A Calendula officinalis, popularmente conhecida como calêndula, maravilha ou malmequer, é uma planta ornamental e medicinal originária da região do Mediterrâneo. Suas flores vibrantes, que variam do amarelo ao laranja intenso, não são apenas um deleite para os olhos, mas também a fonte de seus poderosos compostos terapêuticos. Utilizada desde a Grécia e Roma antigas, a calêndula sempre foi um item essencial na farmacopeia popular para o tratamento de feridas, inflamações de pele e uma variedade de outras doenças. No Brasil, sua importância é reconhecida oficialmente, fazendo parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS).

O que é a Calêndula

A Calêndula é uma planta herbácea anual da família Asteraceae, a mesma da margarida e do girassol. Para fins medicinais, são utilizadas as suas flores, que são ricas em uma variedade de compostos bioativos. Entre os mais importantes estão os triterpenoides (como os ésteres de faradiol), que são responsáveis por sua forte ação anti-inflamatória; os flavonoides (como a quercetina e a isorramnetina), que conferem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias; e os carotenoides (como o licopeno e a luteína), que dão a cor vibrante às pétalas e também atuam como antioxidantes. As flores podem ser usadas frescas ou secas para preparar infusões (chás), extratos líquidos (tinturas), óleos infundidos, pomadas e cremes.

Para que serve

O uso da calêndula é predominantemente tópico (aplicado na pele), devido às suas notáveis propriedades dermatológicas. As principais indicações, apoiadas por evidências científicas e pelo uso tradicional, incluem:

  • Cicatrização de feridas: É uma das suas aplicações mais famosas. A calêndula pode acelerar o processo de cicatrização de cortes, arranhões e feridas menores, promovendo a formação de novo tecido (granulação) e aumentando o fluxo sanguíneo para a área.
  • Queimaduras leves e queimaduras solares: Suas propriedades calmantes e anti-inflamatórias ajudam a aliviar a dor, a vermelhidão e a inflamação de queimaduras de primeiro grau.
  • Assaduras e dermatite de fralda: Pomadas de calêndula são seguras e eficazes para prevenir e tratar a irritação da pele em bebês.
  • Dermatite e eczema: Pode ajudar a reduzir a inflamação, a secura e a coceira associadas a várias formas de dermatite.
  • Prevenção de dermatite por radiação: Estudos mostraram que o uso de pomada de calêndula pode reduzir a incidência de dermatite aguda em pacientes submetidos à radioterapia para câncer de mama.
  • Picadas de insetos e irritações cutâneas: Alivia a coceira e a inflamação causadas por picadas e outras irritações menores.
  • Uso interno: Menos comum, o chá de calêndula pode ser usado como um enxaguante bucal para aliviar a inflamação da gengiva (gengivite) e dores de garganta, ou ingerido para ajudar em problemas gastrointestinais leves, como gastrite, devido à sua ação anti-inflamatória e cicatrizante nas mucosas.

Como funciona no organismo

O mecanismo de ação da calêndula na pele é multifatorial. Primeiramente, seus compostos triterpenoides, como o faradiol, são potentes inibidores da inflamação, agindo de forma semelhante a alguns medicamentos anti-inflamatórios, mas com um perfil de segurança muito maior. Eles ajudam a reduzir a vermelhidão, o inchaço e a dor no local da lesão. Em segundo lugar, a calêndula estimula a proliferação de fibroblastos e a síntese de colágeno, que são etapas cruciais na reconstrução do tecido da pele durante a cicatrização. Ela também promove a angiogênese, que é a formação de novos vasos sanguíneos, melhorando a circulação e a nutrição da área ferida. Além disso, os extratos de calêndula possuem atividade antimicrobiana (antibacteriana e antifúngica) moderada, o que ajuda a prevenir infecções em feridas abertas. Seus flavonoides e carotenoides atuam como antioxidantes, protegendo as células da pele contra os danos dos radicais livres.

