O montelucaste de sódio, conhecido como montelucaste, é um medicamento que pertence a uma classe chamada antagonistas dos receptores de leucotrienos. Diferente dos broncodilatadores e corticoides inalatórios, ele é administrado por via oral (comprimidos mastigáveis ou revestidos) e atua de forma sistêmica para controlar processos inflamatórios ligados a certas doenças respiratórias. É uma opção de tratamento de manutenção, não devendo ser usado para crises agudas.

O que é montelucaste

Montelucaste é uma substância que age bloqueando a ação dos leucotrienos no corpo. Leucotrienos são moléculas inflamatórias que são liberadas por células do sistema imune, como mastócitos e eosinófilos, em resposta a um alérgeno ou outro gatilho. Nos pulmões e no nariz, os leucotrienos causam uma série de efeitos problemáticos: contraem os músculos das vias aéreas, aumentam a produção de muco e atraem mais células inflamatórias para o local, perpetuando o ciclo. O montelucaste se liga especificamente a um tipo de receptor de leucotrieno (o CysLT1), impedindo que os leucotrienos exerçam seus efeitos. Com isso, ele ajuda a reduzir a inflamação e os sintomas da asma e da rinite alérgica.

Para que serve

As indicações aprovadas para o montelucaste visam o controle de condições alérgicas e inflamatórias crônicas.

Asma

O montelucaste é indicado para a profilaxia e o tratamento crônico da asma em adultos e crianças. Ele ajuda a prevenir os sintomas diurnos e noturnos, como tosse, chiado e falta de ar. Também é usado para prevenir o broncoespasmo induzido por exercício físico. É importante ressaltar que ele é um medicamento de controle e não substitui os broncodilatadores de resgate para alívio de crises agudas. Pode ser usado como monoterapia em casos de asma leve persistente ou como terapia adicional em pacientes que não estão bem controlados com corticoides inalatórios.

Rinite alérgica

O montelucaste é eficaz no alívio dos sintomas da rinite alérgica, tanto a sazonal (que ocorre em certas épocas do ano) quanto a perene (que ocorre o ano todo). Ele ajuda a reduzir sintomas como espirros, coriza, congestão e coceira nasal. Para pacientes que têm asma e rinite alérgica concomitantemente, o montelucaste oferece a vantagem de tratar ambas as condições com um único medicamento.

Como funciona no organismo

O mecanismo de ação do montelucaste é bastante específico. Ele é um antagonista seletivo do receptor de cisteinil leucotrieno tipo 1 (CysLT1). Os cisteinil leucotrienos (LTC4, LTD4, LTE4) são potentes mediadores inflamatórios liberados por várias células. Nas vias aéreas, a ligação desses leucotrienos aos receptores CysLT1 causa broncoconstrição, aumento da permeabilidade vascular (que leva ao inchaço) e aumento da secreção de muco.

Ao tomar o montelucaste, o medicamento é absorvido pelo trato gastrointestinal e distribuído pelo corpo. Ele se liga com alta afinidade e seletividade aos receptores CysLT1, bloqueando-os. Ao ocupar esses receptores, ele impede que os leucotrienos se liguem e desencadeiem a cascata inflamatória. Esse bloqueio resulta na redução da inflamação das vias aéreas, no relaxamento da musculatura lisa brônquica e na melhora geral dos sintomas da asma e da rinite alérgica.

Como tomar

O montelucaste é administrado por via oral, uma vez ao dia, geralmente à noite. A administração noturna é frequentemente recomendada para o tratamento da asma, pois ajuda a controlar os sintomas que podem piorar durante a noite ou no início da manhã. Para a rinite alérgica, o horário da administração pode ser ajustado conforme a conveniência do paciente ou o período em que os sintomas são mais intensos.

As apresentações disponíveis incluem:

  • Comprimidos revestidos de 10 mg: Para adultos e adolescentes a partir de 15 anos.
  • Comprimidos mastigáveis de 5 mg: Para crianças de 6 a 14 anos.
  • Comprimidos mastigáveis de 4 mg: Para crianças de 2 a 5 anos.
  • Sachets com granulado de 4 mg: Para crianças de 6 meses a 2 anos.

Os comprimidos podem ser tomados com ou sem alimentos. Os comprimidos mastigáveis devem ser mastigados antes de engolir. O granulado pode ser administrado diretamente na boca ou misturado com uma colher de alimento pastoso frio ou em temperatura ambiente (como purê de maçã ou iogurte). Siga sempre a dosagem e a forma de administração prescritas pelo médico.

Efeitos colaterais e cuidados

O montelucaste é geralmente bem tolerado, mas pode causar efeitos colaterais. Os mais comuns são dor de cabeça, dor abdominal, tosse e sintomas semelhantes aos de um resfriado.

Aviso importante sobre efeitos neuropsiquiátricos:

Agências reguladoras, incluindo a Anvisa e o FDA (nos EUA), emitiram alertas sobre o risco de eventos neuropsiquiátricos associados ao uso de montelucaste. Esses eventos podem ser graves. É crucial que pacientes e cuidadores estejam cientes desses riscos.

Possíveis efeitos neuropsiquiátricos incluem:

  • Comuns: Distúrbios do sono, sonhos anormais, pesadelos, insônia.
  • Incomuns: Agitação (incluindo comportamento agressivo ou hostilidade), ansiedade, depressão, irritabilidade, tremores.
  • Raros ou muito raros: Alucinações, desorientação, pensamentos e comportamentos suicidas.

Se você ou seu filho apresentarem qualquer alteração de humor, comportamento ou pensamento enquanto estiverem tomando montelucaste, entre em contato com seu médico imediatamente. O médico avaliará os riscos e benefícios de continuar o tratamento.

Quem deve evitar

A única contraindicação absoluta para o montelucaste é a hipersensibilidade (alergia) ao montelucaste ou a qualquer outro componente da fórmula. Pacientes com fenilcetonúria devem ter atenção, pois os comprimidos mastigáveis contêm aspartame, uma fonte de fenilalanina.

Interações com outros medicamentos

O montelucaste tem poucas interações medicamentosas clinicamente significativas. No entanto, alguns medicamentos podem afetar seus níveis no sangue. Por exemplo, o fenobarbital e a rifampicina (que são indutores de enzimas hepáticas) podem reduzir a concentração de montelucaste, potencialmente diminuindo sua eficácia. É importante informar ao médico todos os medicamentos que você utiliza, para que ele possa avaliar possíveis interações.

O que fazer em caso de superdose

Em estudos clínicos e na experiência pós-comercialização, os sintomas mais frequentemente relatados após uma superdose de montelucaste em adultos e crianças incluíram dor abdominal, sonolência, sede, dor de cabeça, vômitos e hiperatividade. Não há um tratamento específico para a superdose. Em caso de ingestão de uma quantidade muito superior à recomendada, procure um serviço de emergência e leve a embalagem do medicamento.

Quando procurar um médico

Além do acompanhamento regular para a asma ou rinite, você deve procurar seu médico imediatamente se:

  • Você ou seu filho desenvolverem qualquer alteração de humor, comportamento, pensamento suicida ou outros sintomas neuropsiquiátricos.
  • Os sintomas da asma ou rinite não melhorarem ou piorarem com o tratamento.
  • Você precisar usar seu medicamento de resgate com mais frequência.
  • Você desenvolver sintomas como dor e inchaço dos seios da face, sintomas gripais, erupção cutânea ou dormência/formigamento nos braços ou pernas (sintomas que podem estar associados a uma condição rara chamada Síndrome de Churg-Strauss).