Um novo estudo aponta que o consumo de ultraprocessados no Brasil deve aumentar até o final da década. Segundo a pesquisa, a participação desses produtos na dieta dos brasileiros pode saltar de 21,5% das calorias totais em 2019 para 23,9% em 2030, um cenário que acende um alerta para a saúde pública nacional.
Projeções indicam mudança nos hábitos dos brasileiros
A análise, publicada no periódico científico The Lancet Regional Health – Americas, foi conduzida por pesquisadores de instituições como a Fiocruz, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). As projeções de consumo no Brasil indicam uma mudança preocupante nos hábitos alimentares, com um aumento de 2,4 pontos percentuais na ingestão calórica vinda de alimentos ultraprocessados.
O mesmo estudo trouxe um panorama misto para outros fatores de risco. Enquanto as projeções apontam para uma queda no número de fumantes, o consumo de álcool também deve crescer, juntamente com o de ultraprocessados. Essa combinação de fatores representa um desafio complexo para o controle de doenças crônicas não transmissíveis no país.
O impacto dos ultraprocessados na saúde
O aumento projetado é uma má notícia devido à forte associação entre o consumo excessivo desses produtos e diversos problemas de saúde. Mas o que são exatamente os alimentos ultraprocessados e por que eles são tão prejudiciais? Eles são formulações industriais ricas em gorduras, açúcares, sal e aditivos químicos, como refrigerantes, salgadinhos e refeições prontas congeladas.
O impacto dos ultraprocessados na saúde é bem documentado pela ciência. Dietas baseadas nesses produtos estão ligadas a um maior risco de desenvolvimento de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até mesmo alguns tipos de câncer. O crescimento no consumo pode sobrecarregar ainda mais o Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dessas condições.
Um alerta para as políticas de saúde no Brasil
Os resultados do estudo funcionam como um aviso para gestores e para a sociedade. Sem a implementação de novas políticas públicas, o Brasil pode não atingir as metas de controle de doenças crônicas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“As projeções são preocupantes e indicam que, se nenhuma nova política for implementada, não alcançaremos as metas de controle de doenças crônicas”, afirmou Leandro Rezende, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos autores do estudo, em declaração à Folha de S.Paulo.
Os pesquisadores sugerem a adoção de medidas para frear essa tendência, como o aumento de impostos sobre produtos ultraprocessados, a melhoria da rotulagem nutricional para informar melhor o consumidor e a restrição da publicidade desses alimentos, especialmente para o público infantil.
O cenário futuro da saúde pública no Brasil dependerá da capacidade do país em responder a esses alertas. A tendência de aumento no consumo de ultraprocessados não é irreversível, mas exige ações coordenadas e eficazes para promover uma alimentação mais saudável para a população.