Itraconazol
Itraconazol é um antifúngico potente para micoses de unha, pele e infecções sistêmicas. Seu uso é contraindicado em pacientes com insuficiência cardíaca e interage com muitos medicamentos.
O itraconazol é um medicamento antifúngico sintético que pertence à classe dos triazóis, a mesma do fluconazol, mas com um espectro de ação ainda mais amplo. É uma ferramenta terapêutica valiosa para o tratamento de diversas infecções fúngicas, desde as superficiais, como micoses de pele e unhas, até as sistêmicas e potencialmente fatais, como aspergilose e histoplasmose.
O que é o itraconazol
O itraconazol é um agente fungistático que atua inibindo o crescimento dos fungos. Uma de suas características mais importantes é a sua lipofilicidade, ou seja, sua afinidade por gorduras. Isso permite que ele se acumule em altas concentrações em tecidos como a pele e, especialmente, as unhas, onde permanece ativo por semanas após o término do tratamento. Essa propriedade o torna particularmente eficaz para o tratamento da onicomicose (micose de unha). No entanto, essa mesma característica, junto com sua dependência de um pH ácido para ser absorvido, torna sua farmacocinética complexa e sujeita a variações.
Para que serve
O itraconazol é indicado para o tratamento de uma vasta gama de infecções fúngicas, incluindo:
- Onicomicose: Infecção fúngica das unhas das mãos ou dos pés. O itraconazol é uma das principais opções de tratamento sistêmico, muitas vezes administrado em pulsoterapia (ciclos de tratamento intercalados com períodos de descanso).
- Dermatomicoses: Infecções fúngicas da pele (Tinea corporis, Tinea cruris, Tinea pedis, Tinea manuum) quando o tratamento tópico não é suficiente ou a área afetada é muito extensa.
- Pitiríase versicolor: Uma infecção fúngica superficial da pele, também conhecida como “pano branco”.
- Candidíase oral e vulvovaginal: Embora o fluconazol seja mais comum para esses casos, o itraconazol é uma alternativa eficaz.
- Micoses sistêmicas: É um medicamento crucial para o tratamento de infecções graves em pacientes imunocompetentes e imunocomprometidos, como:
- Aspergilose: Infecção causada por fungos do gênero Aspergillus, que pode afetar os pulmões e outros órgãos.
- Histoplasmose: Infecção pulmonar ou disseminada causada pelo fungo Histoplasma capsulatum.
- Esporotricose: Infecção que afeta pele, linfonodos e, em casos raros, outros órgãos.
- Paracoccidioidomicose: Micose sistêmica endêmica em áreas da América Latina, incluindo o Brasil.
Como funciona no organismo
Assim como outros antifúngicos azólicos, o itraconazol age inibindo a enzima fúngica lanosterol 14-alfa-desmetilase, que é dependente do citocromo P450. Essa enzima é vital para a conversão do lanosterol em ergosterol. O ergosterol é o principal esterol da membrana celular dos fungos, essencial para sua integridade estrutural, fluidez e para a função de diversas proteínas de membrana. Ao bloquear a síntese de ergosterol, o itraconazol causa o acúmulo de esteróis anormais na membrana, o que altera sua permeabilidade e leva à disfunção e interrupção do crescimento do fungo.
Como tomar
A administração correta do itraconazol é fundamental para garantir sua eficácia, pois sua absorção é variável. A prescrição deve ser seguida rigorosamente.
- Cápsulas: As cápsulas de itraconazol devem ser tomadas imediatamente após uma refeição completa. A presença de alimentos e, principalmente, de um ambiente ácido no estômago, é necessária para a correta absorção do medicamento. Em alguns casos, médicos podem recomendar tomar com uma bebida ácida, como um refrigerante à base de cola, para otimizar a absorção.
- Solução oral: Diferente das cápsulas, a solução oral de itraconazol deve ser tomada com o estômago vazio (pelo menos 1 hora antes ou 2 horas após uma refeição), pois sua formulação já garante uma boa absorção nessas condições. A solução e as cápsulas não são intercambiáveis na mesma dosagem.
- Pulsoterapia: Para onicomicose, é comum o esquema de “pulsoterapia”, que consiste em tomar o medicamento por uma semana e depois fazer uma pausa de três semanas, repetindo o ciclo conforme a necessidade.
Efeitos colaterais e cuidados
O itraconazol pode causar efeitos colaterais, e alguns requerem atenção especial:
- Distúrbios gastrointestinais: Náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia são os mais comuns.
- Aumento das enzimas hepáticas: É relativamente comum, mas geralmente transitório. No entanto, a toxicidade hepática grave pode ocorrer.
