Após anos de quedas consecutivas, o tabagismo Brasil volta a apresentar sinais de crescimento, acendendo um alerta entre especialistas em saúde. A principal causa para essa reversão é a popularização de novos produtos de nicotina, como os cigarros eletrônicos, que miram especialmente o público jovem com estratégias de marketing agressivas.
A tendência de queda no número de fumantes, que era uma vitória da saúde pública brasileira, está sob ameaça. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a indústria do tabaco se reinventou para capturar uma nova geração de usuários, contornando a imagem negativa associada ao cigarro tradicional.
A nova cara do tabagismo: vapes e outros produtos
Longe do cigarro convencional, a indústria agora investe em dispositivos eletrônicos com design moderno e sabores atrativos. O chamado cigarro eletrônico, ou vape, é a principal porta de entrada. Além dele, ganham espaço os produtos de tabaco aquecido e os sachês de nicotina para uso oral.
Com embalagens coloridas e uma forte presença nas redes sociais, esses produtos são apresentados como uma alternativa supostamente menos prejudicial. A estratégia foca diretamente nos vapes jovens, utilizando sabores doces e frutados para mascarar o gosto da nicotina e facilitar a iniciação.
Os riscos por trás da fumaça (ou vapor)
Apesar da aparência inofensiva, os vapes contêm nicotina, uma substância com alto poder de dependência, muitas vezes em concentrações superiores às do cigarro comum. Além disso, o vapor inalado carrega outras substâncias tóxicas e cancerígenas que podem causar danos aos pulmões e ao sistema cardiovascular.
Especialistas alertam que, para muitos jovens, o cigarro eletrônico funciona como uma porta de entrada para o tabagismo convencional. A disseminação de produtos de saúde não regulamentados representa um perigo crescente, similar ao que se observa com canetas emagrecedoras falsificadas que inundam o mercado ilegalmente.
Desafios para a saúde pública no Brasil
No Brasil, a comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas pela Anvisa desde 2009. Contudo, a fiscalização se mostra um desafio enorme, com vendas ocorrendo livremente pela internet e no comércio informal.
Essa situação representa um retrocesso para as políticas de saúde pública que tornaram o país uma referência no combate ao fumo. Relatórios do Instituto Nacional de Câncer (INCA) detalham os avanços e os novos desafios no controle do tabaco, como pode ser visto na publicação Situação do Tabagismo no Brasil. A estratégia da indústria de focar nos jovens com produtos saborizados é semelhante às táticas vistas no setor de alimentos, que impulsionam o consumo de ultraprocessados no Brasil.
O avanço dos novos produtos de nicotina ameaça reverter décadas de progresso no controle do tabagismo no país. A proteção da saúde dos jovens exige não apenas a manutenção da proibição, mas também um esforço conjunto de fiscalização, educação e conscientização sobre os reais perigos escondidos no vapor.