A criptorquidia, popularmente conhecida como testículo não descido, é uma condição relativamente comum em recém-nascidos, especialmente em bebês prematuros. Trata-se da ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal ao nascimento. Embora muitos casos se resolvam espontaneamente nos primeiros meses de vida, o diagnóstico correto e o acompanhamento médico são essenciais para garantir o desenvolvimento saudável da criança e prevenir complicações futuras.
O que é a criptorquidia?
A criptorquidia é uma anomalia congênita na qual o testículo não completa sua descida da cavidade abdominal, onde se forma durante a gestação, para a bolsa escrotal. Normalmente, esse processo de descida ocorre nas últimas semanas de gravidez, entre o sétimo e o nono mês.
Quando um bebê nasce e o testículo não está em sua posição final, ele pode estar localizado em algum ponto do trajeto normal de descida (no abdômen ou no canal inguinal) ou, mais raramente, em uma posição anormal (testículo ectópico), como na coxa ou no períneo.
É importante diferenciar a criptorquidia do testículo retrátil. Neste último caso, o testículo está na bolsa escrotal, mas pode ser “puxado” para cima, para o canal inguinal, por um reflexo muscular exacerbado. O testículo retrátil geralmente não requer tratamento cirúrgico e tende a se fixar na bolsa escrotal com o tempo, mas precisa de acompanhamento pediátrico.
Tipos de criptorquidia
A condição pode ser classificada de acordo com a localização do testículo e se afeta um ou ambos os lados:
- Criptorquidia unilateral: Apenas um testículo não desceu. Corresponde a cerca de 80% dos casos.
- Criptorquidia bilateral: Ambos os testículos estão fora da bolsa escrotal. É menos comum, mas requer uma investigação mais aprofundada.
- Testículo palpável: Na maioria dos casos (cerca de 80%), o médico consegue sentir o testículo fora da bolsa escrotal, geralmente na região da virilha.
- Testículo não palpável: Em cerca de 20% dos casos, o testículo não pode ser localizado no exame físico. Ele pode estar dentro do abdômen, ser muito pequeno (atrófico) ou, em casos raros, não ter se formado (agenesia testicular).
Principais causas e fatores de risco
A causa exata da criptorquidia nem sempre é clara, mas acredita-se que seja uma combinação de fatores genéticos, hormonais e mecânicos que interferem no processo normal de descida testicular. Alguns dos principais fatores de risco associados à condição incluem:
- Prematuridade: É o fator de risco mais significativo. Cerca de 30% dos bebês prematuros apresentam criptorquidia, em comparação com 3-4% dos bebês nascidos a termo.
- Baixo peso ao nascer: Bebês com peso inferior ao esperado para a idade gestacional têm maior probabilidade de ter a condição.
- Histórico familiar: A presença de criptorquidia no pai ou em um irmão aumenta o risco.
- Condições gestacionais: A saúde geral da mãe é crucial. Fatores como diabetes gestacional ou exposição a certas substâncias (como pesticidas) podem influenciar. Distúrbios hormonais, tanto no feto quanto na mãe, são uma causa investigada, e condições maternas como o hipertireoidismo podem necessitar de acompanhamento especial durante a gravidez.
- Anormalidades genéticas: Algumas síndromes, como a Síndrome de Down, estão associadas a uma maior incidência de testículo não descido.
- Fatores mecânicos: Um cordão espermático curto ou uma obstrução no canal inguinal podem impedir fisicamente a descida do testículo.
Sinais, sintomas e diagnóstico da criptorquidia
O principal e, muitas vezes, único sinal da criptorquidia é a aparência da bolsa escrotal, que pode parecer vazia ou menos desenvolvida de um ou de ambos os lados. A condição em si não causa dor ou desconforto para o bebê.
O diagnóstico é feito logo após o nascimento, durante o primeiro exame físico do recém-nascido. O pediatra realiza uma palpação cuidadosa da bolsa escrotal e da região inguinal para tentar localizar os testículos.