Como tomar e usar

A forma de uso da calêndula depende da finalidade. Para uso tópico, as formas mais comuns são:

  • Pomadas e cremes: Geralmente contendo de 2% a 5% de extrato de calêndula. Aplicar uma camada fina sobre a área afetada de 2 a 3 vezes ao dia.
  • Óleo de calêndula: Feito pela infusão das flores em um óleo carreador (como azeite ou óleo de girassol). Ótimo para massagem, pele seca e cuidados com o bebê.
  • Compressas: Preparar um chá forte (infusão) com 1 a 2 colheres de sopa de flores secas em uma xícara de água fervente. Deixar em infusão por 15 minutos, coar, esperar esfriar, embeber um pano limpo e aplicar sobre a área afetada.

Para uso interno ou como enxaguante bucal:

  • Chá (infusão): Usar 1 a 2 colheres de chá de flores secas por xícara de água fervente. Deixar em infusão por 10-15 minutos. Pode-se beber até 3 xícaras por dia ou usar para bochechos e gargarejos.

É sempre importante usar produtos de fontes confiáveis e, para feridas abertas ou condições de pele persistentes, consultar um profissional de saúde.

Efeitos colaterais e cuidados

A calêndula é considerada uma das plantas medicinais mais seguras, especialmente para uso tópico. Os efeitos colaterais são extremamente raros. O principal risco é a possibilidade de uma reação alérgica. Pessoas que são alérgicas a outras plantas da família Asteraceae (também chamada de Compositae), como ambrósia, crisântemos, margaridas e camomila, têm uma chance maior de serem alérgicas à calêndula. Uma reação alérgica pode se manifestar como uma erupção cutânea, vermelhidão ou coceira no local da aplicação. Antes de usar um produto de calêndula em uma área grande, é aconselhável fazer um teste de contato, aplicando uma pequena quantidade no antebraço e esperando 24 horas para ver se ocorre alguma reação.

Quem deve evitar

  • Pessoas com alergia à família Asteraceae: Devem evitar o uso de calêndula ou usá-la com extrema cautela.
  • Gestantes (uso interno): O uso interno (chá) de calêndula é tradicionalmente evitado durante a gravidez devido a um potencial efeito emenagogo (que pode estimular o fluxo menstrual) e uterotônico leve. O uso tópico é geralmente considerado seguro, mas deve ser discutido com um médico.
  • Lactantes (uso interno): A segurança do uso interno durante a amamentação não foi estabelecida, portanto, é melhor evitar por precaução.

Interações com outros medicamentos

Não há interações clinicamente significativas conhecidas com o uso tópico de calêndula. Para o uso interno, teoricamente, a calêndula poderia ter um efeito aditivo quando usada com medicamentos sedativos (como benzodiazepínicos e barbitúricos), podendo aumentar a sonolência. No entanto, essa interação é baseada em estudos em animais e sua relevância em humanos é incerta. Como precaução, se você estiver tomando medicamentos sedativos, converse com seu médico antes de ingerir chá de calêndula regularmente.

O que fazer em caso de superdose

A toxicidade da calêndula é muito baixa e a superdosagem é extremamente improvável, especialmente com o uso tópico. A ingestão de grandes quantidades de chá de calêndula pode, teoricamente, causar leve desconforto estomacal ou sonolência. Não há necessidade de tratamento específico além da interrupção do uso. Em caso de reação alérgica severa (o que é muito raro), procure atendimento médico de emergência.

Quando procurar um médico

Embora a calêndula seja excelente para cuidados básicos da pele, é importante procurar um médico para feridas que são profundas, não param de sangrar, mostram sinais de infecção (pus, vermelhidão crescente, febre) ou não começam a cicatrizar após alguns dias de cuidados caseiros. Queimaduras graves e condições de pele crônicas, como eczema severo ou psoríase, também requerem diagnóstico e tratamento profissional. A calêndula pode ser um excelente coadjuvante, mas não deve substituir o tratamento médico adequado quando necessário.