A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta sobre o uso crescente de canetas emagrecedoras crianças e adolescentes. Em um novo guia de orientação, a entidade médica pede cautela aos pediatras na prescrição desses medicamentos, reforçando que a mudança no estilo de vida deve ser sempre a primeira abordagem no combate à obesidade infantil.

O documento surge em um momento de grande popularidade de medicamentos como a semaglutida e a liraglutida, análogos do hormônio GLP-1. Embora eficazes para a perda de peso em adultos, a SBP manifesta preocupação com a indicação indiscriminada para o público mais jovem.

A posição da Sociedade Brasileira de Pediatria

O posicionamento da Sociedade Brasileira de Pediatria, divulgado em um documento oficial, não proíbe a indicação, mas estabelece critérios rigorosos. Segundo a SBP, esses medicamentos para emagrecer só devem ser considerados após a falha de tratamentos convencionais, que envolvem dieta, exercícios e suporte psicológico por um período mínimo de seis a doze meses.

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A entidade enfatiza que a decisão de iniciar o tratamento farmacológico deve ser tomada por uma equipe multidisciplinar e compartilhada com a família. O objetivo é garantir que a medicação seja parte de um plano de cuidado abrangente, e não uma solução isolada e rápida para um problema complexo.

Abordagem multidisciplinar é a chave para a obesidade infantil

A SBP destaca que a obesidade infantil é uma condição crônica e multifatorial. Fatores genéticos, ambientais, sociais e emocionais influenciam seu desenvolvimento. Portanto, o tratamento eficaz exige uma abordagem integrada, focada na raiz do problema e não apenas no sintoma do excesso de peso.

A primeira linha de tratamento, segundo os pediatras, deve sempre incluir:

  • Reeducação alimentar com acompanhamento nutricional;
  • Incentivo à prática regular de atividades físicas;
  • Apoio psicológico para a criança e a família;
  • Mudanças de hábitos em todo o ambiente familiar.

Essas estratégias são fundamentais para a saúde infantojuvenil e promovem resultados sustentáveis a longo prazo. A medicação pode entrar como uma ferramenta de apoio em casos específicos, mas nunca como substituta dessas mudanças essenciais nas abordagens para o tratamento da obesidade.

O que diz a regulamentação no Brasil?

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou o uso de alguns desses fármacos para adolescentes. A liraglutida (comercializada como Saxenda) tem aprovação para uso a partir dos 12 anos em casos de obesidade e comorbidades associadas.

Mais recentemente, a substância semaglutida, na sua formulação para perda de peso (Wegovy), também recebeu aval da Anvisa para a mesma faixa etária e condições. A aprovação regulatória, contudo, não elimina a necessidade de um julgamento clínico cuidadoso, como ressalta o alerta da SBP.

A popularidade da substância semaglutida aumentou a pressão sobre médicos e famílias por resultados rápidos. A SBP, no entanto, adverte sobre os efeitos colaterais, como náuseas e vômitos, e a falta de dados sobre as consequências do uso prolongado em organismos ainda em desenvolvimento.

A recomendação da SBP serve como um lembrete crucial para médicos e famílias. As canetas emagrecedoras podem ser uma ferramenta útil em cenários clínicos bem definidos, mas seu uso deve ser criterioso, responsável e sempre complementar a uma base sólida de hábitos saudáveis, que são o verdadeiro alicerce para uma vida longa e com qualidade.