Maracujá (Passiflora alata)
Passiflora alata (maracujá medicinal) é um fitoterápico usado para tratar ansiedade leve, irritabilidade e insônia. Sua ação calmante é atribuída aos flavonoides, como a vitexina, que modulam o sistema GABA no cérebro.
Quando se fala em maracujá, a primeira imagem que vem à mente é a do fruto azedo (Passiflora edulis) usado para fazer sucos e sobremesas. No entanto, o gênero Passiflora compreende centenas de espécies, e muitas delas, como a Passiflora alata, possuem notáveis propriedades medicinais. Conhecida como maracujá-doce, suas folhas, e não o fruto, são a parte utilizada na fitoterapia para produzir extratos com ação calmante, ansiolítica e sedativa.
Medicamentos fitoterápicos à base de Passiflora alata são registrados na Anvisa e vendidos em farmácias para o tratamento de quadros leves de ansiedade, agitação e insônia. Diferente de muitos calmantes sintéticos, a passiflora oferece uma alternativa mais suave, com menor risco de dependência e efeitos colaterais, sendo uma opção terapêutica valiosa para o manejo do estresse e da ansiedade do dia a dia.
O que é a Passiflora alata
A Passiflora alata é uma planta trepadeira nativa do Brasil, pertencente à família Passifloraceae. Ela se diferencia de outras espécies de maracujá por suas hastes quadrangulares com “asas” (daí o nome alata), suas flores grandes e vistosas de cor avermelhada e seus frutos grandes, doces e amarelados. Embora o fruto seja comestível, o interesse medicinal está concentrado nas folhas.
As folhas da Passiflora alata são ricas em compostos bioativos, principalmente flavonoides. A vitexina e a isovitexina são considerados os principais marcadores químicos e farmacológicos da planta. Além dos flavonoides, as folhas contêm traços de alcaloides harmanicos e glicosídeos cianogênicos, mas em concentrações muito baixas, que são consideradas seguras dentro das doses terapêuticas recomendadas. A ação conjunta desses compostos é o que confere à planta suas propriedades calmantes.
Para que serve
Os medicamentos e preparações à base de Passiflora alata são indicados para o alívio de sintomas associados ao sistema nervoso. As principais indicações, conforme aprovado em bula pela Anvisa, são:
- Tratamento da ansiedade leve: É eficaz para reduzir a sensação de apreensão, nervosismo e tensão associada a quadros de ansiedade leve a moderada.
- Controle da irritabilidade e agitação: Ajuda a acalmar estados de agitação, impaciência e irritabilidade, promovendo uma sensação de bem-estar.
- Tratamento da insônia: Por seu efeito sedativo suave, pode auxiliar a induzir o sono e a melhorar sua qualidade, sendo útil para pessoas que têm dificuldade para adormecer devido à ansiedade e pensamentos acelerados.
- Desordens da ansiedade: Pode ser usada como coadjuvante no manejo de sintomas físicos da ansiedade, como palpitações, sudorese e tremores de origem nervosa.
Como funciona no organismo
O mecanismo de ação exato da Passiflora alata ainda não está completamente elucidado, mas as evidências científicas apontam para uma modulação do sistema GABAérgico no cérebro. O GABA (ácido gama-aminobutírico) é o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central. Sua função é reduzir a atividade dos neurônios, o que resulta em um efeito de relaxamento, diminuição da ansiedade e indução do sono.
Acredita-se que os flavonoides presentes na passiflora, como a vitexina, se ligam a receptores GABA-A, de forma semelhante (embora mais suave) aos medicamentos benzodiazepínicos (como Diazepam e Alprazolam). Essa ligação potencializa a ação do GABA, promovendo o efeito calmante e ansiolítico. Diferente dos benzodiazepínicos, a passiflora não parece causar os mesmos níveis de sedação intensa, amnésia ou risco de dependência, tornando-a uma opção mais segura para casos leves.
Como tomar
A Passiflora alata pode ser encontrada em diferentes formas, como chá, tintura e, mais comumente, como medicamento fitoterápico em comprimidos ou solução oral.
Medicamentos registrados (comprimidos/solução):
- A forma mais segura e eficaz de uso é através de medicamentos registrados na Anvisa, pois eles possuem dose padronizada e controle de qualidade.