O procedimento diagnóstico geralmente segue estes passos:
- Exame físico: O médico examina o bebê em um ambiente aquecido e calmo para relaxar a musculatura e facilitar a palpação.
- Acompanhamento: Como muitos testículos descem espontaneamente nos primeiros 3 a 6 meses de vida, a conduta inicial é de observação e acompanhamento regular com o pediatra.
- Exames de imagem: Se o testículo não descer após os 6 meses ou se não for palpável, o médico pode solicitar exames de imagem. A ultrassonografia é o mais comum, mas a ressonância magnética pode ser usada para testículos intra-abdominais. No entanto, a eficácia desses exames é limitada e muitas vezes a exploração cirúrgica é necessária.
- Laparoscopia diagnóstica: Para testículos não palpáveis, um procedimento minimamente invasivo chamado laparoscopia pode ser usado. Uma pequena câmera é inserida no abdômen para localizar o testículo e, se encontrado, o cirurgião pode proceder com a correção no mesmo ato cirúrgico.
Opções de tratamento e por que é importante tratar
Se o testículo não descer sozinho até os 6 meses de idade, é improvável que o faça sem intervenção. O tratamento é fundamental para evitar complicações a longo prazo, como infertilidade, maior risco de torção testicular, desenvolvimento de hérnias inguinais e, principalmente, um risco aumentado de câncer de testículo na vida adulta.
O tratamento padrão para a criptorquidia é a cirurgia, conhecida como orquidopexia.
Orquidopexia
A orquidopexia é um procedimento cirúrgico realizado para mover o testículo para sua posição correta dentro da bolsa escrotal e fixá-lo para que não suba novamente. A cirurgia é geralmente recomendada entre os 6 e 18 meses de vida.
O procedimento é seguro, com altas taxas de sucesso. É realizado sob anestesia geral e, na maioria dos casos de testículos palpáveis, a criança recebe alta no mesmo dia. A recuperação costuma ser rápida, com poucas restrições.
Terapia hormonal
Em casos muito selecionados, o tratamento com injeções hormonais (hCG) pode ser tentado para estimular a descida do testículo. No entanto, sua taxa de sucesso é baixa e é menos eficaz que a cirurgia. Hoje, seu uso é bastante restrito e não é considerado o tratamento de primeira linha.
Perguntas frequentes
O que é criptorquidia?
Criptorquidia, ou testículo não descido, é uma condição em que um ou ambos os testículos de um bebê não estão na bolsa escrotal ao nascer. Eles permanecem em algum ponto do trajeto de descida, desde o abdômen até a virilha.
Quais são as causas da criptorquidia?
As causas exatas nem sempre são conhecidas, mas os principais fatores de risco incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, histórico familiar da condição, e possíveis fatores hormonais ou mecânicos que ocorrem durante a gestação.
Como é feito o diagnóstico da criptorquidia?
O diagnóstico é feito principalmente através do exame físico realizado pelo pediatra no recém-nascido. O médico palpa a bolsa escrotal e a região da virilha para verificar a presença e a posição dos testículos. Se necessário, exames de imagem ou uma exploração cirúrgica podem ser indicados.
Qual o tratamento para criptorquidia?
O tratamento principal e mais eficaz é a cirurgia chamada orquidopexia, que reposiciona e fixa o testículo na bolsa escrotal. O procedimento é geralmente realizado entre os 6 e 18 meses de idade para prevenir complicações futuras, como infertilidade e um risco aumentado de câncer testicular.
O acompanhamento pediátrico regular é a ferramenta mais importante para o diagnóstico precoce da criptorquidia. A identificação e o tratamento no tempo certo são cruciais para assegurar a saúde reprodutiva e geral do indivíduo no futuro. Manter as consultas em dia é fundamental não apenas para condições como esta, mas para monitorar o desenvolvimento e identificar outras doenças comuns na infância, como a mononucleose. Se você suspeita que seu filho possa ter essa condição, converse com o pediatra.