Nitrofurantoína
Nitrofurantoína é um antibiótico usado para tratar e prevenir infecções urinárias, como cistite. Age diretamente na urina, matando as bactérias causadoras da infecção. Exige receita e acompanhamento médico.
A nitrofurantoína é um antibiótico de uso oral que pertence à classe dos nitrofuranos. É um medicamento amplamente prescrito para tratar e prevenir infecções do trato urinário (ITUs) não complicadas, como cistites. Sua ação se concentra no sistema urinário, o que o torna uma escolha eficaz e direcionada para esse tipo de infecção, com menor impacto na flora bacteriana de outras partes do corpo.
O que é a nitrofurantoína
A nitrofurantoína é um fármaco sintético com atividade bactericida, o que significa que ela é capaz de matar as bactérias sensíveis. Diferente de muitos antibióticos de amplo espectro, sua ação é quase exclusiva no trato urinário. Após ser absorvida no intestino, ela é rapidamente filtrada pelos rins e excretada na urina, onde atinge altas concentrações. É nessa alta concentração urinária que ela exerce seu efeito contra os microrganismos causadores da infecção.
Este medicamento é eficaz contra muitas das bactérias que comumente causam infecções urinárias, incluindo a Escherichia coli (E. coli), que é responsável pela grande maioria dos casos. Por ter um mecanismo de ação único, a resistência bacteriana à nitrofurantoína tem se mantido relativamente baixa ao longo de décadas de uso, tornando-a uma opção valiosa em um cenário de crescente resistência a outros antibióticos.
Para que serve
A principal indicação da nitrofurantoína é o tratamento de infecções agudas e não complicadas da bexiga, conhecidas como cistites. Ela é considerada uma terapia de primeira linha para esses casos em muitas diretrizes clínicas. Além do tratamento de infecções ativas, a nitrofurantoína também pode ser utilizada em doses mais baixas e por períodos prolongados para a profilaxia (prevenção) de infecções urinárias recorrentes em pacientes que sofrem de episódios frequentes.
As indicações aprovadas em bula incluem:
- Tratamento de infecções do trato urinário agudas e não complicadas (cistites).
- Tratamento de manutenção a longo prazo para supressão de infecções urinárias em pacientes com histórico de recorrência.
É importante notar que a nitrofurantoína não é recomendada para o tratamento de infecções renais (pielonefrite) ou abcessos renais, pois não atinge concentrações terapêuticas adequadas no tecido renal ou na corrente sanguínea.
Como funciona no organismo
O mecanismo de ação da nitrofurantoína é complexo e multifacetado. Uma vez dentro da célula bacteriana, a nitrofurantoína é convertida por enzimas bacterianas (flavoproteínas) em intermediários altamente reativos. Esses intermediários atacam múltiplos alvos dentro da bactéria. Eles danificam o DNA, o RNA e os ribossomos bacterianos, que são estruturas essenciais para a síntese de proteínas e para a replicação celular. Ao interferir em tantos processos vitais simultaneamente, a nitrofurantoína impede que a bactéria funcione, se multiplique e, por fim, causa sua morte. Essa ação em múltiplos alvos também é o que torna o desenvolvimento de resistência bacteriana a este fármaco um evento mais raro.
Como tomar
A posologia da nitrofurantoína deve ser sempre determinada por um médico, pois varia conforme a indicação (tratamento ou prevenção), a idade do paciente e a função renal. É fundamental seguir a prescrição rigorosamente e completar todo o ciclo de tratamento, mesmo que os sintomas melhorem antes, para garantir a erradicação completa da infecção e evitar o desenvolvimento de resistência.
Geralmente, as orientações são:
- Para tratamento de cistite aguda: A dose usual para adultos é de uma cápsula de 100 mg a cada 6 horas (quatro vezes ao dia), por um período de 7 a 10 dias.
- Para profilaxia de infecções recorrentes: A dose pode ser reduzida para 50 mg a 100 mg, uma vez ao dia, geralmente à noite, por um período prolongado conforme orientação médica.
Uma recomendação importante é tomar a nitrofurantoína junto com alimentos ou leite. Isso melhora sua absorção e tolerabilidade, reduzindo o risco de desconforto gastrointestinal, como náuseas e vômitos.
Efeitos colaterais e cuidados
Como todo medicamento, a nitrofurantoína pode causar efeitos colaterais. Os mais comuns são geralmente leves e incluem:
- Náuseas, vômitos e perda de apetite.
- Dores de cabeça.
- Alteração na cor da urina, que pode ficar marrom-escura ou amarelada, um efeito inofensivo que desaparece após o término do tratamento.
