A negociação para incorporar um novo medicamento injetável para a prevenção HIV SUS sofreu um revés. A farmacêutica Gilead Sciences recusou a oferta inicial do Ministério da Saúde pelo Lenacapavir, um remédio de aplicação semestral que representa um avanço na profilaxia pré-exposição (PrEP). O governo brasileiro aguarda agora uma contraproposta da empresa para dar continuidade ao processo.

O impasse coloca em espera a incorporação de uma tecnologia promissora para a saúde pública brasileira. O Lenacapavir se destaca pela conveniência, exigindo apenas duas aplicações por ano, o que pode aumentar significativamente a adesão ao tratamento preventivo em comparação com os comprimidos diários atualmente disponíveis.

O impasse na negociação pelo Lenacapavir

A proposta do Ministério da Saúde, baseada em avaliações técnicas e econômicas, foi de US$ 13 por dose do medicamento. Em comunicado, a Gilead Sciences considerou o valor “inviável” e “muito abaixo” dos custos de produção, pesquisa e desenvolvimento. Apesar da recusa, a farmacêutica afirmou que as negociações não estão encerradas e que apresentará uma nova proposta ao governo.

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A definição de um preço justo é um dos maiores desafios para garantir o acesso a medicamentos inovadores no sistema público. O processo de incorporação de novas tecnologias no SUS, conduzido pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), envolve uma análise rigorosa de custo-efetividade para equilibrar o orçamento da saúde com os benefícios clínicos oferecidos.

Alternativas e o futuro da prevenção no Brasil

Enquanto a negociação pelo Lenacapavir está pendente, o Brasil avança com outras estratégias. O SUS já está em processo de incorporar outro injetável de longa duração, o Cabotegravir, que tem aplicação bimestral. Ambas as tecnologias são vistas como ferramentas essenciais para fortalecer a chamada Prevenção Combinada, que une diferentes métodos para barrar a transmissão do vírus.

A negociação de preços para novos tratamentos é uma etapa padrão e frequentemente complexa. O caso do Lenacapavir ilustra a tensão entre o interesse comercial das indústrias farmacêuticas e a necessidade de governos garantirem acesso universal à saúde. A expectativa é que um acordo possa ser alcançado para beneficiar uma população estimada em 130 mil pessoas, segundo projeções do próprio ministério.

Impacto na política de saúde pública

A não incorporação de tecnologias como o Lenacapavir pode impactar a política de saúde voltada para o controle do HIV no país. Medicamentos de longa duração são particularmente importantes para populações com maior dificuldade de adesão ao tratamento diário, simplificando a rotina e aumentando a eficácia da prevenção.

A chegada dessas inovações à atenção primária e aos serviços especializados do SUS é fundamental para que o Brasil continue sendo uma referência mundial no combate à epidemia de HIV/aids. A decisão final sobre o Lenacapavir dependerá da capacidade de ambos os lados, governo e empresa, de encontrarem um ponto de equilíbrio financeiro.

O Ministério da Saúde reafirmou que aguarda a contraproposta da Gilead para reavaliar a situação. O desfecho dessa negociação será decisivo para o futuro da prevenção do HIV no Brasil e para o acesso da população a uma das mais modernas ferramentas de profilaxia disponíveis no mundo.