A macela, também conhecida como marcela ou camomila-nacional, é uma planta herbácea nativa da América do Sul e amplamente distribuída no Brasil. Com o nome científico Achyrocline satureioides, ela pertence à família Asteraceae, a mesma das margaridas e girassóis. Suas pequenas flores amarelas e aromáticas são a parte mais utilizada para fins medicinais, tradicionalmente consumidas na forma de chá para aliviar desconfortos digestivos e promover o relaxamento.

Reconhecida por suas propriedades terapêuticas, a macela faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), o que valida seu valor cultural e potencial para a saúde pública. Seu uso é consagrado pela população, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde é comum colher os ramos floridos na Sexta-feira Santa, uma tradição que mescla fé e conhecimento popular sobre plantas medicinais.

O que é a macela

A Achyrocline satureioides é uma planta anual que pode atingir até um metro de altura. Possui um caule ramificado e folhas finas e alongadas, cobertas por uma fina camada de pelos esbranquiçados que lhe conferem uma textura aveludada e uma coloração acinzentada. As flores, que são a parte de interesse medicinal, são pequenas, globulares e de cor amarelo-dourado, agrupadas em inflorescências na ponta dos ramos. Elas exalam um aroma suave e característico, que se intensifica quando as flores são secas.

O uso medicinal da macela está associado à sua rica composição química. As flores contêm compostos bioativos importantes, principalmente flavonoides, como a quercetina, a luteolina e as aquiriclinas, que são responsáveis por grande parte de seus efeitos farmacológicos. Além dos flavonoides, a planta também possui óleos essenciais, como o cariofileno e o germacreno D, que contribuem para suas propriedades anti-inflamatórias e antiespasmódicas.

Para que serve

A macela é tradicionalmente utilizada para uma variedade de condições, com destaque para problemas do sistema digestivo e nervoso. Seus principais usos incluem:

  • Problemas digestivos: É amplamente empregada para aliviar sintomas de má digestão (dispepsia), como sensação de estômago pesado, gases (flatulência) e cólicas intestinais. Sua ação antiespasmódica pode ajudar a relaxar a musculatura lisa do trato gastrointestinal.
  • Efeito calmante: O chá de macela é popularmente consumido como um tranquilizante suave, podendo auxiliar em casos de ansiedade leve, agitação e insônia. Seu efeito relaxante pode ajudar a induzir o sono de forma natural.
  • Ação anti-inflamatória: Estudos sugerem que os extratos de macela possuem atividade anti-inflamatória, o que pode justificar seu uso tópico em contusões leves ou seu uso interno para aliviar processos inflamatórios gerais.
  • Saúde da pele: Em uso externo, a infusão de macela pode ser aplicada na pele para acalmar irritações, assaduras e ajudar na cicatrização de feridas superficiais, devido às suas propriedades antissépticas e anti-inflamatórias.

Como funciona no organismo

O mecanismo de ação da macela está diretamente ligado aos seus compostos bioativos. Os flavonoides, em particular a quercetina e a luteolina, são potentes antioxidantes. Eles atuam neutralizando os radicais livres, moléculas instáveis que podem causar danos às células e contribuir para o envelhecimento precoce e o desenvolvimento de doenças crônicas. Essa ação antioxidante também está associada ao efeito protetor gástrico, ajudando a proteger a mucosa do estômago contra agressões.

A propriedade antiespasmódica, útil para cólicas, parece ser mediada pela capacidade dos flavonoides de modular os canais de cálcio nas células musculares lisas do intestino. Ao reduzir a entrada de cálcio nessas células, a contração muscular diminui, resultando em relaxamento e alívio da dor. Já o efeito calmante e ansiolítico leve é atribuído à interação desses compostos com o sistema nervoso central, possivelmente envolvendo receptores GABAérgicos, que são os mesmos alvos de muitos medicamentos ansiolíticos sintéticos. O GABA (ácido gama-aminobutírico) é um neurotransmissor que inibe a atividade neuronal, promovendo uma sensação de calma e relaxamento.