Efeitos colaterais menos comuns, mas que exigem atenção médica, podem ocorrer, especialmente com o uso prolongado:
- Reações pulmonares: Podem ser agudas (tosse, dor no peito, febre, dificuldade para respirar) ou crônicas (fibrose pulmonar com o uso a longo prazo). Qualquer sintoma respiratório deve ser comunicado ao médico imediatamente.
- Reações hepáticas: Embora raras, podem ocorrer hepatite e icterícia (pele e olhos amarelados).
- Neuropatia periférica: Danos nos nervos que podem causar formigamento, dormência ou dor nas mãos e pés. O risco é maior em pacientes com insuficiência renal ou diabetes.
- Reações dermatológicas: Erupções cutâneas e coceira.
Quem deve evitar
A nitrofurantoína é contraindicada em algumas situações específicas:
- Pacientes com alergia conhecida à nitrofurantoína ou a qualquer outro componente da fórmula.
- Pacientes com insuficiência renal significativa (anúria, oligúria ou depuração de creatinina inferior a 60 mL/min), pois o medicamento pode não ser eficaz e há um risco aumentado de toxicidade.
- Gestantes no final da gravidez (38 a 42 semanas) e durante o trabalho de parto, devido ao risco de anemia hemolítica no recém-nascido.
- Recém-nascidos com menos de um mês de idade.
- Pacientes com deficiência da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), pelo risco de hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos).
Interações com outros medicamentos
A nitrofurantoína pode interagir com outros medicamentos, alterando seus efeitos. É crucial informar ao médico todos os medicamentos, suplementos e chás que estiver utilizando. Algumas interações importantes incluem:
- Antiácidos contendo trissilicato de magnésio: Podem diminuir a absorção da nitrofurantoína, reduzindo sua eficácia.
- Probenecida e sulfimpirazona (usados para tratar gota): Podem diminuir a excreção renal da nitrofurantoína, o que reduz sua concentração na urina (menor eficácia) e aumenta sua concentração no sangue (maior risco de toxicidade).
- Anticoncepcionais orais: Como outros antibióticos, há uma preocupação teórica de que possa interferir na eficácia dos contraceptivos. Recomenda-se o uso de um método contraceptivo adicional durante o tratamento.
O que fazer em caso de superdose
A superdosagem de nitrofurantoína não é comum, mas se ocorrer, o sintoma mais provável é o vômito. Não existe um antídoto específico. Em caso de ingestão de uma quantidade muito acima da recomendada, é fundamental procurar atendimento médico de emergência ou entrar em contato com um centro de toxicologia. O tratamento geralmente envolve medidas de suporte e a indução do vômito, se apropriado. Manter uma boa hidratação ajuda a eliminar o excesso do medicamento pela urina.
Quando procurar um médico
É essencial procurar um médico antes de iniciar o uso de nitrofurantoína, pois é um medicamento que exige prescrição. Durante o tratamento, você deve procurar atendimento médico se:
- Os sintomas da infecção urinária não melhorarem após 2 ou 3 dias de tratamento.
- Desenvolver febre alta, dor lombar ou vômitos, que podem ser sinais de uma infecção renal (pielonefrite).
- Apresentar qualquer sintoma respiratório, como tosse persistente, falta de ar ou dor no peito.
- Notar amarelamento da pele ou dos olhos (icterícia).
- Sentir formigamento, dormência ou fraqueza nas extremidades.
- Tiver uma reação alérgica grave, como inchaço do rosto, lábios ou língua, e dificuldade para respirar.
Apresentações
| Forma farmacêutica | Concentração | Via |
|---|---|---|
| Cápsula | 100 mg | Oral |
Uso clínico
Indicações
Tratamento das infecções urinárias agudas e crônicas, como cistites, pielites, pielocistites e pielonefrites, causadas por bactérias sensíveis à nitrofurantoína. Também é indicada para a profilaxia de infecções do trato urinário.
Posologia
A posologia deve ser definida pelo médico. A dose usual para tratamento é de 50 a 100 mg, 4 vezes ao dia, por 7 a 10 dias. Para tratamento de longa duração, a dose pode ser ajustada. É recomendado tomar o medicamento junto com alimentos para melhorar a absorção e reduzir o desconforto gástrico. Siga sempre a orientação do seu médico.
- Tempo até início do efeito
- 1 a 3 horas para atingir concentração terapêutica na urina.
- Duração do efeito
- O efeito dura enquanto o medicamento é administrado em intervalos regulares (geralmente a cada 6 horas).
Contraindicações
Este medicamento é contraindicado para pacientes com hipersensibilidade à nitrofurantoína, insuficiência renal com depuração de creatinina inferior a 60 mL/min, gestantes no termo (38-42 semanas), recém-nascidos com menos de um mês e pacientes com deficiência de G6PD.
