A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta urgente para o aumento de casos de difteria na região das Américas. A queda nas taxas de cobertura vacinal acendeu um sinal vermelho para a saúde pública, tornando a vacinação difteria uma prioridade imediata para evitar surtos de uma doença que pode ser fatal, especialmente em crianças.
De acordo com o comunicado da OPAS, divulgado em junho de 2024, a combinação de baixas taxas de imunização e a vigilância epidemiológica insuficiente cria um ambiente propício para o ressurgimento da doença. A organização insta os países a intensificarem seus esforços de vacinação e monitoramento para proteger suas populações.
Cenário da difteria nas Américas e o alerta da OPAS
Entre 2023 e meados de 2024, cinco países da região notificaram casos de difteria: Bolívia, Brasil, Haiti, Peru e República Dominicana. O Haiti concentra o maior número de casos suspeitos, mas a presença da doença em múltiplas nações demonstra uma ameaça regional.
O principal fator de risco, segundo a OPAS, é a queda na cobertura vacinal. Em 2022, a cobertura regional para a terceira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3) foi de 83%. O número está bem abaixo dos 95% recomendados pela organização para garantir a imunidade coletiva e prevenir surtos de difteria nas Américas.
A pandemia de COVID-19 impactou negativamente os programas de imunização em todo o continente, resultando em um acúmulo de pessoas suscetíveis. Para reverter esse quadro, a OPAS recomenda o fortalecimento da vigilância de vacinas e a busca ativa por crianças não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto.
O que é a difteria e como a vacina protege?
A difteria é uma infecção bacteriana grave, causada pela Corynebacterium diphtheriae. Sua transmissão ocorre por meio de gotículas respiratórias, de forma semelhante a um resfriado. Os sintomas iniciais incluem dor de garganta, febre baixa e gânglios inchados no pescoço.
A característica mais perigosa da doença é a formação de uma membrana espessa e acinzentada no fundo da garganta, que pode obstruir as vias aéreas e levar à sufocação. Além disso, a bactéria produz uma toxina que pode atingir a corrente sanguínea e danificar órgãos vitais como o coração, os rins e o sistema nervoso.
A prevenção é simples e eficaz: a vacina. No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como parte da vacina pentavalente, administrada em bebês, e em doses de reforço na infância e na vida adulta com a dT (dupla adulto). Manter o calendário vacinal em dia é a melhor forma de proteção individual e coletiva, um pilar da saúde pública.
Campanha de vacinação e o papel do Brasil
Como um dos países que registraram casos recentes, o Brasil precisa reforçar sua campanha de vacinação. O alerta da OPAS serve para lembrar a população sobre a importância de verificar a caderneta de vacinação de crianças e adultos.
A segurança e eficácia das vacinas são rigorosamente monitoradas, um processo fundamental para a segurança de medicamentos e imunizantes no país. Assim como a vacina contra o HPV previne o câncer de colo de útero, a vacina contra a difteria é a ferramenta mais poderosa para evitar essa doença bacteriana.
As autoridades de saúde recomendam que pais e responsáveis levem seus filhos aos postos de saúde para atualizar o esquema vacinal. Adultos também devem verificar a necessidade de doses de reforço, geralmente a cada dez anos.
O ressurgimento de doenças preveníveis como a difteria é um retrocesso que pode ser evitado. A mobilização da sociedade e a confiança nas vacinas são essenciais para manter essas ameaças sob controle e garantir a saúde de todos.