- Insuficiência cardíaca congestiva (ICC): O itraconazol tem um efeito inotrópico negativo (pode diminuir a força de contração do coração). Por isso, ele é contraindicado em pacientes com histórico de ICC ou disfunção ventricular. Este é um alerta importante (black box warning) em muitos países.
- Efeitos neurológicos: Dor de cabeça, tontura e, raramente, neuropatia periférica.
Quem deve evitar
O uso de itraconazol é contraindicado em várias situações:
- Pacientes com hipersensibilidade ao itraconazol ou a outros componentes da fórmula.
- Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC) ou histórico da doença, para o tratamento de onicomicose ou dermatomicoses. Para infecções sistêmicas graves, o médico pode pesar os riscos e benefícios.
- Gestantes: É classificado como Categoria C. O uso na gravidez é contraindicado para infecções não ameaçadoras à vida, devido ao risco de danos ao feto. Mulheres em idade fértil devem usar métodos contraceptivos eficazes durante e até 2 meses após o término do tratamento.
- Uso concomitante com uma longa lista de medicamentos que são metabolizados pela enzima CYP3A4 e podem causar efeitos adversos graves (ver interações).
Interações com outros medicamentos
O itraconazol é um potente inibidor da enzima CYP3A4, o que o torna um dos medicamentos com maior potencial de interações medicamentosas. Ele pode aumentar drasticamente os níveis de muitos outros fármacos, levando a toxicidades graves. A lista é extensa e deve ser revisada por um médico ou farmacêutico. Alguns exemplos críticos incluem:
- Estatinas (sinvastatina, lovastatina): O uso concomitante é contraindicado devido ao risco elevado de rabdomiólise.
- Benzodiazepínicos (midazolam oral, triazolam): Contraindicado pelo risco de sedação prolongada.
- Certos antiarrítmicos (quinidina, dofetilida): Contraindicado pelo risco de arritmias cardíacas fatais.
- Alcaloides do ergot (ergotamina): Contraindicado pelo risco de ergotismo (vasoconstrição grave).
- Anticoagulantes, imunossupressores, alguns bloqueadores de canal de cálcio: Exigem monitoramento e ajuste de dose.
- Medicamentos que reduzem a acidez gástrica (inibidores da bomba de prótons como omeprazol, antiácidos) podem diminuir a absorção das cápsulas de itraconazol.
O que fazer em caso de superdose
A experiência com superdosagem de itraconazol é limitada. Se ocorrer, as medidas devem ser de suporte. Procure um serviço de emergência. Não há antídoto específico, e o itraconazol não é removido por hemodiálise.
Quando procurar um médico
O uso de itraconazol exige prescrição e acompanhamento médico rigoroso. Procure um médico se:
- Desenvolver sintomas de insuficiência cardíaca, como falta de ar, inchaço nas pernas ou tornozelos, ou fadiga incomum.
- Apresentar sinais de problemas hepáticos: icterícia (pele amarelada), urina escura, fezes claras, náusea e vômito persistentes.
- Sentir formigamento, dormência ou fraqueza nas extremidades (sinais de neuropatia).
- Tiver uma reação alérgica ou erupção cutânea grave.
Apresentações
| Forma farmacêutica | Concentração | Via |
|---|---|---|
| Cápsula | 100 mg | Oral |
| Solução oral | 10 mg/mL | Oral |
Uso clínico
Indicações
Tratamento de onicomicose, dermatomicoses, pitiríase versicolor, candidíase oral e vulvovaginal, e micoses sistêmicas como aspergilose, histoplasmose e esporotricose.
Posologia
A dose e o esquema (contínuo ou pulsoterapia) dependem da infecção. As cápsulas devem ser tomadas após uma refeição completa. A solução oral deve ser tomada em jejum. Siga sempre a orientação do seu médico.
- Tempo até início do efeito
- A absorção é variável. A melhora clínica pode levar semanas ou meses, dependendo da infecção.
- Duração do efeito
- O itraconazol se acumula em tecidos como pele e unhas, onde permanece em níveis terapêuticos por semanas após o fim do tratamento.
Contraindicações
Hipersensibilidade ao fármaco. Contraindicado em pacientes com evidência de disfunção ventricular, como insuficiência cardíaca congestiva. Contraindicado na gravidez para onicomicose. Contraindicado com vários outros medicamentos.
Superdosagem
Os dados sobre superdosagem são limitados. Em caso de ingestão acidental de altas doses, procure um serviço de emergência. O tratamento é de suporte. Não há antídoto.