- A posologia varia conforme a concentração do produto. Por exemplo, para um comprimido contendo 300 mg de extrato seco, a dose usual para adultos pode ser de 1 a 2 comprimidos, 1 a 3 vezes ao dia, dependendo da indicação (ansiedade ou insônia).
- É fundamental ler a bula e seguir a orientação do médico ou farmacêutico. Não exceda a dose recomendada.
Chá (infusão):
- Pode-se preparar um chá com as folhas secas (1 a 2 colheres de chá para uma xícara de água quente). No entanto, a concentração de ativos no chá é variável e menos confiável que nos medicamentos padronizados.
Efeitos colaterais e cuidados
A Passiflora alata é geralmente bem tolerada nas doses terapêuticas. Os efeitos colaterais são raros e leves, mas podem incluir:
- Sonolência ou sedação, especialmente no início do tratamento ou em doses mais altas.
- Tontura, náuseas ou dor de cabeça em casos isolados.
Devido ao efeito sedativo, pacientes em tratamento devem ter cautela ao dirigir veículos ou operar máquinas pesadas, pois seus reflexos podem estar diminuídos.
Quem deve evitar
O uso de Passiflora alata é contraindicado para:
- Gestantes e lactantes: Não há estudos que garantam a segurança do uso nessas fases.
- Crianças menores de 12 anos: O uso deve ser feito apenas sob prescrição médica.
- Pessoas com hipersensibilidade: Indivíduos com alergia conhecida à passiflora ou a qualquer componente da fórmula.
Interações com outros medicamentos
A principal preocupação é a interação com outros medicamentos que deprimem o sistema nervoso central. O uso concomitante de passiflora com:
- Bebidas alcoólicas, sedativos (barbitúricos), ansiolíticos (benzodiazepínicos) ou antidepressivos pode potencializar o efeito sedativo, levando a sonolência excessiva e perigosa.
Sempre informe seu médico ou farmacêutico sobre todos os medicamentos e suplementos que você utiliza antes de iniciar o tratamento com passiflora.
O que fazer em caso de superdose
A ingestão de doses muito acima das recomendadas pode intensificar os efeitos colaterais, causando sedação profunda, tontura, confusão mental, náuseas e vômitos. Em caso de superdosagem, procure imediatamente um serviço de emergência médica, levando a embalagem ou a bula do medicamento.
Quando procurar um médico
A passiflora é indicada para sintomas leves e transitórios. É essencial procurar um médico se:
- Os sintomas de ansiedade ou insônia forem graves, persistentes e estiverem afetando sua capacidade de trabalhar, estudar ou se relacionar.
- Você sentir pensamentos de autoagressão ou depressão.
- Os sintomas não melhorarem após 2 a 3 semanas de uso do fitoterápico.
- Você estiver grávida, amamentando ou planejando dar o medicamento a uma criança.
Transtornos de ansiedade e do sono podem exigir uma abordagem terapêutica mais completa, que pode incluir psicoterapia e outros medicamentos, e apenas um profissional de saúde pode fazer essa avaliação.
Identificação botânica
- Planta de origem
- Passiflora alata Curtis
- Padronização do extrato
- Os medicamentos são padronizados em flavonoides totais, expressos em vitexina. Ex: 4,5% de flavonoides totais.
- Tempo máximo de uso contínuo
- O tempo de tratamento deve ser determinado pelo médico. Se não houver melhora em 2-3 semanas, reavaliar.
Apresentações
| Forma farmacêutica | Concentração | Via |
|---|---|---|
| Comprimido | Ex: 300 mg de extrato seco | Oral |
| Solução oral | Ex: 90 mg/mL de extrato | Oral |
Uso clínico
Indicações
Indicado para o tratamento da ansiedade leve, como estados de irritabilidade, agitação nervosa, e no tratamento de insônia e desordens da ansiedade.
Posologia
A posologia deve seguir a orientação da bula do produto ou de um profissional de saúde. Como exemplo, a dose para adultos pode variar de 1 a 2 comprimidos, até 3 vezes ao dia, dependendo da gravidade dos sintomas. Para insônia, a dose pode ser concentrada à noite. Consulte um médico ou farmacêutico.
- Tempo até início do efeito
- Aproximadamente 30 a 60 minutos após a ingestão.
