
Além disso, alguns estudos in vitro sugerem que o guaco pode ter uma leve atividade anti-inflamatória e antialérgica, o que também contribuiria para o alívio dos sintomas respiratórios.
Como tomar e posologia
O guaco é mais comumente encontrado e utilizado na forma de xarope, mas também está disponível como chá, tintura e cápsulas.
- Xarope: É a forma mais popular e com dosagem padronizada. A posologia varia entre adultos e crianças e conforme a concentração do produto. Geralmente, para adultos, a dose é de 5 a 15 ml, 3 a 4 vezes ao dia. Para crianças, a dose deve ser ajustada pelo pediatra. É fundamental usar o copo medidor que acompanha o produto.
- Chá (infusão): Pode ser preparado com 3 a 4 folhas frescas ou 1 colher de chá de folhas secas para cada xícara de água. Ferve-se a água, despeja-se sobre as folhas e abafa-se por 10 minutos. A dose usual é de 1 a 2 xícaras por dia. O chá não é recomendado para crianças pequenas devido à dificuldade de controlar a dose de cumarina.
- Tintura: Extrato alcoólico concentrado, usado em gotas diluídas em água. A dosagem deve seguir estritamente a recomendação do fabricante ou do profissional de saúde.
O tratamento com guaco é sintomático e deve ser mantido enquanto a tosse e o catarro persistirem, geralmente por um período de 5 a 7 dias. Se não houver melhora dos sintomas ou se surgirem novos, como febre alta ou dificuldade respiratória intensa, um médico deve ser consultado.
Efeitos colaterais e cuidados
Quando usado nas doses terapêuticas, o guaco é bem tolerado. Os efeitos adversos são incomuns, mas podem incluir:
- Náuseas, vômitos e diarreia (principalmente com doses elevadas).
- Aumento da pressão arterial em indivíduos predispostos.
- Reações alérgicas, como coceira e vermelhidão na pele.
O uso excessivo e prolongado de guaco, especialmente de preparações caseiras com concentração desconhecida, pode aumentar o risco de toxicidade, devido ao acúmulo de cumarina, que em altas doses pode afetar o fígado e a coagulação sanguínea.
Quem deve evitar (contraindicações)
O uso de guaco é contraindicado para:
- Pessoas com problemas de coagulação ou que fazem uso de medicamentos anticoagulantes (como varfarina, heparina) e antiagregantes plaquetários (como aspirina, clopidogrel), pois a cumarina pode potencializar o efeito desses medicamentos, aumentando o risco de sangramentos e hemorragias.
- Pacientes com doenças hepáticas (do fígado), pois a cumarina é metabolizada no fígado e seu excesso pode ser tóxico para o órgão.
- Gestantes e lactantes, por falta de estudos que garantam a segurança para a mãe e o bebê.
- Crianças menores de 2 anos, exceto sob estrita orientação médica.
Interações com outros medicamentos
A principal e mais perigosa interação do guaco é com medicamentos que afetam a coagulação do sangue. A combinação pode levar a um risco aumentado de hemorragias. É crucial informar ao médico ou farmacêutico sobre o uso de guaco se você estiver tomando:
- Anticoagulantes: Varfarina, rivaroxabana, apixabana, etc.
- Antiagregantes plaquetários: Ácido acetilsalicílico (AAS), clopidogrel, ticlopidina.
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): Ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida, que também podem afetar a coagulação.
Quando procurar um médico
Embora o guaco seja eficaz para tosses comuns, a avaliação médica é indispensável nas seguintes situações:
- Tosse que persiste por mais de 2 semanas.
- Tosse acompanhada de febre alta (acima de 38,5°C) por mais de 3 dias.
- Presença de falta de ar intensa ou dor no peito ao respirar.
- Catarro com sangue, amarelado ou esverdeado escuro.
- Em crianças pequenas, idosos ou pessoas com doenças crônicas (como DPOC, insuficiência cardíaca).
Esses podem ser sinais de uma condição mais grave, como pneumonia, tuberculose ou uma exacerbação de doença pulmonar crônica, que exigem tratamento específico.
Identificação botânica
- Planta de origem
- Mikania glomerata Spreng.
- Padronização do extrato
- Padronizado em cumarina (geralmente ≥ 0,1 mg/mL).
- Tempo máximo de uso contínuo
- 7-10 dias (reavaliar se não houver melhora)
Apresentações
| Forma farmacêutica | Concentração | Via |
|---|---|---|
| Suspensão oral | Ex: 0,5 ml/ml (extrato) | Oral |
| Folhas secas (chá) | N/A | Oral |
Uso clínico
Indicações
Medicamento fitoterápico destinado ao tratamento de quadros de afecções do trato respiratório, como tosses persistentes, tosses com expectoração e rouquidão.
Posologia
A posologia depende da idade e da concentração do xarope. Para adultos, a dose comum é de 5 a 15 ml, 3 vezes ao dia. Para crianças, as doses são menores e devem ser prescritas por um pediatra. Consulte a bula do produto específico e não exceda a dose recomendada.
- Tempo até início do efeito
- Cerca de 1 a 2 horas após a administração.