Como tomar

A forma mais comum e segura de utilizar a macela é através da infusão (chá) de suas flores secas. A preparação é simples e rápida.

Modo de preparo do chá:

  1. Adicione 1 colher de sopa (cerca de 1 a 2 gramas) de flores secas de macela em uma xícara (aproximadamente 150 ml) de água fervente.
  2. Tampe a xícara e deixe em infusão por 5 a 10 minutos.
  3. Coe e beba em seguida.

Posologia usual: Recomenda-se tomar de 2 a 3 xícaras de chá ao dia, preferencialmente após as refeições para auxiliar na digestão, ou antes de dormir para promover o relaxamento. É importante não exceder a dose recomendada.

Embora o chá seja a forma de uso mais consagrada, a macela também pode ser encontrada em outras apresentações, como extratos líquidos (tinturas) ou cápsulas de extrato seco. Nesses casos, a dosagem deve seguir estritamente a orientação do fabricante ou de um profissional de saúde qualificado. Antes de iniciar o uso de qualquer fitoterápico, é fundamental consultar um médico ou farmacêutico para garantir que o uso é seguro e apropriado para sua condição de saúde.

Efeitos colaterais e cuidados

Quando utilizada nas doses recomendadas, a macela é considerada segura para a maioria dos adultos. Efeitos colaterais são raros e geralmente leves, podendo incluir sonolência, especialmente se consumida em grandes quantidades. Pessoas com alergia a plantas da família Asteraceae (como camomila, crisântemo e ambrósia) podem apresentar reações de hipersensibilidade, como erupções cutâneas, coceira ou dificuldade respiratória. Nesses casos, o uso deve ser interrompido imediatamente.

Quem deve evitar

Existem algumas situações em que o uso da macela deve ser evitado ou realizado com extrema cautela:

  • Gestantes e lactantes: Não há estudos suficientes que comprovem a segurança do uso da macela durante a gravidez e a amamentação. Portanto, seu uso é desaconselhado nessas fases.
  • Crianças pequenas: O uso em crianças deve ser orientado por um pediatra.
  • Pessoas com alergia conhecida: Indivíduos com histórico de alergia a plantas da família Asteraceae devem evitar o consumo de macela.

Interações com outros medicamentos

A macela pode interagir com certos tipos de medicamentos, potencializando ou diminuindo seus efeitos. É importante ter atenção ao uso concomitante com:

  • Medicamentos sedativos e calmantes: Por ter um efeito calmante, a macela pode potencializar a ação de medicamentos ansiolíticos (como benzodiazepínicos) e antidepressivos, aumentando o risco de sonolência excessiva.
  • Anticoagulantes: Alguns estudos em laboratório sugerem que os flavonoides podem ter um leve efeito sobre a coagulação sanguínea. Pessoas que utilizam medicamentos como varfarina ou aspirina devem consultar um médico antes de usar a macela de forma contínua.

O que fazer em caso de superdose

A toxicidade da macela é baixa, e casos de superdosagem são raros. O consumo excessivo pode levar a sintomas como sonolência intensa, náuseas ou tontura. Não há um antídoto específico. Em caso de ingestão de uma quantidade muito grande, a recomendação é procurar atendimento médico ou um centro de informação toxicológica, informando sobre a planta e a quantidade consumida. A indução do vômito não é recomendada sem orientação profissional.

Quando procurar um médico

O uso da macela é indicado para o alívio de sintomas leves e transitórios. É fundamental procurar um médico se:

  • Os sintomas digestivos (dor, queimação, cólicas) persistirem por mais de uma semana ou piorarem.
  • A ansiedade ou insônia for severa e estiver impactando significativamente a qualidade de vida.
  • Surgirem sinais de reação alérgica, como urticária, inchaço ou dificuldade para respirar.
  • Você estiver grávida, amamentando ou planejando usar a planta em crianças.

A automedicação, mesmo com plantas medicinais, deve ser feita com responsabilidade. Um diagnóstico médico correto é essencial para garantir o tratamento adequado e seguro.