- Duração do efeito
- Cerca de 4 a 6 horas.
Contraindicações
Contraindicado para pacientes com histórico de hipersensibilidade a qualquer um dos componentes da fórmula. Não deve ser utilizado por mulheres grávidas ou em período de amamentação, nem por crianças menores de 12 anos sem orientação médica.
Superdosagem
Em caso de superdosagem, podem ocorrer sintomas como sedação excessiva, tontura e náuseas. Recomenda-se procurar imediatamente assistência médica para tratamento de suporte dos sintomas.
Mecanismo de ação
Acredita-se que os flavonoides da Passiflora alata, como a vitexina, atuem no sistema nervoso central potencializando a ação do neurotransmissor inibitório GABA (ácido gama-aminobutírico). Ao se ligarem a receptores GABA-A, eles promovem um efeito de relaxamento, redução da atividade neuronal e, consequentemente, alívio da ansiedade e indução do sono.
Efeitos colaterais
Comuns
-
Sonolência
Pode ocorrer principalmente no início do tratamento ou em doses mais elevadas.
-
Tontura
Pode ocorrer em pacientes mais sensíveis.
Raros / graves
-
Náuseas
Desconforto gastrointestinal leve pode ocorrer em casos isolados.
Interações medicamentosas
| Medicamento / classe | Severidade | Descrição |
|---|---|---|
| Álcool e outros depressores do SNC | Grave | A associação pode potencializar o efeito sedativo, aumentando o risco de sonolência profunda e diminuição dos reflexos. |
Populações especiais
Gestação
O uso de Passiflora alata é contraindicado durante a gravidez devido à falta de estudos de segurança.
Lactação
O uso de Passiflora alata é contraindicado durante a amamentação, pois não se sabe se seus componentes são excretados no leite materno.
Uso pediátrico
O uso em crianças menores de 12 anos não é recomendado sem orientação e acompanhamento médico.
Uso geriátrico
Idosos podem ser mais sensíveis aos efeitos sedativos. Recomenda-se iniciar com doses mais baixas e monitorar possíveis tonturas e risco de quedas.
Insuficiência renal / hepática
Pacientes com insuficiência renal ou hepática devem consultar um médico antes de usar o produto, pois o metabolismo dos componentes pode ser afetado.
Regulatório
- Fabricante
- Hypera Pharma (referência para Maracugina)
- Registro Anvisa
Ex: 1.7817.0873- Versão genérica
- ✓ Disponível no Brasil
- Bula oficial Anvisa
- Acessar bula completa →
Categoria regulatória
- Categoria Anvisa
- Fitoterápico registrado (RDC 26/2014)
- Lista RENISUS
- ✓ Espécie incluída no RENISUS (SUS)
Perguntas frequentes
Passiflora vicia?
Diferente de muitos calmantes sintéticos, como os benzodiazepínicos, a Passiflora não é considerada uma substância que causa dependência física ou vício quando utilizada nas doses terapêuticas recomendadas.
Qual a diferença entre Passiflora alata e Passiflora incarnata?
Ambas são espécies de maracujá com propriedades calmantes. A P. alata é nativa do Brasil e a base de muitos fitoterápicos nacionais (como Maracugina). A P. incarnata é mais comum na Europa e América do Norte. Ambas possuem flavonoides como princípios ativos e têm efeitos semelhantes.
Posso tomar Passiflora junto com bebida alcoólica?
Não. A combinação de Passiflora com álcool ou outros depressores do sistema nervoso central pode potencializar perigosamente o efeito sedativo, causando sonolência excessiva, tontura e diminuição dos reflexos.
Quanto tempo a Passiflora demora para fazer efeito?
O efeito calmante pode começar a ser percebido cerca de 30 a 60 minutos após a ingestão. Para um efeito mais consistente no controle da ansiedade e da insônia, pode ser necessário o uso contínuo por alguns dias.
O suco de maracujá (fruta) tem o mesmo efeito calmante?
O suco, feito do fruto do maracujá-azedo (Passiflora edulis), contém pequenas quantidades de substâncias calmantes e pode ter um leve efeito relaxante. No entanto, a concentração de ativos medicinais é muito maior nas folhas da Passiflora alata, que são usadas para fazer os medicamentos fitoterápicos.