Valsartana
Valsartana é um medicamento da classe dos BRAs, indicado para tratar pressão alta, insuficiência cardíaca e para proteção após infarto. Age relaxando os vasos sanguíneos para facilitar a circulação.
A valsartana é um medicamento de uso contínuo, disponível sob prescrição médica, amplamente utilizado no tratamento da hipertensão arterial (pressão alta), insuficiência cardíaca e para melhorar a sobrevida de pacientes após um infarto do miocárdio. Pertencente a uma classe de fármacos conhecida como bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRAs), a valsartana oferece uma abordagem eficaz para o controle da pressão arterial e a proteção do sistema cardiovascular, com um perfil de tolerabilidade que a torna uma opção valiosa para muitos pacientes.
O que é a valsartana
A valsartana é o princípio ativo de medicamentos que atuam diretamente no sistema renina-angiotensina-aldosterona, um complexo sistema hormonal que regula a pressão sanguínea e o equilíbrio de fluidos e eletrólitos no corpo. Como um BRA, ela impede que a angiotensina II, um potente vasoconstritor (substância que aperta os vasos sanguíneos), se ligue aos seus receptores nos vasos. O resultado é o relaxamento e a dilatação dos vasos, o que diminui a resistência ao fluxo sanguíneo e, consequentemente, reduz a pressão arterial.
Este medicamento é encontrado em farmácias na forma de comprimidos revestidos, em diversas dosagens, tanto como medicamento de referência (Diovan) quanto em versões genéricas e similares. A escolha da dosagem e da frequência de uso depende da condição a ser tratada e da resposta individual do paciente, sendo sempre determinada por um médico.
Para que serve
As indicações da valsartana, aprovadas pela Anvisa, são específicas e visam o manejo de condições cardiovasculares importantes. É fundamental que o uso seja feito apenas para as finalidades prescritas por um profissional de saúde.
Hipertensão arterial
A principal indicação da valsartana é o tratamento da pressão alta. Ao reduzir a pressão arterial, o medicamento ajuda a prevenir complicações graves associadas à hipertensão, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, doença renal crônica e danos à retina.
Insuficiência cardíaca
A valsartana é indicada para pacientes com insuficiência cardíaca (classes II a IV da New York Heart Association – NYHA), uma condição na qual o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo. Nesses casos, o medicamento melhora os sintomas (como falta de ar e inchaço), aumenta a capacidade de exercício e reduz as hospitalizações por insuficiência cardíaca.
Pós-infarto do miocárdio
Em pacientes que sofreram um infarto do miocárdio recente e que estão clinicamente estáveis, a valsartana pode ser prescrita para reduzir o risco de mortalidade cardiovascular e de eventos futuros. O tratamento geralmente é iniciado nas primeiras 12 horas a 10 dias após o infarto.
Como funciona no organismo
Para entender como a valsartana funciona, é preciso conhecer o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Quando a pressão arterial cai ou o volume de sangue diminui, os rins liberam uma enzima chamada renina. A renina inicia uma cascata de reações que culmina na produção de angiotensina II.
A angiotensina II tem vários efeitos que elevam a pressão arterial:
- Vasoconstrição: Contrai as paredes musculares das pequenas artérias, aumentando a resistência vascular.
- Liberação de aldosterona: Estimula as glândulas adrenais a liberarem aldosterona, um hormônio que faz os rins reterem sódio e água, aumentando o volume de sangue.
- Efeitos no coração e nos vasos: A longo prazo, a angiotensina II pode promover o remodelamento cardíaco e vascular, ou seja, alterações estruturais que enrijecem os vasos e engrossam o músculo cardíaco, piorando a hipertensão e a insuficiência cardíaca.
A valsartana atua como um antagonista competitivo e seletivo do receptor AT1 da angiotensina II. Em termos simples, ela se encaixa no receptor como uma chave errada na fechadura, impedindo que a angiotensina II se ligue e exerça seus efeitos. Ao bloquear essa via, a valsartana promove a vasodilatação, reduz a retenção de sódio e água e ajuda a prevenir os danos estruturais ao coração e aos vasos sanguíneos. Uma vantagem sobre outra classe de medicamentos, os inibidores da ECA, é que a valsartana não interfere na degradação da bradicinina, o que resulta em uma incidência muito menor de tosse seca, um efeito colateral comum dos iECAs.
Como tomar
A posologia da valsartana deve ser estritamente individualizada pelo médico. Nunca se automedique ou altere a dose por conta própria. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros, com um pouco de água, e podem ser tomados com ou sem alimentos.
As doses usuais são:
- Para hipertensão: A dose inicial recomendada é geralmente de 80 mg ou 160 mg, uma vez ao dia. O efeito anti-hipertensivo máximo é observado em cerca de 4 semanas. A dose pode ser ajustada até 320 mg por dia, se necessário.
- Para insuficiência cardíaca: A dose inicial é tipicamente de 40 mg, duas vezes ao dia. O médico pode aumentar gradualmente a dose para 80 mg e depois 160 mg, duas vezes ao dia, conforme a tolerância do paciente.
