O Ministério da Saúde anunciou a expansão do serviço de teleatendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para incluir o tratamento da dependência em apostas. A medida responde à alta demanda por ajuda especializada, reflexo do crescimento do mercado de apostas online no Brasil, e visa oferecer um canal de apoio acessível para pessoas que enfrentam o transtorno do jogo.
Crescimento das apostas online acende alerta
A proliferação de plataformas de apostas esportivas, conhecidas como “bets”, trouxe consigo um aumento preocupante no número de casos de jogo patológico. O que começa como um entretenimento pode evoluir para um comportamento compulsivo, com graves consequências financeiras, sociais e para a saúde mental do indivíduo.
O vício em jogos de azar é classificado como um transtorno mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele se caracteriza pela incapacidade de resistir ao impulso de jogar, mesmo diante de prejuízos significativos. A expansão do acesso a apostas via smartphones tornou o problema ainda mais disseminado, conforme apontam estudos internacionais sobre o tema, que correlacionam a facilidade de acesso com o aumento de comportamentos de risco.
Como o novo serviço de teleatendimento funciona
O novo serviço integrado ao teleatendimento SUS oferecerá uma porta de entrada para o tratamento. Pacientes poderão buscar uma avaliação inicial com profissionais de saúde, como psicólogos e psiquiatras, por meio de chamadas de vídeo ou telefone. O objetivo é fornecer acolhimento, diagnóstico e orientação sobre os próximos passos do tratamento.
De acordo com o Ministério da Saúde, o fluxo de atendimento foi desenhado para ser ágil. Após o primeiro contato, o paciente pode ser encaminhado para sessões de terapia online ou, em casos mais complexos, para unidades de atendimento presencial, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A iniciativa é vista como uma estratégia para fortalecer a atenção primária no país, usando a tecnologia para superar barreiras geográficas e o estigma associado à busca de ajuda.
Uma nova política de saúde para um problema moderno
A inclusão da dependência em apostas nos serviços do SUS representa uma atualização importante da política de saúde mental brasileira. Ao reconhecer oficialmente o problema e destinar recursos para seu tratamento, o governo sinaliza a gravidade da questão e sua responsabilidade em oferecer suporte à população afetada.
Essa política de saúde se alinha a um movimento global de regulamentação do setor de apostas, que busca não apenas controlar a atividade econômica, mas também mitigar seus danos sociais. A medida se soma a debates sobre novas abordagens na área de saúde mental, que vão desde a digitalização do cuidado até a pesquisa com tratamentos alternativos, como o uso terapêutico da ayahuasca em contextos controlados.
A ampliação do teleatendimento é um passo fundamental para garantir que mais brasileiros tenham acesso a um tratamento digno e eficaz para a dependência em apostas. A expectativa é que o serviço ajude a reduzir os impactos negativos do transtorno e promova a conscientização sobre os riscos associados ao jogo descontrolado.