Mecanismo de ação
O itraconazol inibe a síntese de ergosterol, um componente essencial da membrana celular dos fungos. Ele bloqueia a enzima 14-alfa-desmetilase, levando à desestabilização da membrana fúngica e à interrupção do crescimento e da replicação do microrganismo.
Efeitos colaterais
Comuns
-
Náusea e dor abdominal
Efeitos gastrointestinais são os mais frequentes.
-
Dor de cabeça
Cefaleia pode ocorrer durante o tratamento.
-
Aumento de enzimas hepáticas
Alterações geralmente leves e reversíveis nos exames de função do fígado.
Raros / graves
-
Insuficiência cardíaca congestiva
Pode causar ou piorar a insuficiência cardíaca. Fique atento a falta de ar e inchaço.
-
Hepatotoxicidade grave
Danos graves ao fígado, incluindo falência hepática aguda.
-
Neuropatia periférica
Dormência ou formigamento nas extremidades, que pode ser irreversível.
Interações medicamentosas
| Medicamento / classe | Severidade | Descrição |
|---|---|---|
| Sinvastatina, Lovastatina | Grave | Uso concomitante é contraindicado pelo risco aumentado de miopatia e rabdomiólise. |
| Midazolam oral, Triazolam | Grave | Contraindicado pelo risco de sedação profunda e prolongada e depressão respiratória. |
| Inibidores da bomba de prótons (ex: Omeprazol) | Moderada | Reduzem a acidez do estômago e diminuem a absorção das cápsulas de itraconazol, podendo levar à falha terapêutica. |
Populações especiais
Gestação
C C — risco não pode ser descartado
O itraconazol é Categoria C de risco na gravidez. Estudos em animais mostraram efeitos adversos no feto. É contraindicado na gestação para tratamento de onicomicose e dermatomicose. Mulheres em idade fértil devem usar contracepção eficaz durante e por 2 meses após o tratamento.
Lactação
O itraconazol é excretado em pequenas quantidades no leite materno. O médico deve avaliar a relação risco-benefício para decidir sobre a continuidade da amamentação ou do tratamento.
Uso pediátrico
O uso em crianças não é recomendado, a menos que o benefício supere os riscos potenciais. A experiência clínica em pediatria é limitada.
Uso geriátrico
O uso em idosos deve ser feito com cautela, considerando a maior frequência de comorbidades (especialmente cardíacas, renais e hepáticas) e o uso de múltiplos medicamentos.
Insuficiência renal / hepática
A biodisponibilidade oral pode ser menor em pacientes com insuficiência renal. Em pacientes com insuficiência hepática, o uso deve ser feito com cautela e monitoramento das funções do fígado, pois o medicamento é extensamente metabolizado no fígado.
Regulatório
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- Janssen-Cilag
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Perguntas frequentes
Por que preciso tomar itraconazol em cápsulas com comida?
A absorção das cápsulas de itraconazol depende de um ambiente ácido no estômago. Tomar o medicamento logo após uma refeição completa estimula a produção de ácido gástrico, o que dissolve o medicamento e permite que ele seja absorvido adequadamente pelo corpo.
Itraconazol é perigoso para o coração?
O itraconazol pode diminuir a força de contração do músculo cardíaco. Por isso, ele é contraindicado para tratar micoses de unha em pessoas que já têm ou tiveram insuficiência cardíaca congestiva. Se você sentir falta de ar ou inchaço nas pernas durante o tratamento, deve procurar um médico imediatamente.
Quanto tempo demora para ver o resultado do itraconazol na micose de unha?
O tratamento da micose de unha é lento porque o medicamento precisa que a unha saudável cresça e substitua a unha doente. Embora o tratamento dure alguns meses, o resultado final só será visível muitos meses depois, quando a unha tiver crescido completamente, o que pode levar de 6 a 12 meses.
Posso tomar omeprazol junto com itraconazol?
Não é recomendado. Medicamentos como o omeprazol reduzem a acidez do estômago, o que pode diminuir drasticamente a absorção das cápsulas de itraconazol, tornando o tratamento ineficaz. Se o uso de ambos for necessário, o médico deve orientar como espaçar os medicamentos ou usar uma formulação diferente de itraconazol.
Qual a diferença entre itraconazol e fluconazol?
Ambos são antifúngicos da mesma classe (azóis), mas o itraconazol tem um espectro de ação mais amplo, sendo eficaz contra fungos que o fluconazol não combate, como o Aspergillus. O itraconazol é mais usado para unhas e micoses sistêmicas graves, enquanto o fluconazol é muito comum para candidíase. O itraconazol também tem mais interações medicamentosas e cuidados com a absorção.