- Para pós-infarto: O tratamento pode começar com uma dose baixa de 20 mg, duas vezes ao dia, e ser ajustado para uma dose alvo de 160 mg, duas vezes ao dia.
É crucial manter a regularidade, tomando o medicamento todos os dias no mesmo horário para garantir níveis estáveis no sangue e um controle eficaz da pressão.
Efeitos colaterais e cuidados
Como todo medicamento, a valsartana pode causar efeitos colaterais, embora nem todos os pacientes os apresentem. O efeito adverso mais comum é a tontura, especialmente ao se levantar (hipotensão postural), que tende a ser mais frequente no início do tratamento.
Outros efeitos comuns podem incluir:
- Pressão baixa (hipotensão)
- Redução da função renal
- Aumento dos níveis de potássio no sangue (hipercalemia)
Efeitos menos comuns ou raros incluem dor de cabeça, fadiga, náuseas, dor abdominal e, muito raramente, reações alérgicas graves como o angioedema (inchaço rápido da pele, lábios, língua e garganta, que pode dificultar a respiração). Se ocorrerem sinais de angioedema, procure atendimento médico de emergência imediatamente.
Quem deve evitar
A valsartana é contraindicada em algumas situações:
- Alergia: Pessoas com hipersensibilidade conhecida à valsartana ou a qualquer outro componente da fórmula.
- Gravidez: O uso de valsartana é absolutamente contraindicado durante o segundo e terceiro trimestres da gravidez, pois pode causar danos graves ou até a morte do feto. Também não é recomendado no primeiro trimestre. Mulheres em idade fértil devem usar métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento.
- Amamentação: Não se sabe se a valsartana passa para o leite materno, portanto, seu uso não é recomendado durante a amamentação.
- Uso com alisquireno: A combinação com medicamentos contendo alisquireno é contraindicada em pacientes com diabetes ou insuficiência renal.
Interações com outros medicamentos
Informe sempre seu médico sobre todos os medicamentos, suplementos e plantas medicinais que você utiliza. A valsartana pode interagir com:
- Outros anti-hipertensivos: A combinação pode aumentar o efeito de redução da pressão, exigindo ajuste de dose.
- Suplementos de potássio ou diuréticos poupadores de potássio: Aumentam o risco de hipercalemia (níveis perigosamente altos de potássio).
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e diclofenaco: Podem reduzir o efeito da valsartana e aumentar o risco de problemas renais.
- Lítio: A valsartana pode aumentar os níveis de lítio no sangue, aumentando o risco de toxicidade.
O que fazer em caso de superdose
Uma superdose de valsartana pode causar hipotensão acentuada (pressão muito baixa), levando a tonturas, desmaios e, em casos extremos, choque. Se você tomar uma dose maior que a prescrita, entre em contato com seu médico ou procure um serviço de emergência imediatamente, levando a embalagem do medicamento. O tratamento geralmente envolve colocar o paciente deitado com as pernas elevadas e administrar fluidos intravenosos para restaurar a pressão arterial.
Quando procurar um médico
É importante manter o acompanhamento médico regular durante o tratamento com valsartana. Procure seu médico se:
- Sentir tonturas frequentes ou desmaios.
- Observar inchaço nos tornozelos, pés ou rosto.
- Apresentar sinais de reação alérgica, como erupções cutâneas, coceira ou inchaço da face, lábios ou língua.
- Tiver dificuldade para respirar.
- Planeja engravidar ou descobrir que está grávida.
O controle da pressão arterial e o manejo de condições cardíacas são processos contínuos que exigem uma parceria entre paciente e médico. Seguir as orientações, adotar um estilo de vida saudável e não interromper o tratamento por conta própria são passos fundamentais para o sucesso terapêutico.
Apresentações
| Forma farmacêutica | Concentração | Via |
|---|---|---|
| Comprimido | 40 mg | Oral |
| Comprimido | 80 mg | Oral |
| Comprimido | 160 mg | Oral |
| Comprimido | 320 mg | Oral |
Uso clínico
Indicações
- Tratamento da hipertensão arterial.
- Tratamento da insuficiência cardíaca (classes II-IV da NYHA).
- Tratamento de pacientes pós-infarto do miocárdio clinicamente estáveis com evidência de insuficiência cardíaca ou disfunção sistólica do ventrículo esquerdo.
Posologia
A dose deve ser individualizada pelo médico. As doses podem variar de 40 mg duas vezes ao dia a 320 mg uma vez ao dia, dependendo da condição tratada. É fundamental seguir a prescrição médica e não alterar a dose sem orientação.
- Tempo até início do efeito
- Aproximadamente 2 horas
- Duração do efeito
- Aproximadamente 24 horas
Contraindicações
- Hipersensibilidade à valsartana ou a qualquer excipiente.
- Uso concomitante com alisquireno em pacientes com diabetes mellitus ou insuficiência renal (TFG < 60 mL/min/1,73m²).