- Duração do efeito
- Aproximadamente 6 a 8 horas.
Contraindicações
Contraindicado para pacientes com hipersensibilidade ao guaco, pacientes com doenças hepáticas, distúrbios de coagulação e para aqueles que utilizam medicamentos anticoagulantes. Não recomendado para gestantes, lactantes e crianças menores de 2 anos.
Superdosagem
A superdosagem pode intensificar os efeitos adversos, causando vômitos, diarreia e, em casos graves, taquicardia e sangramentos. Em caso de ingestão acidental de grande quantidade, procure imediatamente um serviço de emergência, levando a embalagem do produto.
Mecanismo de ação
O guaco possui cumarinas que promovem o relaxamento da musculatura lisa dos brônquios (ação broncodilatadora), facilitando a passagem de ar. Além disso, estimula a produção de secreções mais fluidas pelas glândulas brônquicas, o que facilita a expulsão do catarro (ação expectorante).
Efeitos colaterais
Comuns
-
Desconforto gastrointestinal
Pode causar náuseas ou diarreia, especialmente em doses mais altas.
Raros / graves
-
Aumento do risco de sangramento
Ocorre principalmente em caso de superdosagem ou uso concomitante com anticoagulantes.
-
Reações alérgicas
Urticária, coceira e outras manifestações cutâneas em indivíduos sensíveis.
Interações medicamentosas
| Medicamento / classe | Severidade | Descrição |
|---|---|---|
| Anticoagulantes (ex: Varfarina) | Grave | O guaco contém cumarina, que potencializa o efeito dos anticoagulantes, aumentando significativamente o risco de hemorragias graves. A combinação é contraindicada. |
| Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) | Moderada | AINEs como ibuprofeno e diclofenaco também podem afetar a coagulação. O uso conjunto com guaco pode aumentar o risco de sangramento gastrointestinal. |
Populações especiais
Gestação
C C — risco não pode ser descartado
O uso de guaco não é recomendado durante a gravidez devido à falta de estudos de segurança. A decisão de usar deve ser feita por um médico, avaliando se os benefícios superam os potenciais riscos.
Lactação
O uso não é recomendado durante a amamentação, pois não se sabe se os componentes do guaco, como a cumarina, são excretados no leite materno e quais os efeitos para o lactente.
Uso pediátrico
O uso em crianças menores de 2 anos é geralmente contraindicado. Para crianças maiores, a dose deve ser ajustada por um pediatra. Xaropes de guaco industrializados costumam ter posologia pediátrica específica na bula.
Uso geriátrico
Idosos podem utilizar o guaco, mas com cautela, especialmente se forem polimedicados, devido ao risco de interação com anticoagulantes e anti-inflamatórios. A dose inicial deve ser baixa.
Insuficiência renal / hepática
O uso é contraindicado em pacientes com doenças hepáticas graves, pois a cumarina é metabolizada no fígado. Em casos de insuficiência renal, o uso deve ser feito com cautela.
Regulatório
- Fabricante
- Vários (ex: Herbarium, Catarinense Pharma, Melagrião)
- Registro Anvisa
Ex: 1.1860.0039- Versão genérica
- ✓ Disponível no Brasil
- Bula oficial Anvisa
- Acessar bula completa →
Categoria regulatória
- Categoria Anvisa
- Fitoterápico registrado (RDC 26/2014)
- Lista RENISUS
- ✓ Espécie incluída no RENISUS (SUS)
Perguntas frequentes
Xarope de guaco dá sono?
Não, o guaco não tem como efeito colateral conhecido a sonolência. Se o xarope que você está tomando causa sono, verifique a composição, pois ele pode conter outras substâncias, como antialérgicos, que causam esse efeito.
Posso dar chá de guaco para bebê?
Não. O uso de chás e preparações caseiras de guaco é contraindicado para crianças menores de 2 anos. A dosagem de princípios ativos no chá é imprecisa e pode levar a uma superdosagem de cumarina, que é perigosa para bebês.
Guaco serve para tosse seca?
A principal indicação do guaco é para tosse produtiva (com catarro), devido à sua ação expectorante. Embora sua ação broncodilatadora possa aliviar o reflexo da tosse, para tosse seca e alérgica existem outros tratamentos mais específicos.
Quem tem pressão alta pode tomar xarope de guaco?
Há relatos de que o guaco pode causar um leve aumento da pressão arterial em pessoas sensíveis. Pacientes com hipertensão devem usar o produto com cautela e monitorar a pressão, preferencialmente consultando um médico antes do uso.
Qual a diferença entre o xarope de guaco caseiro e o de farmácia?
O xarope de farmácia é um medicamento fitoterápico registrado na Anvisa, o que garante a qualidade da matéria-prima, a concentração padronizada dos princípios ativos e a ausência de contaminantes. O xarope caseiro não tem esse controle, o que aumenta o risco de dosagens ineficazes ou tóxicas.
Diabéticos podem tomar xarope de guaco?
Depende. Muitos xaropes de guaco contêm açúcar em sua formulação. Pacientes diabéticos devem procurar por versões 'diet' ou 'zero açúcar' do produto, que são formuladas especificamente para eles. Sempre verifique o rótulo.