Superdosagem
Em caso de superdosagem, o sintoma mais provável é o vômito. Não há antídoto específico. Recomenda-se procurar atendimento médico imediatamente, levando a embalagem ou bula do medicamento. A ingestão de líquidos pode ajudar a eliminar o fármaco pela urina.
Mecanismo de ação
A nitrofurantoína é convertida dentro das células bacterianas em substâncias reativas que danificam o DNA, o RNA e outras estruturas vitais da bactéria. Essa ação múltipla impede a replicação bacteriana e causa a morte do microrganismo, com baixo risco de desenvolvimento de resistência.
Efeitos colaterais
Comuns
-
Náuseas e vômitos
Ocorrem frequentemente, mas podem ser minimizados ao tomar o medicamento com comida ou leite.
-
Dor de cabeça
Cefaleia pode ocorrer durante o tratamento.
-
Alteração na cor da urina
A urina pode ficar com uma coloração marrom-escura, o que é um efeito inofensivo.
Raros / graves
-
Reações pulmonares agudas ou crônicas
Pode causar tosse, febre e falta de ar (aguda) ou fibrose pulmonar (crônica, com uso prolongado).
-
Hepatotoxicidade
Pode causar inflamação no fígado, levando a sintomas como icterícia.
-
Neuropatia periférica
Danos nos nervos que causam formigamento e dormência, principalmente em pacientes com insuficiência renal.
Interações medicamentosas
| Medicamento / classe | Severidade | Descrição |
|---|---|---|
| Antiácidos com trissilicato de magnésio | Moderada | Reduzem a absorção da nitrofurantoína, diminuindo sua eficácia. |
| Probenecida | Grave | Inibe a secreção renal da nitrofurantoína, aumentando o risco de toxicidade e diminuindo a eficácia no trato urinário. |
| Norfloxacino | Moderada | A nitrofurantoína pode antagonizar o efeito de antibióticos da classe das quinolonas. |
Populações especiais
Gestação
B B — sem evidência de risco
A nitrofurantoína é classificada como Categoria B de risco na gravidez. Pode ser usada durante a gestação, se necessário, mas é contraindicada no final da gravidez (a partir de 38 semanas) e durante o parto, pelo risco de causar anemia hemolítica no recém-nascido.
Lactação
O medicamento é excretado em pequenas quantidades no leite materno. O uso é geralmente considerado seguro, mas deve ser evitado se o bebê tiver menos de um mês de idade ou deficiência de G6PD.
Uso pediátrico
O uso é contraindicado em crianças com menos de um mês de idade. Para crianças maiores, a dose é ajustada pelo peso corporal e deve ser prescrita por um pediatra.
Uso geriátrico
O uso em idosos requer cautela, principalmente devido à maior probabilidade de diminuição da função renal. O médico deve avaliar a função dos rins antes de prescrever o medicamento.
Insuficiência renal / hepática
É contraindicado em pacientes com insuficiência renal significativa (depuração de creatinina < 60 mL/min). Em caso de doença hepática, o uso deve ser monitorado de perto pelo médico.
Regulatório
- Fabricante
- Hypera Pharma
- Registro Anvisa
1.7817.0080.003-1- Versão genérica
- ✓ Disponível no Brasil
- Bula oficial Anvisa
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Perguntas frequentes
Nitrofurantoína serve para infecção intestinal?
Não. A nitrofurantoína é específica para infecções do trato urinário, pois sua concentração terapêutica ocorre na urina. Ela não é eficaz para tratar infecções em outras partes do corpo, como o intestino.
Posso beber álcool enquanto tomo nitrofurantoína?
Não há uma contraindicação absoluta como ocorre com outros antibióticos, mas o álcool pode agravar efeitos colaterais como náuseas e dor de cabeça. Recomenda-se evitar ou consumir com moderação e conversar com seu médico.
Por que a urina muda de cor com a nitrofurantoína?
A nitrofurantoína e seus metabólitos são eliminados na urina e têm uma coloração escura. Isso faz com que a urina possa ficar com uma cor amarela-escura ou marrom. É um efeito normal e inofensivo que cessa após o fim do tratamento.
O que fazer se esquecer de tomar uma dose?
Se você esquecer uma dose, tome-a assim que se lembrar. No entanto, se estiver perto do horário da próxima dose, pule a dose esquecida e continue com o esquema normal. Não tome duas doses ao mesmo tempo para compensar.
Quanto tempo demora para a nitrofurantoína fazer efeito?
Os sintomas da infecção urinária, como dor e ardência ao urinar, geralmente começam a melhorar dentro de 24 a 48 horas após o início do tratamento. Mesmo com a melhora, é crucial completar todo o ciclo prescrito pelo médico.