- Gravidez (segundo e terceiro trimestres).
- Insuficiência hepática grave, cirrose biliar e colestase.
Superdosagem
A superdosagem pode levar à hipotensão acentuada. Em caso de ingestão excessiva, procure imediatamente um serviço de emergência. O tratamento é de suporte, visando a correção da pressão arterial, geralmente com infusão de solução salina.
Mecanismo de ação
A valsartana bloqueia seletivamente os receptores AT1 da angiotensina II. Isso impede a ação vasoconstritora da angiotensina II e a liberação de aldosterona, resultando em vasodilatação, redução da pressão arterial e diminuição da retenção de sódio e água.
Efeitos colaterais
Comuns
-
Tontura postural
Sensação de tontura ao se levantar rapidamente.
-
Hipotensão
Pressão arterial mais baixa que o normal.
-
Disfunção renal
Alterações em exames que medem a função dos rins.
Raros / graves
-
Angioedema
Inchaço rápido da face, lábios, língua ou garganta, que pode causar dificuldade para respirar. É uma emergência médica.
-
Vasculite
Inflamação dos vasos sanguíneos.
-
Hipercalemia
Aumento dos níveis de potássio no sangue.
Interações medicamentosas
| Medicamento / classe | Severidade | Descrição |
|---|---|---|
| Diuréticos poupadores de potássio e suplementos de potássio | Moderada | Aumentam o risco de hipercalemia (excesso de potássio no sangue). |
| Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) | Moderada | Podem reduzir o efeito anti-hipertensivo e aumentar o risco de lesão renal. |
| Lítio | Grave | A valsartana pode aumentar a concentração de lítio, elevando o risco de toxicidade. O uso concomitante deve ser monitorado de perto. |
Populações especiais
Gestação
D D — evidência de risco em humanos
A valsartana é contraindicada durante o segundo e terceiro trimestres da gravidez, pois pode causar lesões e morte fetal. Seu uso não é recomendado no primeiro trimestre. Mulheres com potencial para engravidar devem usar métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento e discutir planos de gravidez com o médico.
Lactação
Não se sabe se a valsartana é excretada no leite humano. Devido ao potencial de efeitos adversos no lactente, o uso não é recomendado durante a amamentação. O médico deve decidir entre interromper a amamentação ou o medicamento.
Uso pediátrico
A segurança e eficácia foram estabelecidas em crianças e adolescentes de 6 a 18 anos para o tratamento da hipertensão. O uso não é recomendado em crianças com menos de 6 anos ou com problemas renais graves.
Uso geriátrico
Não é necessário ajuste de dose inicial para pacientes idosos, mas o monitoramento da função renal e da pressão arterial deve ser cuidadoso, pois podem ser mais sensíveis aos efeitos do medicamento.
Insuficiência renal / hepática
Requer ajuste de dose e monitoramento cuidadoso em pacientes com insuficiência renal ou hepática leve a moderada. É contraindicado em pacientes com insuficiência hepática grave, cirrose biliar ou colestase.
Regulatório
- Fabricante
- Novartis
- Registro Anvisa
1.0068.0920.021-1- Versão genérica
- ✓ Disponível no Brasil
- Bula oficial Anvisa
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Perguntas frequentes
Qual o melhor horário para tomar valsartana?
A valsartana pode ser tomada em qualquer horário do dia, mas é recomendado tomá-la sempre na mesma hora para manter a consistência. Muitos médicos sugerem tomar pela manhã, mas o importante é seguir a orientação médica.
Valsartana causa tosse?
A tosse seca não é um efeito colateral comum da valsartana, ao contrário dos medicamentos da classe dos inibidores da ECA (como captopril e enalapril). Essa é uma das vantagens do seu mecanismo de ação.
Posso beber álcool enquanto tomo valsartana?
O consumo de álcool pode potencializar o efeito de redução da pressão arterial da valsartana, aumentando o risco de tonturas e desmaios. É aconselhável consumir álcool com moderação e discutir o assunto com seu médico.
Quanto tempo a valsartana demora para fazer efeito?
O efeito de redução da pressão arterial começa a ser notado em cerca de 2 horas após a administração, mas o efeito máximo pode levar de 2 a 4 semanas de tratamento contínuo para ser alcançado.
O que acontece se eu esquecer de tomar uma dose de valsartana?
Se você esquecer uma dose, tome-a assim que se lembrar. No entanto, se estiver perto do horário da próxima dose, pule a dose esquecida e continue com o esquema normal. Não tome uma dose dupla para compensar.
Valsartana emagrece ou engorda?
Não há evidências de que a valsartana cause ganho ou perda de peso significativos. Alterações de peso durante o tratamento geralmente estão relacionadas a outras causas ou à própria condição de saúde, como a retenção de líquidos na insuficiência cardíaca.
Preciso fazer exames de sangue usando valsartana?
Sim, seu médico provavelmente solicitará exames de sangue periódicos para monitorar a função dos seus rins e os níveis de potássio no sangue, especialmente no início do tratamento ou após ajustes de dose.