Um novo estudo aponta uma preocupante disparidade na forma como as capitais brasileiras estão se preparando para os efeitos do El Niño na saúde. Enquanto algumas cidades avançam com planos de contingência, outras se mostram vulneráveis aos extremos climáticos, como ondas de calor e enchentes, que acompanham o fenômeno. A pesquisa, baseada em dados públicos e planos de adaptação, acende um alerta para a necessidade de ações urgentes.
De acordo com o levantamento, publicado por pesquisadores de saúde pública, a preparação das capitais é desigual. Cidades como Curitiba e Rio de Janeiro possuem planos mais robustos de monitoramento e alerta para a população. Em contrapartida, outras capitais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, apresentam estratégias incipientes ou inexistentes, o que aumenta o risco para seus habitantes.
O que o estudo revela sobre a preparação das cidades
A análise avaliou a existência de planos de contingência climática com foco em saúde. Os resultados mostram que as cidades mais bem preparadas são aquelas que já possuem sistemas de alerta para desastres naturais e conseguiram integrar a vigilância em saúde a esses mecanismos. Isso inclui protocolos para ondas de calor, monitoramento de qualidade do ar e ações de prevenção contra doenças transmitidas por vetores.
A falta de integração entre as secretarias de Saúde, Meio Ambiente e Defesa Civil foi apontada como um dos principais gargalos na maioria dos municípios. A preparação das capitais para o clima extremo ainda é um desafio que precisa ser enfrentado de forma coordenada, com investimentos em infraestrutura e capacitação profissional.
Principais riscos do El Niño para a saúde
Os impactos do El Niño na saúde são variados e afetam o país de maneiras distintas, intensificando problemas já existentes. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) já havia alertado sobre os possíveis impactos do fenômeno El Niño na saúde nas Américas, reforçando a necessidade de vigilância. Os principais riscos incluem:
- Ondas de calor: Aumento de casos de desidratação, exaustão pelo calor e insolação, especialmente em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
- Chuvas e enchentes: Maior risco de doenças transmitidas pela água contaminada, como leptospirose e hepatite A. Além disso, a água parada favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, aumentando os casos de dengue, zika e chikungunya.
- Secas e queimadas: Em regiões como a Amazônia e o Centro-Oeste, a seca intensifica as queimadas, piorando a qualidade do ar e elevando o número de doenças respiratórias.
O cenário no Brasil e a resposta do SUS
Essa vulnerabilidade climática representa uma pressão adicional sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), que precisa estar preparado para um aumento na demanda por atendimentos de emergência e tratamento de doenças sazonais. A complexa relação entre saúde pública e clima exige uma resposta que vá além do tratamento, focando na prevenção e na promoção da saúde.
Isso significa investir em vigilância epidemiológica e ambiental, criar sistemas de alerta precoce eficientes e educar a população sobre os riscos. A resiliência do sistema de saúde é um fator crucial para proteger a saúde dos brasileiros diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos. A garantia de acesso a cuidados e medicamentos, como os disponibilizados pelo Farmácia Popular, torna-se ainda mais vital para pacientes crônicos nesse cenário.
O estudo serve como um chamado para que gestores públicos em todos os níveis priorizem a agenda climática na saúde. A adaptação não é mais uma opção, mas uma necessidade urgente para proteger vidas e garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações.