Um aguardado estudo que buscava uma nova alternativa para a prevenção de AVC foi interrompido precocemente por falta de eficácia. O ensaio clínico com o medicamento asundexian, que gerava grande expectativa na comunidade médica, não conseguiu demonstrar superioridade em relação ao placebo na redução de novos eventos de acidente vascular cerebral isquêmico. Os resultados completos foram publicados no periódico científico The New England Journal of Medicine.

O estudo, chamado OCEANIC-STROKE, era um ensaio clínico de fase 3, randomizado e duplo-cego, que incluía pacientes que haviam sofrido recentemente um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico não cardioembólico ou um ataque isquêmico transitório (AIT) de alto risco. A esperança era que o asundexian, um inibidor oral do fator XIa, pudesse oferecer uma nova e mais segura opção de tratamento.

O que prometia o novo medicamento?

O asundexian foi desenvolvido com uma premissa inovadora para a saúde cardiovascular: prevenir a formação de coágulos sanguíneos com um risco menor de sangramentos graves, um efeito colateral comum e perigoso dos anticoagulantes tradicionais. A teoria era que, ao inibir o fator XIa da cascata de coagulação, seria possível separar o efeito antitrombótico (prevenção de coágulos) do efeito hemostático (contenção de sangramentos).

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O objetivo do ensaio clínico AVC era confirmar essa hipótese em um grande grupo de pacientes. Os participantes foram divididos para receber asundexian ou placebo, além da terapia antiplaquetária padrão. O desfecho primário avaliado era a ocorrência de um novo AVC isquêmico.

Resultados inesperados e o fim do estudo

Contrariando as expectativas, a análise interina dos dados mostrou que o asundexian não foi mais eficaz que o placebo na prevenção de um segundo AVC. O comitê independente de monitoramento de dados recomendou a interrupção do estudo devido à “baixa probabilidade de benefício clínico”.

Segundo os dados publicados, a taxa de AVC isquêmico no grupo que recebeu o medicamento foi praticamente idêntica à do grupo placebo. Apesar da decepção com a eficácia, o estudo confirmou um ponto importante: o perfil de segurança do asundexian. As taxas de sangramento maior foram baixas e semelhantes nos dois grupos, validando a premissa de que o medicamento oferece um risco menor de hemorragias.

No entanto, a ausência de eficácia impede que o medicamento avance como uma opção para o tratamento de AVC secundário neste perfil de paciente. A falha representa um revés para esta nova classe de medicamentos e para a busca de alternativas mais seguras aos tratamentos existentes.

Qual o impacto para a prevenção no Brasil?

Para os pacientes no Brasil, os resultados significam que as atuais diretrizes de tratamento para a prevenção secundária de AVC, baseadas em antiplaquetários, permanecem como o padrão ouro. O Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada continuarão utilizando as terapias já estabelecidas e com eficácia comprovada.

Embora o resultado do OCEANIC-STROKE seja desapontador, ele fornece informações valiosas para a ciência. O conhecimento adquirido sobre o perfil de segurança do asundexian pode guiar futuras pesquisas. A jornada por um novo medicamento para AVC, que combine alta eficácia e segurança máxima, continua sendo um dos maiores desafios da medicina moderna.