A mortalidade COVID-19 global foi quase três vezes maior do que os números oficiais indicavam entre 2020 e 2021. A revelação vem de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima um total de 14,9 milhões de mortes em excesso associadas direta ou indiretamente à pandemia. O número contrasta com os cerca de 5,4 milhões de óbitos oficialmente registrados no mesmo período.
Essa discrepância massiva expõe o verdadeiro impacto da crise sanitária, mostrando que o número de mortes por COVID foi significativamente subnotificado em todo o mundo. Os novos dados da OMS fornecem um retrato mais fiel da escala da tragédia.
O que são as “mortes em excesso”?
O conceito de “morte em excesso” é fundamental para entender a dimensão da pandemia. Ele calcula a diferença entre o número de pessoas que morreram durante a crise e o número que seria esperado caso a pandemia não tivesse ocorrido, com base em dados de anos anteriores.
Essa métrica inclui não apenas as mortes por COVID que não foram diagnosticadas ou registradas oficialmente, mas também as mortes indiretas. Isso engloba pacientes com outras doenças que não conseguiram acesso a tratamento porque os sistemas de saúde estavam sobrecarregados. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), em um relatório detalhado, a maioria dessas mortes (84%) concentrou-se no Sudeste Asiático, na Europa e nas Américas.
O cenário da saúde pública no Brasil
No Brasil, a subnotificação foi uma preocupação constante para especialistas desde o início da pandemia. A dificuldade de acesso a testes, especialmente nas fases iniciais, e a sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS) contribuíram para que muitos óbitos não fossem atribuídos corretamente à COVID-19.
Os novos dados da OMS reforçam a necessidade de um olhar crítico sobre os números oficiais e de investir em sistemas de informação mais robustos. A pandemia evidenciou desafios sistêmicos que afetam a saúde pública no Brasil, em uma escala que supera até mesmo a luta contra a ascensão de superbactérias em termos de impacto agudo no sistema hospitalar.
Lições para o futuro
A análise da OMS não serve apenas para corrigir o passado, mas para preparar o futuro. A precisão dos dados é crucial para que governos e autoridades de saúde possam tomar decisões rápidas e eficazes durante uma emergência sanitária. Um sistema de vigilância fortalecido é a primeira linha de defesa contra futuras pandemias.
Investir na capacidade de coleta e análise de dados em tempo real permite uma resposta mais ágil, desde a alocação de recursos até a comunicação com o público. A importância de dados precisos para a tomada de decisão é um tema central, também visto em debates sobre vacinas e outras intervenções de saúde.
O relatório sobre a mortalidade COVID-19 deixa claro que o custo humano da pandemia foi muito maior do que as estatísticas diárias mostravam. Esses números servem como um alerta para a necessidade de fortalecer a saúde pública global e garantir que estejamos mais bem preparados para a próxima crise.