O tanaceto, cientificamente denominado Tanacetum parthenium, é uma planta medicinal da família das margaridas (Asteraceae) que tem uma longa história de uso na medicina tradicional europeia, principalmente para tratar febre, dores de cabeça e artrite. Hoje, seu uso mais consolidado e estudado é na prevenção das crises de enxaqueca, uma condição neurológica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Também conhecido pelo nome em inglês, feverfew, o tanaceto atua não como um analgésico para a crise já instalada, mas como um agente profilático, que, quando usado continuamente, pode reduzir a frequência, a intensidade e a duração das crises de enxaqueca. Este efeito é atribuído principalmente a um composto chamado partenolida.

O que é o tanaceto

O Tanacetum parthenium é uma planta herbácea perene, com pequenas flores brancas semelhantes às das margaridas e folhas aromáticas e amargas. Originária dos Bálcãs, hoje é cultivada em várias partes do mundo. As partes utilizadas para fins medicinais são as folhas e, por vezes, as flores, que são secas e processadas para a fabricação de cápsulas, comprimidos ou extratos líquidos.

A eficácia do tanaceto está em sua complexa composição química. Ele contém um grupo de compostos chamados lactonas sesquiterpênicas, sendo a partenolida a mais abundante e farmacologicamente ativa. A concentração de partenolida pode variar significativamente entre diferentes plantas e preparações, por isso é fundamental que os produtos fitoterápicos sejam padronizados para garantir uma dose consistente e eficaz do princípio ativo.

Para que serve o tanaceto

A principal e mais bem documentada indicação para o uso do tanaceto é a profilaxia da enxaqueca. Diversos estudos clínicos e revisões sistemáticas confirmaram que o uso regular de extratos de tanaceto pode levar a uma redução significativa no número de crises de enxaqueca por mês. Além disso, quando as crises ocorrem, elas tendem a ser menos severas, com menos náuseas e vômitos associados.

É crucial entender que o tanaceto não é um tratamento para a dor aguda da enxaqueca. Ele não funciona como um analgésico de efeito rápido. Seu benefício reside no uso contínuo, diário, para modular os mecanismos biológicos que desencadeiam as crises. O efeito preventivo geralmente começa a ser observado após 4 a 8 semanas de uso ininterrupto.

Outros usos tradicionais

Historicamente, o tanaceto foi usado para uma variedade de outras condições, como febre, dores menstruais, artrite reumatoide e psoríase, devido às suas propriedades anti-inflamatórias. No entanto, as evidências científicas para esses usos são menos robustas do que para a prevenção da enxaqueca.

Como funciona no organismo

O mecanismo de ação do tanaceto na prevenção da enxaqueca é multifatorial e ainda não está completamente elucidado, mas acredita-se que a partenolida desempenhe um papel central através de várias vias:

  • Ação anti-inflamatória: A partenolida é um potente inibidor da produção de prostaglandinas, substâncias que promovem a inflamação e a dor. Acredita-se que a inflamação neurogênica nos vasos sanguíneos do cérebro seja um componente chave da enxaqueca.
  • Inibição da agregação plaquetária: O tanaceto pode impedir que as plaquetas sanguíneas liberem serotonina de forma abrupta. Flutuações nos níveis de serotonina são conhecidas por estarem associadas ao início de uma crise de enxaqueca.
  • Efeito sobre os vasos sanguíneos: Pode ajudar a prevenir o espasmo dos vasos sanguíneos cerebrais, que é uma das fases da cascata da enxaqueca.
  • Bloqueio de canais de íons: Estudos mais recentes sugerem que a partenolida pode modular a atividade de canais de íons (como o TRPA1) nos neurônios trigeminais, diminuindo a hiperexcitabilidade neuronal que caracteriza a enxaqueca.

Em conjunto, esses mecanismos ajudam a estabilizar o sistema nervoso e vascular, tornando o cérebro menos suscetível aos gatilhos que normalmente desencadeariam uma crise de enxaqueca.

Como tomar

O tanaceto deve ser utilizado na forma de produtos padronizados, como cápsulas ou comprimidos, para garantir a dose correta de partenolida. A dose usualmente recomendada em estudos clínicos para a profilaxia da enxaqueca é de 100 a 125 mg de extrato seco de folhas por dia, contendo no mínimo 0,2% de partenolida.

Algumas diretrizes importantes:

  • Uso contínuo: O tratamento deve ser feito diariamente, independentemente de haver dor de cabeça ou não.
  • Paciência: Os resultados não são imediatos. Pode levar de um a dois meses para que a redução na frequência das crises seja notada.
  • Não interrompa abruptamente: A interrupção súbita do tratamento, especialmente após uso prolongado, pode levar a um efeito rebote, com aumento da frequência das dores de cabeça. A descontinuação deve ser gradual e orientada por um profissional de saúde.
  • Consulte um médico: O diagnóstico de enxaqueca e a decisão de iniciar um tratamento profilático, mesmo que com um fitoterápico, devem ser feitos por um médico.

Efeitos colaterais e cuidados

O tanaceto é geralmente bem tolerado, mas alguns efeitos colaterais podem ocorrer:

  • Distúrbios gastrointestinais: Os efeitos mais comuns são desconforto abdominal, náuseas, diarreia ou flatulência.
  • Úlceras orais: Mastigar as folhas frescas da planta (o que não é recomendado) pode causar feridas na boca, inchaço dos lábios e perda de paladar. Os produtos em cápsulas evitam esse problema.
  • Síndrome pós-feverfew: A interrupção abrupta pode causar ansiedade, insônia, rigidez muscular e retorno das dores de cabeça.
  • Reações alérgicas: Pessoas alérgicas a plantas da família Asteraceae (como camomila, crisântemo, ambrósia) podem ter reações ao tanaceto.

Quem deve evitar

O uso de tanaceto é contraindicado em algumas situações:

  • Gravidez: O tanaceto pode estimular contrações uterinas e é contraindicado durante a gestação.
  • Amamentação: A segurança durante a lactação não foi estabelecida, portanto seu uso deve ser evitado.
  • Crianças: Não há dados de segurança suficientes para recomendar seu uso em crianças.
  • Alergia à família Asteraceae: Indivíduos com alergia conhecida a plantas como margaridas, camomila ou alcachofra devem evitar o tanaceto.
  • Antes de cirurgias: Devido ao seu efeito sobre a agregação plaquetária, o uso de tanaceto deve ser interrompido pelo menos duas semanas antes de qualquer procedimento cirúrgico para reduzir o risco de sangramento.

Interações com outros medicamentos

O tanaceto pode interagir com certos medicamentos, potencializando seus efeitos ou riscos:

  • Anticoagulantes e antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento quando tomado junto com medicamentos como varfarina, clopidogrel, aspirina e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e naproxeno.

É essencial informar ao médico e ao farmacêutico sobre o uso de tanaceto antes de iniciar ou modificar qualquer outro tratamento medicamentoso.